Bolsa supera recorde de 2008 com alívio na política e otimismo na economia

A leitura do mercado é que a prisão de Joesley, aliada à saída do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, do cargo no fim desta semana, enfraquece a possibilidade de uma segunda denúncia contra Temer

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postado em 12/09/2017 09:51

Miguel Schincariol
Impulsionada pela prisão do empresário Joesley Batista e pelo consequente cenário favorável ao governo de Michel Temer, a Bolsa atingiu um patamar histórico ontem, com o Ibovespa - seu principal índice - ultrapassando pela primeira vez a casa dos 74 mil pontos. O índice subiu 1,7% e fechou em 74.319 pontos. Até então, o recorde era de 73.516 pontos, registrado em 2008.

A leitura do mercado é que a prisão de Joesley, aliada à saída do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, do cargo no fim desta semana, enfraquece a possibilidade de uma segunda denúncia contra Temer, que poderia ameaçar o governo. Com a permanência de Temer, crescem as expectativas de que a reforma da Previdência sairá este ano. As movimentações na Bolsa não consideravam o relatório da Polícia Federal encaminhado ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que aponta indícios de que Temer cometeu crime de corrupção. 

A colaboração do ex-ministro petista Antonio Palocci com a Lava Jato também alavancou o Ibovespa, segundo o professor de estratégia financeira do Ibmec Paulo Azevedo. "O acordo (do político com a Justiça) reduz as chances de uma candidatura de Lula em 2018, e o mercado financeiro prefere um governo de direita", diz. 

Do lado econômico, a Bolsa se beneficiou dos indícios de que o pior da crise já passou e da queda dos juros - na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic, a taxa básica de juros, a 8,25%. "Os juros mais baixos desviam os investimentos da renda fixa para a variável", diz o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria. 

A diretora da consultoria MB Associados Tereza Fernandez lembra também que, com a redução da Selic, as empresas precisam de um volume de recursos menor para o pagamento dos juros da dívida. Há ainda, segundo os economistas, um fator externo: o mundo continua com grande liquidez e com apetite a risco, já que os países ricos estão pagando taxas de juros baixas. Nos EUA, por exemplo, os juros básicos estão entre 1% e 1,25%. 

As estimativas das consultorias indicam que a Bolsa continuará sua tendência de alta, mas numa velocidade menor. A XP Investimentos projeta um crescimento de 15% - em um cenário base - até o fim de 2018, com o Ibovespa atingindo 85,2 mil pontos. Em sua estimativa mais otimista, a corretora aposta em 90,8 mil pontos, o que significaria uma elevação de 22%. No acumulado deste ano, a expansão foi de 23,5%. 

"Por enquanto, o clima é positivo. Mas talvez isso não vá muito longe. Ano que vem tem eleições e aumenta a volatilidade política", destaca Campos. 

O economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, projeta um Ibovespa de 77 mil pontos até dezembro deste ano. "A Bolsa está claramente em uma tendência primária de alta e não deve mudar tão cedo". Bandeira faz apenas uma ressalva para a possibilidade de o governo falhar com o avanço das reformas. "Se o governo não tocar direito isso, vai ficar complicado."

Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimento, a euforia na Bolsa indica que o mercado não está atento às questões estruturais do País, já que a economia ainda está frágil e a dívida pública é crescente. Perfeito destaca que o crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre se deu sobretudo pelo aumento do consumo das famílias impulsionado pela liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. 

O analista da XP Investimentos Marco Saravalle diz que os investidores estão olhando "a metade cheia do copo", como a privatização da Eletrobrás. "No curto prazo, o mercado vem perdendo o foco com as preocupações." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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