Dyogo Oliveira: "Estamos prestes a não poder pagar a Previdência"

Ministro do Planejamento diz que a reforma do sistema é urgente. Meirelles afirma que proposta deve ser votada até outubro

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postado em 12/09/2017 06:00

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 25/4/17


São Paulo –
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou ontem que a reforma do sistema de aposentadorias é indispensável para o equilíbrio das contas públicas, e que, sem ela, não será possível sequer honrar pagamentos de benefícios em breve. “A gravidade da situação é esta: estamos prestes a não poder pagar a Previdência”, afirmou ele em palestra no 14º Forum de Economia na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. “Não há como manter investimentos com as despesas crescendo R$ 50 bilhões por ano”, completou.

Ele disse que a proposta de emenda constitucional das aposentadorias é prioridade, o que, no momento, impede que se patrocinem mudanças no sistema de impostos, por exemplo. “A reforma mais urgente é a da Previdência. A tributária é o passo seguinte, para revigorar o crescimento”, disse. Para ele, “não há pernas” nem condições operacionais para tocar as duas alterações ao mesmo tempo.

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Ainda sobre a reforma da Previdência, Oliveira ressaltou que o calendário de votação será determinado pelo Congresso. “O máximo que podemos fazer é prestar toda informação, todo apoio de que os parlamentares necessitam.”

O ministro foi questionado sobre a possibilidade de nova alta de tributos, e negou que isso possa ocorrer. “Falar em aumentar imposto na atual conjuntura é inviável”, disse. Oliveira afirmou ainda que o governo fará nesta semana uma revisão de receitas e despesas. A expectativa é de que seja divulgado até o fim do mês o volume de descontigenciamento para evitar a paralisia da máquina pública. Ele destacou que segue com a estimativa de que, para manter o funcionamento dos órgãos federais, é necessária a liberação de algo entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.

Dyogo descartou a suspensão de serviços públicos. “Acreditamos que manteremos o funcionamento regular dos órgãos”, disse, ressaltando que não há possibilidades de aumento de despesas.

O ministro ressaltou que o Brasil está em processo de recuperação e que, mesmo assim, gera empregos, processo que tende a se acelerar quando a recuperação estiver em um estágio mais avançado. 


Expectativa


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou em sua conta no Twitter, que as discussões sobre a reforma da Previdência foram retomadas. “A expectativa é de que a reforma seja votada no Congresso em outubro”, escreveu, repetindo o que havia falado no domingo à imprensa.

Na semana passada, o governo obteve duas importantes vitórias no Congresso Nacional com a aprovação das mudanças nas metas fiscais de 2017 e 2018 e da criação da nova taxa de juros dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a chamada Taxa de Longo Prazo (TLP).

Esses resultados foram recebidos como um sinal de ambiente mais favorável ao governo para votar projetos de seu interesse. Isso se soma à recente reviravolta, com a possibilidade de reversão de benefícios concedidos a executivos da JBS, que implicaram o presidente Michel Temer em suas delações, mas teriam omitido outras informações.

Meirelles também publicou no Twitter que, após a aprovação das mudanças nas regras previdenciárias, o governo vai trabalhar na formulação da reforma tributária.

Nas próximas semanas, o Congresso deve começar a debater o projeto de recuperação judicial, novo item da agenda de estímulo à economia.

Tentativas de fraude crescem no país

 
Os brasileiros sofreram uma tentativa de fraude a cada 16,5 segundos no primeiro semestre deste ano, segundo a Serasa Experian. Ao todo, foram registrados 950.632 tentativas de burlar o consumidor neste período, 7,5% a mais do que no mesmo período de 2016, quando foram constatadas 884.105 tentativas. De acordo com o indicador da Serasa, a alta de 31,2% nos golpes aplicados no setor bancário e financeiro foi responsável por puxar os números de janeiro a junho. Os setores de serviços e telefonia também registraram aumento de 5,8% e 1%, respectivamente. Já o varejo apresentou queda de 9,7% no semestre. Em números absolutos, o segmento de telefonia lidera, com 366.188 tentativas (38,5% do total).
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