Associação dos Auditores Fiscais reconhece deficit da Seguridade Social

A Anfip responsabiliza as "políticas macroeconômicas equivocadas" pelo resultado negativo no orçamento da Seguridade, que leva em conta os gastos com aposentadorias, pensões, assistência social e saúde

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postado em 06/09/2017 13:48 / atualizado em 06/09/2017 18:11

Sindilegis/Divulgação
Uma das entidades mais engajadas na luta contra a reforma da Previdência, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) admitiu, nesta quarta-feira (6/9), que as contas da Seguridade Social estão, de fato, no vermelho. Em 2016, as despesas superaram a arrecadação em R$ 57 bilhões, de acordo com a contabilidade da instituição.

A Anfip responsabiliza as “políticas macroeconômicas equivocadas” pelo resultado negativo no orçamento da Seguridade, que leva em conta os gastos com aposentadorias, pensões, assistência social e saúde. Esse foi o argumento apresentado pelo presidente do conselho executivo da entidade, Floriano Martins de Sá Neto, em fórum promovido pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), no Senado Federal.

A trajetória de queda já era observada desde 2013, mas se intensificou no ano passado e resultou no primeiro deficit da história, pelos cálculos da Anfip. O melhor resultado nos últimos 11 anos foi em 2012, quando houve superavit de R$ 82,3 bilhões. Desde então, as contas se deterioram a cada ano.
 

O deficit reconhecido pelos auditores, no entanto, é bem menor que o anunciado pelo governo. De acordo com o balanço feito pelo ministério do Planejamento, o rombo da Seguridade chegou a R$ 258,7 bilhões em 2016, o que equivale a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país no ano.

Os números da Anfip devem ser publicados oficialmente daqui a duas semanas.

Entenda


Desde que o governo enviou a proposta de reforma da Previdência, em dezembro do ano passado, sob o argumento de que as contas não fecham e é preciso atualizar o sistema, a Anfip questiona a metodologia usada pela equipe econômica para chegar a essa conclusão. A entidade afirmou, em diversas ocasiões, que o rombo era gerado porque o governo deixa de contabilizar receitas e acrescenta despesas. Até então, a Anfip defendia que as contas do Orçamento da Seguridade Social poderiam estar no azul, se fossem calculadas de forma diferente.
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