Com queda da inflação, taxa Selic deve cair a 9,25%

As pressões para que a autoridade monetária mantenha o ritmo de corte da Selic, atualmente em 10,25%, também aumentaram diante da expectativa de que a inflação de junho será negativa

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postado em 06/07/2017 06:06

A queda da inflação, a ancoragem nas expectativas do mercado e a crise econômica devem levar o Banco Central (BC) a reduzir os juros em um ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 25 e 26 de julho. As apostas dos analistas levam em conta a mudança no discurso dos integrantes da equipe de Ilan Goldfajn desde que indicaram que o corte seria de 0,75 ponto percentual, diante da escalada da crise política.


As pressões para que a autoridade monetária mantenha o ritmo de corte da Selic, atualmente em 10,25%, também aumentaram diante da expectativa de que a inflação de junho será negativa. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será divulgado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mediana das expectativas no mercado aponta que o IPCA recuou 0,15% no mês passado. No Boletim Focus, a mediana das projeções do Top 5 aponta que a deflação será ainda maior, de 0,26%.

A queda nos preços de energia, de combustíveis e de alimentos serão os itens que mais influenciarão o resultado do IPCA, explica economista-chefe para América Latina da Coface, Patrícia Krause. Ela explicou que a inflação deve chegar a 3% nos últimos 12 meses encerrados em junho, fator que favorecerá a continuidade do processo de queda de juros. “A reforma trabalhista deve ser aprovada até a próxima reunião do Copom, o que mostrará que, mesmo com instabilidade política, o Congresso Nacional continua a trabalhar”, disse.

Ancoragem

Desde a publicação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o BC deixou em aberto a possibilidade de cortar os juros em um ponto percentual, avaliou a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour. Conforme ela, se o câmbio se mantiver no patamar de R$ 3,30, é provável que a autoridade monetária não reduza o ritmo de queda da Selic, como indicou na última ata do Copom. “Eu tenho a visão de que os riscos são altos, mesmo com a inflação em queda e as pressões deflacionárias. A incerteza em relação ao rumo dos problemas fiscais é grande. Mas se não houver mudanças de curto prazo, o BC teve reduzir os juros em um ponto”, destacou.
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