Disputa pela Oi põe plano de recuperação da empresa em risco

Agências que assessoram detentores internacionais de títulos da dívida da operadora alegam que a nova versão do proposta de recuperação judicial, protocolado esta semana e com votação em 23 de outubro, favorece mais os acionistas dos que os credores

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postado em 14/10/2017 08:00

REUTERS/Nacho Doce

 

A nova versão do plano de recuperação judicial da Oi, protocolado esta semana na Justiça, intensificou a disputa entre os credores e os acionistas da empresa. Agências que representam detentores de títulos da dívida (bondholderes) da operadora, não satisfeitos com o modelo proposto para reestruturação da companhia, alegam que os termos favorecem mais a um grupo minoritário de acionistas do que aos grandes credores. Com isso, o plano corre o risco de ser derrotado na votação da assembleia geral, marcada para 23 de outubro.



O embate entre acionistas e credores foi antecipado pelo presidente da Oi, Marco Schroeder, que chegou a afirmar, antes da empresa protocolar o novo plano, que a discussão maior acabaria sendo para “ver quem vai ficar com quanto da Oi” depois da reestruturação. Assessorados pelas agências G5 Evercore e Moelis & Company, bondholders, detentores de mais de R$ 20 bilhões em títulos emitidos no exterior, enviaram cartas a ministros envolvidos nas negociações, apresentando críticas aos novos termos.

Indicado ao Conselho de Administração da Oi por Nelson Tanure, acionista com 5% da empresa por meio do fundo Société Mondiale, o ex-ministro de Comunicações Helio Costa afirmou ontem que o grupo não está preocupado com as cartas. “Hoje (ontem) pela manhã, nós recebemos o apoio do Banco de Desenvolvimento Chinês (CDB) que detém R$ 1 bilhão em títulos, apoiando o plano”, disse.

Costa disse que o grupo de Tanure está fazendo acordos com os bondholders. “A Oi sempre se propôs a conversar com os representantes, por isso é muito injusto quando alguém diz que os acionistas vão levar vantagem”, lamentou. Segundo Costa, o plano atual reduz a participação dos acionistas e deixa as portas abertas para uma diluição ainda maior.

A versão mais recente sugere a capitalização de, no mínimo, R$ 6 bilhões em dinheiro novo, sendo R$ 3,5 bilhões provenientes dos bondholders. Os acionistas entrarão com o valor restante de R$ 2,5 bilhões, antecipando R$ 1 bilhão para o pagamento de despesas previstas nos “contratos de apoio” dos credores internacionais para aprovação do plano. Além disso, poderá contemplar mais R$ 3 bilhões caso debêntures conversíveis previstas no plano sejam convertidas em capital.

“Os acionistas estão bancando a Oi. No plano, há capitalização de R$ 3,5 bilhões dos bondholders, que prevê uma perda inicial, mas abre a possibilidade de a empresa se reestruturar e eles recuperarem o dinheiro lá na frente”, destacou Costa. “Tem investidor que comprou ações há 10 anos, pagando até R$ 140 por papel, uma média de R$ 100. Depois disso, há quem tenha comprado a R$ 0,80. Essa diferença tem que ser avaliada”, ressaltou.

Tratativas


Costa argumentou que os acionistas estão em tratativas com todos os credores da Oi. “Cinquenta mil têm dívidas pequenas de até R$ 50 mil e estão sendo pagos. Os maiores são a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e os bancos”, enumerou. O ex-ministro lembrou que a Oi tem uma carga de obrigações que nenhuma outra tele tem. “A empresa tem responsabilidade sobre 2 milhões de orelhões. A maioria das multas é relativa a isso”, disse.

Principal articulador da reunião entre os conselheiros e o presidente Michel Temer, que resultou na criação de um grupo de trabalho, Costa destacou que o governo se sensibilizou para ajudar. “Mostramos que a Oi é estratégica para o país. Paga R$ 16 bilhões por ano em impostos.” Procuradas, G5 Evercore e Moelis & Company não responderam.

 

 

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