Complexo Eólico é inaugurado dois anos depois de pronto

Atraso na entrega das linhas de transmissão pela Chesf postergou a entrada em operação de parques eólicos da Voltalia e da Copel em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte

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postado em 19/10/2017 16:08 / atualizado em 19/10/2017 18:21

Simone Kafruni/Esp. CB/D.A Press


São Miguel do Gostoso - Dois anos depois de apto a operar, o Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso (SMG), no Rio Grande do Norte, será inaugurado nesta quinta-feira (19/10), às 15h30, horário local. Uma sociedade da Voltalia Energia do Brasil (51%) e da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (49%), o complexo tem 108 MW de capacidade instalada, com 36 aerogeradores de 120 metros de altura e 3MW de potência cada espalhados em quatro parques, três em SMG e um no município vizinho, Touros. O investimento total foi de R$ 500 milhões.

Apto a operar desde junho de 2015, o complexo só gerou energia a partir de junho deste ano porque a Chesf, subsidiária da Eletrobras, responsável pelas obras de transmissão da energia, atrasou a entrega dos linhões. E quando o fez, ainda entregou um equipamento que não permitirá a expansão da geração eólica da região em toda sua potencialidade. Apenas o Complexo SMG e outro parque da Copel no local têm capacidade instalada de gerar 408 MW juntos. Os cabos da linha de transmissão só suportam até 600 MW.

Para o especialista em infraestrutura da LVA, Rodrigo Leite, por conta desses atrasos que custaram caro aos consumidores brasileiros, o governo agora adotou a prática de não permitir licitar empreendimentos onde não exista, ao menos, a parte mais complexa da linha transmissão. “Como tudo no setor elétrico, foi um fator remediador e não planejador. No passado, o modelo foi desenhado para ter planejamento, considerando toda a expansão possível. No entanto, no dia a dia, o que se vê é um setor reativo, que apaga incêndios, para remediar problemas, como esse caso no Nordeste”, diz.

Como a empresa estava apta a operar, o governo teve que pagar por uma energia que não estava sendo gerada porque não tinha como ser injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN). “Saiu do bolso do consumidor porque a energia foi gerada nas térmicas, mais caras, e houve aumento de tarifa e de encargos. A falta de planejamento do setor elétrico sai caro para todo mundo”, alerta Leite.

Cerimônia


Apesar do atraso, a Voltalia e a Copel comemoram nesta quinta-feira a inauguração oficial do empreendimento, em uma cerimônia dentro do complexo. Em plena safra dos ventos, que são mais fortes na região entre agosto e novembro, o complexo gerou em média 92MW durante a manhã, sendo que quatro aerogeradores estavam parados. Conforme o gerente do parque de SMG, Humberto Ramos, se todas as máquinas estivessem operando, possivelmente o complexo ultrapassaria os 108 MW de capacidade nesta quinta-feira.

Contudo, ele explicou que nem sempre fortes ventos são o ideal. “Para um parque eólico, o melhor são ventos constantes, numa velocidade entre 9 e 15 metros por segundo”, diz. Quando as rajadas são muito fortes provocam a reorientação das pás dos aerogeradores, o que paralisa o equipamento.

A Voltalia é uma companhia internacional produtora de energia elétrica a partir de fontes renováveis (eólica, solar, hidroelétrica e biomassa) que presta serviços a clientes terceirizados. A empresa está presente em 16 países, com 501 megawatts (MW) de capacidade instalada e 31MW em construção. A maior parte está no Brasil, onde a companhia investiu R$ 2,5 bilhões em cinco complexos eólicos, todos no Rio Grande do Norte, e em um projeto híbrido (térmica, solar e pequena central hidrelétrica) no Oiapoque, que, juntos, somam 429,39 MW de capacidade instalada.

*Repórter viajou a convite da Voltalia
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