Bolsa sobe e dólar cai com voto pró-Temer na Câmara

Ibovespa tem alta de 0,93% e volta ao patamar anterior às denúncias de Joesley Batista contra o presidente. Divisa norte-americana recua para R$ 3,12. Analistas, porém, mostram cautela ao avaliar força do governo para encaminhar as reformas

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postado em 03/08/2017 06:00 / atualizado em 03/08/2017 00:40

O mercado teve uma reação positiva à decisão da Câmara dos Deputados de negar a abertura de processo contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. Apesar disso, analistas financeiros fazem uma avaliação cautelosa sobre a força política do governo para encaminhar a agenda de reformas no Poder Legislativo. De olho na votação, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e o dólar fecharam o dia com resultados positivos. Na bolsa, os investidores se animaram no início da manhã, quando o governo conseguiu atingir o quórum necessário para abrir a sessão. No fim do dia, a bolsa mostrou alta de 0,93%, com o Ibovespa, principal indicador dos negócios, atingindo 67.135 pontos, patamar em que estava antes de virem à tona as acusações de Joesley Batista, dono do grupo JBS, contra o presidente. O dólar registrou queda de 0,19% e fechou cotado a R$ 3,120.

 

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A alta da bolsa e a queda do dólar também tiveram influência externa, lembrou o analista da BullMark Hugo Monteiro. “Não foi apenas o otimismo do mercado interno. O ambiente externo tem feito o dólar cair porque há muita incerteza sobre a política fiscal expansionista do presidente Donald Trump, que poderia fortalecer a moeda norte-americana”, explicou.

O Credit Default Swap (CDS), espécie de seguro usado pelos bancos nos empréstimos a grandes empresas e países, diminuiu 1,42% e foi para 204,4 pontos no caso do Brasil. É o menor patamar desde 16 de maio, na véspera do vazamento do acordo de delação premiada de Joesley Batista.

Juros 

No mercado interno, os juros futuros tiveram queda. A taxa dos contratos com vencimento em janeiro de 2018 caiu 3 pontos-base, para 8,20% ao ano. Os juros das operações com prazo até janeiro de 2021 tiveram queda de 10 pontos-base, para 9,22%. Rogério Storelli, gestor da GGR Investimentos, disse que os juros só têm uma direção: para baixo. “Há novas mínimas todos os dias, muito em função da sinalização do Banco Central de que vai continuar cortando a Taxa Selic. O movimento deve continuar”, disse.

Apesar da melhora nos indicadores de mercado, o fim do embate sobre a denúncia no Congresso Nacional não quer dizer que o governo vai conseguir aprovar com facilidade as medidas necessárias para ajustar as contas públicas e destravar o crescimento da economia. Alguns especialistas acreditam que o Planalto terá dificuldade de dar qualquer demonstração de força neste ano, principalmente na votação da reforma da Previdência Social, que está estagnada na Câmara dos Deputados desde maio.

Segundo Alex Agostini, analista da Austin Rating, o resultado da votação de ontem deve ter sido o “grande e último” esforço do presidente para salvar o mandato. “Não há nenhuma condição de aprovar as reformas. As articulações podem até surtir efeito, mas não para alcançar a aprovação, principalmente a da Previdência. Qualquer reforma para este ano está descartada”, declarou.

Fatiamento

A possibilidade de fatiamento da reforma também é uma solução que fica mais distante, na visão do especialista. O governo poderia aprovar alguns pontos da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 287/2016) que não precisassem de quórum qualificado, mas há uma grande fragilidade do Planalto com a base aliada, que, inclusive, pode ter o desembarque do PSDB depois de o partido  orientar os deputados a votarem contra a denúncia.

“Mudou o contexto. Talvez, se a economia se fortalecer e melhorar a visibilidade do governo, Temer pode pensar numa estratégia para aprovar partes da reforma em 2018, mas, para este ano, é pouco provável”, disse Agostini.

Antes disso, o governo ainda têm assuntos pendentes para resolver. A primeira grande batalha que o governo precisará enfrentar nas próximas semanas é a alteração da meta fiscal. A equipe econômica estabeleceu um deficit de R$ 139 bilhões para 2017 e de R$ 129 bilhões para o ano que vem. O mercado já sabe que, para atingir esses números, seria necessário um esforço político que o Planalto não tem na manga. Como foi antecipado na edição de ontem do Correio, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve bater o martelo sobre as mudanças na próxima semana e a meta deste ano pode ir para um valor entre R$ 150 bilhões e R$ 155 bilhões.

O economista Pedro Coelho Afonso disse que a meta fiscal perdeu a credibilidade no mercado financeiro. “Mudar o deficit previsto não resolve a situação. É apenas uma manobra que, a curto prazo, soluciona os problemas políticos, mas é um ato de empurrar com a barriga. Enquanto não tiver uma mudança que seja definitiva, vamos continuar a correr atrás de uma meta que todos sabem que será alterada”, criticou.


Combustível mais barato

A Petrobras vai reduzir, a partir de hoje, em 1,3% o preço da gasolina e em 1,8% o do diesel. A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira em 30 de junho. Com o novo modelo, a estatal espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar os preços, a Petrobras agora avalia as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na revisão de preços pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.
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