Na busca pela economia, escolha de produtos pela marca fica para trás

Pagar mais barato já levou clientes a deixarem de lado produtos líderes de mercado. A busca põe em xeque também as marcas próprias dos supermercados. Nem sempre eles são a melhor alternativa para fazer o dinheiro render mais

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postado em 05/08/2017 08:00

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press

 

Para o consumidor que pretende economizar nas compras de casa, a aquisição de produtos das marcas mais conhecidas  já deixou de ser uma regra há bastante tempo. No entanto, nem as marcas próprias de supermercados, que constumavam ser mais baratas,  são necessariamente mais vantajosas.



Com a crise econômica e o aperto na renda, o consumidor passou   a buscar os itens com preços mais em conta, independentemente da marca, e a regra, agora, é fazer economia até mesmo em artigos essenciais, como o arroz e o feijão.

Segundo o levantamento feito semanalmente pelo Correio, o feijão da marca Carrefour, por exemplo, era o mais caro da categoria nos últimos dias. Enquanto era possível comprar o item por R$ 3,89, o produzido exclusivamente para a rede era encontrado por R$ 8,57. Desse modo, clientes que costumavam levar os produtos rotulados pelos próprios supermercados já não veem mais vantagem em comprá-los.

Segundo o representante comercial Antônio da Silva Lustosa, 61 anos, a época em que os mercados davam descontos para seus produtos não existe mais. “Eu analiso muito os preços e acabo averiguando as marcas também. Muitos mercados tinham artigos bem mais em conta e valia muito a pena comprar nesses locais. Mas, hoje, isso acabou”, disse. De acordo com ele, o consumidor que tem o hábito de pesquisa percebe que outras marcas se encaixam melhor no bolso do brasileiro. “Eu não compro mais esses produtos porque não vale a pena. Deixar a marca de lado e levar o produto mais barato traz uma boa economia nas contas de casa”, afirmou.

De acordo com especialistas, a troca de um produto mais conceituado por opções mais baratas é uma boa maneira de poupar dinheiro. “Nem sempre o mais barato significa qualidade inferior. Existem produtos semelhantes às de boas marcas que podem ser bem mais acessíveis ”, aconselhou o professor de finanças do Ibmec Marcos Melo.

Durante a semana, produtos como tomate, feijão e banana ficaram mais em conta. Em alguns mercados, é possível encontrar esses itens por valores até 70% mais baratos que na semana anterior. O quilo do tomate, que variava entre R$ 2,89 e R$ 6,98, pode ser comprado hoje por até R$ 1,68. Já o feijão, que não era encontrado por menos de R$ 3,99, esta semana está com valores de até R$ 2,99, uma economia de 30% em alguns estabelecimentos. E a banana, que não custava menos do que R$ 1,79, está até 35% mais barata em alguns locais, podendo ser comprada por R$ 1,68.

Para muitos clientes, os preços ainda estão acima do esperado para o momento de recessão. “Eu venho todo dia para checar os preços dos produtos. Assim, consigo saber quais estão mais baratos. As promoções me ajudam muito nesse momento, e comprar itens que se mantêm com preços baixos está sendo meu método de economia”, contou a dona de casa Valéria da Silva, 36 anos.

Segundo Marcos Melo, vale a pena seguir algumas dicas na hora de ir ao supermercado. Ficar atento à proporção dos itens e fazer o cálculo para saber qual a quantidade mais vantajosa ajuda a poupar dinheiro. “É importante o cliente ver se vale a pena comprar o produto de 500 gramas ou o de um quilo. Às vezes, a diferença pode ser grande quando se faz a conta na ponta do lápis”, afirmou.

Melo alerta, porém, que a compra de produtos em grandes quantidades pode ser uma escolha ruim para quem acha que levar mais significa pagar menos. “O estoque dos artigos não pode passar de dois meses, porque, com as taxas de juros elevadas, o dinheiro que a pessoa gasta comprando o produto para estoque pode render mais em um momento futuro” , observou.



* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo

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