Pecuaristas e frigoríficos comemoram retomada de exportação de carne

A Carne Fraca provocou um declínio de 25% nas exportações brasileiras de carne, em março e abril

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As restrições anunciadas pela Rússia às importações de carne de seis frigoríficos do Brasil, no fim de semana, ocorreram no momento em que o setor começa a consolidar um processo de recuperação, após passar pela maior crise de sua história, com a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que colocou em dúvida o sistema de inspeção sanitária do governo. Embora o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tenha avaliado que as recentes medidas russas não têm gravidade, elas preocupam representantes da cadeia de produção.

 

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A Carne Fraca provocou um declínio de 25% nas exportações brasileiras de carne, em março e abril. Hoje, o setor respira aliviado. Em setembro, as vendas de carne bovina ao exterior somaram US$ 557 milhões, alta de 17,46% sobre o faturado em igual período do ano passado. No mês, foram embarcados 135.562 toneladas.

Os dados revelam que o Brasil superou os prejuízos causados pela repercussão negativa dos problemas encontrados pelas autoridades em frigoríficos nacionais, que levaram diversos países a suspender as compras do Brasil. Passada a fase ruim, o setor deve terminar o ano com um faturamento de US$ 5,7 bilhões, apenas US$ 4 milhões a mais do que o registrado em 2016, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Inspeção reforçada

O Brasil exporta carne bovina para 93 países. O comércio já está normalizado com 33 nações. Outras 56 ainda mantêm um sistema de inspeção reforçada ao produto brasileiro. Apenas três países continuam com o comércio inteiramente fechado — Benin, San Vicente e Granadinas, e Zimbabue, mas eles têm pouca representatividade no conjunto de importadores, segundo a ABIEC. A entidade reúne 31 empresas do setor no país, responsáveis por 90% da carne negociada em mercados internacionais.

O principal importador da carne bovina brasileira é Hong Kong, responsável pela compra de 32.786 toneladas em setembro, 57% a mais do que em setembro do ano passado. O Egito, segundo maior importador, comprou 21.194 toneladas, o que representou um aumento de 5,34% em relação ao mesmo período de 2016. As exportações para a China tiveram alta de 10,98%, com a venda de 17.502 toneladas.

De janeiro a setembro, as exportações alcançaram 1,06 milhão de toneladas, 1,84% a mais do que nos nove primeiros meses de 2016. O faturamento acumulado no ano é de US$ 4,3 bilhões, 6,61% maior que o do mesmo período do ano passado. A carne in natura se manteve como a categoria mais exportada em setembro, com o embarque de 111.933 toneladas, que geraram faturamento de US$ 471 milhões, crescimento de 21,25% na variação anual.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços indicam que em março, mês em que foi realizada a Operação Carne Fraca, o Brasil exportou 98,2 mil toneladas do produto in natura, um volume 11,3% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. Em abril, as vendas caíram ainda mais — 18%, para 88.947 toneladas.
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