Investimentos crescem e PIB mostra alta pelo terceiro trimestre seguido

Analistas preveem elevação de 0,3% ou 0,4% na produção nacional de julho a setembro. Taxa de investimento, que vinha caindo de forma quase ininterrupta desde o fim de 2013, também deve crescer. Dados serão divulgados hoje pelo IBGE

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postado em 01/12/2017 06:00 / atualizado em 30/11/2017 23:53

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve vir positivo pela terceira vez no ano, conforme estimativas de especialistas. A previsão é de alta entre 0,3% e 0,4% em comparação aos três meses anteriores. No entanto, os analistas demonstram cautela para afirmar que a retomada da economia é sólida e reconhecem que, apesar de o quadro econômico ter parado de piorar desde o início do ano, as incertezas ainda podem afetar negativamente as projeções futuras. A possibilidade de a reforma da Previdência não acontecer neste ano, mesmo em versão mais enxuta que a inicial, é vista como fator de instabilidade para a recuperação ao longo do próximo ano.


O PIB cresceu 1% e 0,2%, respectivamente, nas variações trimestrais da primeira metade de 2017, conforme os dados do IBGE, que deverá, entretanto, apresentar revisões dos resultados das contas nacionais desde 2015. Especialistas lembram que a agricultura, que contribuiu fortemente para o desempenho positivo de janeiro a junho, deve registrar queda no período de julho a setembro. Já os investimentos, que vinham registrando quedas consecutivas desde o quarto trimestre de 2013, com uma pequena elevação (de 0,4%) no final de 2016, devem voltar a registrar crescimento.

Pelas estimativas da economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBPC), principal medida dos investimentos, deverá registrar alta de 0,7% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores. A previsão para  a agricultura é de recuo de 2% na mesma base de comparação. “A queda do setor agrícola deve ocorrer devido ao período de entressafra. Mas a concentração maior do crescimento se deu no primeiro trimestre e acabou surpreendendo pelo lado positivo. Não devemos esquecer de que a taxa de investimento continuará baixa, devendo encerrar o ano em 15,9% do PIB”, explicou. Alessandra elevou de 0,2% para 0,4% a previsão de alta do PIB no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior. É a mesma taxa estimada pelo economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

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“No qualitativo, o PIB continuará crescendo no terceiro trimestre, mas com o setor agrícola agora puxando para baixo. E, se descontarmos das contas nacionais o desempenho da agricultura, veremos uma trajetória de recuperação bastante moderada, considerando o padrão histórico de recuperação após uma recessão”, destacou o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores. Ele prevê variação de 0,3% no PIB do terceiro trimestre. Borges lembrou que os investimentos ainda devem demorar para recuperar a queda acumulada desde 2013, e evitou fazer projeções. “Vamos aguardar os dados revisados do IBGE que serão incorporados à série histórica para fazermos nossas revisões”, disse.

Otimismo

A mediana das estimativas do mercado para o PIB, computada pelo boletim Focus, do Banco Central, prevê alta de 0,73%, em 2017, e de 2,58% em 2018. Por enquanto, Alessandra mantém a projeção de 0,7% de expansão na economia neste ano, e, de 2,8% , para 2018. Segundo ela, é possível que as previsões do próximo ano piorem diante da possibilidade de o governo não conseguir aprovar a reforma da Previdência neste ano.

Mais otimista, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, projeta 3% de alta para o PIB em 2018. “Os resultados virão mais fortes e diversificados”, disse ele, lembrando que, depois da impressão de que a recuperação estava concentrada na agricultura, no primeiro trimestre, e impulsionada pelos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no segundo trimestre, “ficará claro que a recuperação é mais consistente”. “O cenário é realista e a recuperação de 3% no ano que vem é muito factível”, afirmou.
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