Ocupação e luzes apagadas: votação teve cenas nunca antes vistas na Casa

Senadoras da oposição ocuparam as principais cadeiras da mesa diretora para protestar contra o projeto; cinco minutos depois, as luzes do plenário foram apagadas

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postado em 12/07/2017 06:00 / atualizado em 12/07/2017 01:20

Somente quase 7 horas após o início da sessão, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), conseguiu retomar a votação da reforma trabalhista no plenário. Os trabalhos foram interrompidos por volta do meio-dia, quando quatro senadoras da oposição ocuparam as principais cadeiras da mesa diretora da Casa para protestar contra o projeto do governo. Gleisi Hoffman (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) impediram que Eunício comandasse os trabalhos. O presidente do Senado decidiu suspender a sessão.
 

Cinco minutos depois, as luzes do plenário foram apagadas. A assessoria de Eunício não informou de quem partiu a ordem, mas, segundo a oposição, ele teria ordenado que as senadoras fossem deixadas no escuro para forçá-las a desistir do protesto. As parlamentares chegaram a almoçar na mesa diretora, enquanto o presidente do Senado recebia a base aliada em seu gabinete para buscar um acordo.

Apenas às 18h10, Eunício retornou ao plenário, mas ainda sem poder ocupar a cadeira de presidente. Com um microfone improvisado, ele avisou que daria 20 minutos às senadoras para que se retirassem da mesa, ou retomaria a sessão de qualquer forma. “É a primeira vez que vejo isso na minha vida. Podíamos ter votado esta matéria na terça-feira passada e eu, num gesto democrático, aceitei um adiamento, para permitir que a oposição fizesse o que quisesse. Mas o entendimento foi quebrado hoje”, disse. “Estou profundamente chocado com o que estou vendo aqui hoje. Não é esta matéria que é importante para mim. Não é o conteúdo, nem o mérito. É o procedimento. É a desmoralização do Senado da República.”

Situação ridícula

A fala provocou reação e gritos no plenário, encabeçados pelo senador Lindbergh Farias (PT/RJ). “Vou reiniciar a sessão e vou fazer o encaminhamento de líderes. A discussão já foi encerrada”, afirmou Eunício. As senadoras ainda resistiram mais alguns minutos e protagonizaram cenas que beiraram o ridículo, com os integrantes da mesa se jogando nas cadeiras a qualquer descuido das ocupantes ilegítimas.

Ainda fora da cadeira de presidente, Eunício Oliveira reiniciou a sessão por volta das 18h30. Porém, não conseguia liberar os microfones para os pronunciamentos dos líderes dos partidos. “Não posso liberar porque não estou no meu lugar”, afirmou, enquanto Gleisi Hoffman ainda ocupava a cadeira da presidência. Em certo momento, Gleisi precisou justificar a posição do partido contra a reforma trabalhista e teve que deixar a cadeira da presidência para ocupar a tribuna. Foi quando as demais senadoras se retiraram, permitindo, finalmente, que Eunício e os demais integrantes da mesa pudessem tomar seus lugares.

Mais cedo, Gleisi havia justificado a atitude dela e das colegas. Ela afirmou que a intenção era ficar na mesa até “decidir a situação” dos destaques do texto. “Ou temos a mudança e a matéria volta para a Câmara e fazemos uma discussão decente ou não vamos deixar votar”, declarou. Segundo ela, a ideia era que, pela manhã, as senadoras falassem contra pontos da reforma, em especial, no que dizia respeito às grávidas e às lactantes. “Abrimos a sessão e começamos a falar. Quando o Eunício chegou, quis interromper. Várias senadoras estavam inscritas. Ele não deixou. Por isso, resistimos na mesa”, explicou Gleisi.

 
Veja o que muda com a reforma:

 
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