Produção brasileira de banana atinge R$ 14 bilhões por ano

Com irrigação, cresce em cidades do sertão nordestino, como Bom Jesus da Lapa (BA). DF se destaca pela qualidade

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postado em 23/10/2017 06:00 / atualizado em 23/10/2017 16:54

Ed Alves/CB/D.A Press


Com uma produção anual de sete milhões de toneladas, a safra brasileira da banana é a quarta do mundo, mas o país já está no topo do pódio do consumo global. A fruta rendeu R$ 14 bilhões, no ano passado, favorecendo cada vez mais municípios do semiárido nordestino beneficiados por projetos de irrigação. E o Distrito Federal também se destaca, suprindo cada vez mais o mercado interno com produto fresco e até mesmo chegando a algumas regiões vizinhas.


O agricultor Henrique Bernardes das Graças não tem do que se queixar. Em pouco mais de duas décadas, ele viu a sua propriedade, no núcleo rural de Pipiripau, em Planaltina, passar de 1,5 hectare para 22,5 hectares. Aos poucos, as leguminosas e hortaliças cultivadas inicialmente na área deram lugar às bananeiras. As entregas semanais de uma grande variedade de verduras também foram ficando cada vez mais raras. Em pouco tempo, a banana foi ocupando todos os espaços — do cultivo e comercialização da fruta até a produção de mudas, vendidas a R$ 2,50 cada.

Hoje, Henrique Bernardes é o maior produtor de bananas do Distrito Federal. A plantação da fruta já ocupa 19 dos 22,5 hectares da propriedade. No local, são colhidas até 700 caixas de bananas por semana, vendidas regularmente no perímetro que vai de Sobradinho a Formosa (GO).

O produtor tem 40 clientes fixos, distribuídos por mercados, mercearias, sacolões e feiras, onde a mercadoria é entregue duas vezes por semana. Já o excedente da produção é comercializada nas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa/DF). “Depois que passei a plantar banana, minha vida mudou para melhor. Entre todas as frutas, a banana é a mais consumida”, analisa o produtor.

O sucesso do empreendimento do produtor do DF pode ser medido pela qualidade da fruta que consegue entregar diretamente aos comerciantes e pela regularidade das entregas. De acordo com Henrique, o rigor e a pontualidade na distribuição da fruta podem ser creditados à proximidade entre a chácara e os estabelecimentos comerciais que atende. Além disso, não existem atravessadores entre o produtor e o comerciante. “O mercado é o ponto-chave do negócio. Percorro uns 120 quilômetros para entregar toda a produção”, explica Henrique.

“As frutas do DF chegam às bancas com qualidade melhor porque os produtos que vêm de fora rodam, no mínimo, uns 500 quilômetros até Brasília”, explica Geraldo Magela Gontijo, gerente no núcleo rural de Pipiripau do escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

Ed Alves/CB/D.A Press



Segundo Magela, a produção de bananas no DF é pequena e de qualidade. São 170 hectares de área cultivada na capital, a maior parte, por pequenos produtores. Além das condições favoráveis à comercialização, o DF reúne boas condições climáticas para o cultivo da fruta.

São Francisco

Bom Jesus da Lapa, na região oeste da Bahia, é o maior produtor de bananas no Brasil. No ano passado, o município colheu 160 mil toneladas, o que representa um aumento de 23% em relação a 2015. A produção global chegou a 106,5 milhões de toneladas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A produtividade e a qualidade da safra de Bom Jesus da Lapa podem ser em grande parte creditadas ao projeto público de irrigação Formoso, realizado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A iniciativa tem como objetivo o desenvolvimento da região semiárida nordestina, principalmente com fruticultura. Bom Jesus da Lapa sedia um dos polos de desenvolvimento, com o Perímetro Irrigado do Formoso.

Em 2016, o valor bruto da produção totalizou 285 milhões, um aumento de 58% com relação ao ano anterior, de R$ 179 milhões. O montante equivale à produção de todas as culturas do projeto, incluindo também laranja e goiaba. Mas somente a banana representa 92% de toda a área colhida, de 8,5 mil hectares em 2016. Dados da Codevasf indicam também que o projeto Formoso foi responsável pela produção de 189 mil toneladas de itens agrícolas, principalmente frutas.

O projeto Formoso é responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Bom Jesus da Lapa. O projeto é uma das principais fontes de renda e empregos do município, de pouco mais de 63 mil habitantes. A Codevasf estima a geração de 21.694 postos de trabalho com o desenvolvimento do projeto, sendo 8.678 empregos diretos e de 13.016 empregos indiretos. Somente os embaladores, uma das atividades que mais demandam empregos no projeto, recebem três salários-mínimos, em média.

Transformação

O impacto social do projeto Formoso no Bom Jesus da Lapa é significativo. Vinculado anteriormente ao turismo religioso, o município agora vive uma nova realidade econômica, inclusive com a geração de impostos por meio da produção agrícola. Atualmente, a produção cobre 75% dos 12.100 hectares encampados. “O projeto é exemplo de uma iniciativa de êxito para o desenvolvimento regional, fixando o homem no campo, gerando renda, trazendo maior produtividade e aumentando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)”, disse a gerente de Apoio à Produção da Codevasf, Andrea Raquel Ramos Cruz Souza.

A Codevasf realiza nove projetos irrigados no Médio São Francisco baiano, com a participação de 2,4 mil produtores familiares. A região abrange uma área de 350 quilômetros quadrados, 88 municípios e dois milhões de pessoas. Até o mês de setembro de 2017, o Governo Federal investiu R$ 248 milhões de reais no projeto Formoso, segundo o Sistema de Correção de Investimentos da Codevasf.
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