Manifestantes fazem ato em frente ao Congresso contra a reforma trabalhista

Com a sessão suspensa, contudo, várias pessoas já deixaram o local, mas prometem voltar no fim da tarde

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postado em 11/07/2017 15:25 / atualizado em 11/07/2017 16:43

Fernando Jordão

 

Um grupo de manifestantes participa, na tarde desta terça-feira (11/7), de um ato no gramado em frente ao Congresso Nacional, contra o projeto da Reforma Trabalhista, cuja votação no plenário do Senado estava prevista também para terça. Como a sessão na Casa foi suspensa, vários participantes do protesto deixaram o local.

 

Policiais acompanham o protesto de longe. Não há nenhum no gramado. Eles se posicionaram em frente ao prédio do Congresso, onde estão um ônibus e duas viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), além de dois carros da Polícia Legislativa.

 

De acordo com o Batalhão de Trânsito (BPTran) da PMDF, não há previsão de interdição do trânsito na Esplanada dos Ministérios. Quatro viaturas da corporação também acompanham a manifestação de longe para verificar a necessidade, ou não, de uma eventual interdição no fluxo de veículos na região.

 

Aldemir Domício, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF) afirmou que os integrantes da central sindical devem voltar à Esplanada por volta das 18h, mas apenas se a sessão for retomada. “Nossa intenção é chamar a atenção dos senadores e levar uma mensagem sobre este projeto [da Reforma Trabalhista]”, afirmou.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), por outro lado, pretende continuar em frente ao Congresso, mesmo com a sessão suspensa. Eles acreditam que o número de participantes deve aumentar no fim da tarde. “De manhã havia 3 mil pessoas aqui em um outro ato. Agora o pessoal saiu um pouco, mas já volta. A sessão está suspensa, mas pode ser retomada a qualquer momento”, justificou Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da CUT Brasília.

 

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“A gente quer mostrar nossa posição contra a reforma, porque ela é o preço que o empresariado está cobrando pelo golpe. Além disso, ela rasga todos os direitos trabalhistas conquistados ao longo dos anos”, completou Rodrigues.

 

Um carro de som está estacionado na Alameda dos Estados, também em frente ao Congresso. Além de tocar músicas — todas nacionais, conforme destacou um dos locutores — ele também informa como está a movimentação de senadores dentro do Congresso. A última informação passada aos manifestantes é que as lideranças partidárias estão reunidas para discutir se a votação da reforma será retomada ou adiada.


Cruzes

Várias cruzes foram instaladas em frente ao Congresso. Cada uma delas representa um direito trabalhista que, na visão dos manifestantes, será “assassinado” pela reforma Trabalhista. Outra cruz — esta, maior — foi trazida pela vice-presidente da CUT Brasília e diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Meg Guimarães, para representar sua categoria. “A gente acredita que essa é uma contrarreforma, porque ela não traz nenhum avanço, só retrocesso. Ela mexe até com direitos que foram conquistados há cem anos”, avaliou.

 

Fernando Jordão
 

 

Meg disse ainda que a suspensão da sessão plenária onde a reforma seria votada é uma “vitória parcial, conquistada com o esforço de alguns senadores”, dentre os quais ela cita como exemplo Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR). Por fim, a diretora do Sinpro critica outros projetos propostos — e alguns já aprovados — pelo governo de Michael Temer, como a Reforma da Previdência, a Lei das Terceirizações e a PEC do Teto de Gastos. 

 

“As duas reformas se complementam. Uma precariza as condições de trabalho, enquanto a outra inviabiliza que essa massa precarizada de trabalhadores tenha acesso a aposentadoria. Tudo faz parte de um desmonte muito grave”, ponderou.

Votação suspensa


A sessão aberta que discute a reforma trabalhista foi suspensa nesta terça-feira (11/7) após confusão entre parlamentares no Senado. O presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), decidiu interromper a discussão do tema após cinco senadoras da oposição ocuparem a Mesa do Plenário, onde fica a cadeira do presidente, e se recusarem a deixar o local. Cerca de cinco minutos depois, as luzes do Plenário foram parcialmente apagadas e os microfones, desligados.

 

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