Emprego com carteira assinada tem primeira alta desde maio de 2014

No trimestre encerrado em agosto, 658 mil pessoas conseguiram ocupação

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postado em 30/09/2017 08:00 / atualizado em 30/09/2017 19:38

A taxa de desemprego caiu para 12,6% no trimestre que vai de junho a agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada ontem pelo IBGE. Em relação ao período imediatamente anterior, quando a desocupação atingia 13,3% da força de trabalho, houve uma queda de 0,7 ponto percentual no indicador. E, pela primeira vez em 13 trimestres, desde maio de 2014, o número de empregados com carteira assinada aumentou.


Embora ainda existam 13,11 milhões de trabalhadores à procura de uma vaga, o recuo na taxa de desemprego significou a saída de 658 mil pessoas nas filas de desempregados. Segundo analistas, a tendência é que o mercado de trabalho continue melhorando, ainda que lentamente. O economista Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), estima que a taxa de desocupação tenha caído para 12,3% no fim de setembro e prevê um índice de 12% no fim do ano.

Apesar da melhora do mercado formal, os dados do IBGE mostram ainda que, no trimestre encerrado em agosto, a geração de postos informais continuou puxando o aumento da população ocupada, estimada em 91,06 milhões de pessoas. Em relação ao período acumulado entre março e maio, o contingente de trabalhadores exercendo alguma atividade laboral subiu 1,5%, segundo a Pnad. Foi o melhor resultado na série histórica do indicador.

Em números absolutos, o crescimento na ocupação significou a geração de 1,37 milhão de postos de trabalho no trimestre. Desse total, 55,2% vieram da informalidade. Essa parcela é referente à criação de 286 mil postos sem carteira de trabalho assinada, e a uma inserção de 472 mil novos trabalhadores exercendo atividades por conta própria.

No entanto, embora a informalidade tenha tido impacto decisivo para a melhora da ocupação, a boa surpresa foi que a população de trabalhadores com carteira assinada também subiu, atingindo 33,41 milhões de pessoas. Em relação ao período de março a maio, o número de formais cresceu 0,5%.

Recuperação

Nos últimos três meses, foram criados 153 mil postos formais, segundo o IBGE, como o conseguido pelo atendente de lanchonete Antônio Webson, 21 anos, que foi contratado em agosto. Ao contrário de muitos brasileiros que estão há muito tempo sem emprego, ele teve a sorte de arranjar o trabalho em apenas dois meses, desde que chegou a Brasília, vindo do Maranhão, e não esconde o contentamento: “Já consigo pagar minhas contas sozinho”, comemorou.

Ainda que incipiente, a melhora na formalidade é um importante sinal de reação da economia, avalia o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Ele adverte, no entanto, que os trabalhos informais tendem a continuar puxando com mais força a melhora do mercado de trabalho como um todo.

“Isso é algo que se observa toda vez que começa um processo de recuperação após uma crise. Aconteceu em 2008 e em 2003. Em todas as crises, o retorno de geração de vagas se dá através de empregos não registrados”, destacou. Afinal, contratar mão de obra, ainda que sob essas condições, é um indicativo de que as empresas estão ajustando o número de trabalhadores a uma gradual melhora da demanda.

Ter a renda própria é o que motivou Andressa Cristina da Silva, 18, a procurar emprego. Sem encontrar oportunidades no mercado formal, conseguiu uma vaga como entregadora de panfletos. Apesar de não ter a carteira de trabalho assinada, ela se sente satisfeita com o serviço. “Ganho R$ 2 mil. É um bom salário para alguém da minha idade”, justificou.

Bruno Ottoni, do Ibre-FGV, prevê que o emprego com carteira assinada continue subindo, mas continuarão sendo os informais os principais destaques na desaceleração da desocupação. “A situação ainda está ruim e as pessoas precisam de renda. Quando o cenário melhorar, elas vão migrar da informalidade para a formalidade”, destacou.

* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo
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Carlos
Carlos - 30 de Setembro às 16:20
So Brasil mesmo contabilizar redução do desemprego com tocador de flauta de onibus e malabares de sinal de trânsito.