Goiás é o primeiro no ranking nacional de produção de tomate

Distrito Federal tem 383 pequenos produtores, que atendem a 39,5% da demanda local

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Do campo diretamente à mesa, ou como matéria-prima, o tomate é fonte de emprego e renda. Apenas a indústria movimenta R$ 3,2 bilhões anuais. Goiás é o principal produtor do país, com 12,3 mil hectares de área plantada com a variedade específica para processamento. É uma atividade que gera sete empregos diretos por hectare.

Somente uma fazenda, cujos donos preferem que não seja identificada,  a 100km do Distrito Federal, colhe 1.200 toneladas de tomates diariamente. Isso equivale a 60 caminhões do produto, entregues para a indústria no prazo de uma hora, ainda frescos. É um nível de eficiência difícil de encontrar até mesmo em países desenvolvidos.

No Distrito Federal, o cultivo de tomate envolve 383 produtores, a maioria deles de pequeno porte, responsáveis por uma produção de 26.750 toneladas em 2016. Neste ano, entre janeiro e agosto, já são 25.295 toneladas produzidas na capital, de acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).



Na outra ponta, cada vez mais o tomate que chega à mesa do brasiliense é cultivado por aqui mesmo. No ano passado, do total de 21.429 toneladas do produto comercializadas pelas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), 33,18% vieram de produtores da cidade. Neste ano, 39,5% das 14.943 toneladas do produto, já vendidas pela Ceasa nos primeiros oito meses, são de produtores locais.

No Brasil, existem nove tipos de tomates comestíveis. Outras 50 variedades são desenvolvidas no país, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O tipo rasteiro é a principal matéria-prima para a indústria de molhos e derivados. O cultivo desse tipo de tomate, que é utilizado para a produção de extrato, catchup e molhos, ocupa uma área de 17,3 mil hectares, com  um volume de 1,4 milhão de tonelada de tomates processados. Goiás, o maior produtor, tem 12.300 hectares de área plantada apenas para o cultivo da fruta. São Paulo e Minas Gerais concentram o restante da produção nacional, em uma área de três mil e de dois mil hectares, respectivamente.

Ciclo completo


Na propriedade de 1.200 hectares próxima de Brasília, uma das maiores do país, a produtividade chega a 110 toneladas por hectare. A colheita é mecanizada, mas, ainda assim, o processo inclui a contratação de 50 trabalhadores por período de produção. O plantio da fruta é feito de 1º de janeiro a 30 de junho e a primeira safra está pronta a partir do fim de maio. O ciclo, do plantio à colheita, dura cerca de 120 dias.

A produção inclui o cuidado na compra de sementes, com a escolha de híbridos que concentram alto teor de açúcar, boa consistência e firmeza de cor. “A colheita vai rapidamente para a indústria, que processa todo o tomate no mesmo dia”, explica o engenheiro agrônomo Edilson Faganello, gerente agrícola da fazenda.

Produtividade, superioridade e vigor caracterizam o mercado de tomates em Goiás. Somente o que vai para a indústria chegou a 1.198.335 toneladas no ano passado. O estado também produziu outras 49.350 toneladas de tomate para mesa. A liderança tem fortes razões: abundância de terras férteis, clima apropriado e investimentos no fomento da cadeia agrícola, que impulsionaram os avanços das tecnologias manufatureiras, contribuíram para a expansão das plantações. “Chegamos à maior produtividade por hectare do país e a grande lucratividade porque investimos em mão de obra qualificada para cultivo do tomate”, explica o secretário de Estado de Desenvolvimento de Goiás (SED), Francisco Gonzaga Pontes.

As maiores e principais empresas globais do setor de industrialização de tomates têm unidades em Goiás. O ambiente favorável para que o estado se tornasse um  polo na indústria de atomatados incluiu políticas públicas que reforçaram a instalação de processadoras do alimento na região, como incentivo fiscal na industrialização e distribuição do produto. As áreas do plantio, próximas das plantas industriais, e a boa malha viária ajudaram a reduzir tempo e custo logístico.

São 13 indústrias no estado, instaladas nos municípios de Abadiânia, Luziânia, Nerópolis, Vianópolis, Morrinhos, Turvânia, Anápolis, Cristalina, Orizona e Goiânia. A polpa e o produto já processado chegam aos distribuidores com menores gastos para distribuição. “É um tipo de produção que agrega valores e traz um retorno extremamente positivo aos seus produtores, além de impulsionar a geração de emprego e renda onde essas indústrias estão instaladas”, enfatiza Francisco Pontes.

Potencial


O mercado de tomate industrial ainda tem espaço para crescer. Dados da Associação Brasileira da Cadeia Produtiva do Tomate para Processamento (Abratop) indicam que o consumo do brasileiro para produtos processados, a partir de tomate, gira em torno de 3kg per capita. Na Tunísia, o consumo anual, por habitante, é de 75kg. Estados Unidos, Suíça e Bélgica também são grandes consumidores, com uma média de 30kg por habitante. O hábito de consumir tomate nesses países está diretamente relacionado à oferta do produto aliado à preocupação com a saúde,  já que o produto possui licopeno, antioxidante considerado eficaz no combate ao câncer.

No Brasil, a importação e a exportação de polpa de tomate são pontuais, feitas, principalmente, por algumas indústrias do nordeste e sul do Brasil. “Nosso desafio é melhorar a infraestrutura de energia para instalação de novas áreas irrigadas, diminuir os custos fiscal e de transporte para exportação, além de desenvolver uma cultura focada no mercado interno e externo, ampliando os horizontes do comércio de tomate processado”, disse o presidente da Abratop, Rafael Santana.

Renegociação de dívidas
Produtores rurais têm até a próxima sexta-feira para aderir ao Programa de Regularização Rural (PRR) da Receita Federal, também conhecido como Refis rural. Débitos contraídos a partir de 2001 poderão ser refinanciados em até 180 meses, sendo que 176 prestações terão desconto nas multas e nos juros. Devem ser pagos até dezembro 4% do total devido, sem desconto. O contribuinte já inscrito em outros programas não é obrigado a deixá-los, mas tem a opção de concentrar todo o montante devido no PRR.
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