Investidores questionam Petrobras sobre gastos com consultoria

Em teleconferência, analistas consideram caixa da estatal elevado demais. Diretoria explica que prevê volatilidade com o calendário eleitoral de 2018

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postado em 14/11/2017 11:45 / atualizado em 14/11/2017 12:36

Yasuyoshi Chiba / AFP


Um dia após apresentar os resultados do terceiro trimestre e do acumulado em nove meses de 2017 da Petrobras, a diretoria da estatal reapresentou, nesta terça-feira (14/11), os números para analistas e investidores. Em teleconferência, os diretores da petroleira foram questionados sobre gastos elevados, caixa acima da média de mercado e custos operacionais. A empresa anunciou lucro líquido de R$ 5 bilhões em nove meses e ganhos de R$ 266 milhões no terceiro trimestre de 2017, abaixo do esperado pelo mercado.
 
 
Indagado por analistas do Credit Suisse, o diretor executivo de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da Petrobras, Nelson Luiz Costa Silva, reconheceu que houve acúmulo de pagamento “relativamente alto” para consultoria no período, mas não explicou por quê.
 
O analista do UBS Luiz Carvalho questionou a companhia sobre pagamento de dividendos, já que, com uma possível oferta inicial de ações (IPO, na sigla inglês) da BR Distribuidora e com lucros de R$ 5 bilhões, a companhia trabalha com nível de caixa “bem mais alto do que o necessário, em relação aos níveis anteriores da própria empresa e do mercado”.
 
O diretor de Relações com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou que a empresa não tem nenhuma expectativa de desembolsos “mais significativos”. “O nível de caixa é conservador pelo conjunto de contingências que a companhia ainda tem. E foi fundamental para a melhoria dos ratings (notas de crédito) da empresa pelas agências de classificação. Além disso, o calendário eleitoral de 2018 traz volatilidade ao mercado”, explicou Monteiro.
 
Sobre a cessão onerosa (disputa entre governo e Petrobras sobre um volume excedente de 5 bilhões de barris de petróleo), Carvalho, do UBS, afirmou que o governo diz “ter senso de urgência para resolver a questão até o fim do ano e executar um leilão do excedente em 2018”. Solange Guedes, diretora de Exploração e Produção da estatal, disse que foi formalizada uma comissão interna dentro da companhia para discussão da cessão onerosa. “Reconhecemos a existência de volumes excedentes, o que é motivador para as discussões. Temos todo o interesse de resolver essa questão”, afirmou, sem dar mais detalhes.
 
Solange ressaltou que o custo de extração do pré-sal permanece em linha, assim como a produção, com os mesmos valores do período anterior. “Houve apenas o efeito câmbio. O nosso custo é US$ 10,30, um acréscimo de 5% na comparação com o trimestre anterior, mas somente como reflexo da variação cambial”, assinalou.
 
O diretor Ivan Monteiro destacou que a Petrobras deve desembolsar o pagamento de bônus de assinatura das áreas arrematadas nos últimos leilões de petróleo ainda este ano. “O pagamento será em dezembro”, disse.
 
Questionado por analistas do HSBC sobre margens e ambientes de importação e distribuição, o diretor de Refino e Gás Natural da petroleira, Jorge Celestino, explicou que existe “um profundo aprendizado e aumento de eficiência, logística e capacidade”. “Estamos melhorado as nossas operações porque o mercado ficou mais competitivo. Há maior competição e mais eficiência nas operações”, resumiu.
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