Indústria petroleira americana abalada pelo furacão Harvey

O pior momento ainda é esperado para quarta, ou quinta-feiras, comprometendo a reabertura das refinarias

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postado em 28/08/2017 13:37

Washington, Estados Unidos - O furacão Harvey, que tocou os Estados Unidos na madrugada deste sábado, abalou também, nesta segunda-feira (28/8), a indústria petroleira americana, apesar de o país ter reservas o bastante para limitar o impacto a curtíssimo prazo - estimam especialistas. Com quase um terço das refinarias de petróleo do país, a costa do Texas está sendo devastada desde sexta-feira, atingida pelo furacão mais forte a alcançar o estado desde 1961.

Por precaução, 105 das 717 plataformas de produção petroleira no Golfo do México foram evacuadas, o correspondente a 14,25% das instalações da região, segundo o Escritório de Regulamentação e da Segurança do Meio Ambiente (BSEE, na sigla em inglês). O Golfo do México reúne 20% da produção americana.

Os serviços meteorológicos americanos rebaixaram o Harvey para tempestade tropical ainda no sábado, mas as chuvas intensas e inundações consideradas "catastróficas" pelas autoridades da região continuaram. O pior momento ainda é esperado para quarta, ou quinta-feiras, comprometendo a reabertura das refinarias. "São pelo menos 21,64% da produção atual (de petróleo) do Golfo que foram interrompidos", indicou o BSEE no domingo, com base no balanço dos operadores. Por volta de 25,71% da produção de gás natural também foi afetada.

O gigante petroleiro americano ExxonMobil, que anunciou neste domingo a paralisação das atividades em seu polo petroquímico de Baytown, um dos maiores do mundo, ainda não divulgou os números do impacto do fechamento. "A informação da amplitude dos danos causados à infraestrutura de petróleo e gás está limitada, atualmente", constataram analistas da Goldman Sachs, destacando que "os problemas são mais importantes na refinaria do que na produção".

Segundo estimativas, a capacidade das refinarias foi afetada em cerca de 3 milhões de barris diários, ou seja, 16,5% da capacidade total americana. Novos fechamentos de refinarias podem ser necessários nos próximos dias, dependendo da progressão da tempestade, explica James Williams da WTRG Economics. Por isso, evitar danos maiores é importante.

Inspeção de infraestrutura 
O impacto sobre a produção não é tão grande. As interrupções afetam cerca de 1 milhão de barris diários, por volta de 11% do total produção dos Estados Unidos, segundo os dados dos analistas da Goldman Sachs. "As inundações em curso poderiam ter, entretanto, um impacto mais importante na produção terrestre, na bacia de Eagle Ford", afirmaram. No domingo, o BSEE advertiu que, quando o fenômeno meteorológico acabar, a infraestrutura será inspecionada antes de as refinarias voltarem a operar.

Hoje, a autoridade americana de segurança nas indústrias químicas (CSB) emitiu um boletim de alerta de segurança, pedindo às refinarias petroleiras e petroquímicas grande prudência na retomada das atividades, um processo delicado que pode levar mais tempo do que o previsto. Todas as incertezas fizeram os preços da gasolina dispararem nesta segunda-feira, na plataforma do operador CME. Às 14h30 GMT (11h30, em Brasília), a alta era de 3,06% em comparação com a última sexta-feira (25/8).
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