Com juros mais baixos, famílias renovam estoque de eletrodomésticos

Em setembro, vendas desses produtos cresceram 18,5% em relação ao mesmo período do ano passado

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postado em 03/12/2017 08:00

Minervino Junior/CB/D.A Press


Os brasileiros estão aproveitando a melhora das condições econômicas para renovar os equipamentos domésticos. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram aumento de 1,2% do consumo familiar no terceiro trimestre, apesar do crescimento modesto de 0,1% do PIB. Não sem motivo. A Pesquisa Mensal de Consumo (PMC), também do BGE, mostra que, em setembro, as vendas de eletrodomésticos cresceram 18,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. A coordenadora da pesquisa, Isabella Nunes, afirma que a redução das taxas de juros, a maior facilidade de crédito, o aumento da renda e a queda da inflação vêm impulsionando a compra desses produtos.

 

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Eletrodomésticos são bens duráveis, ou seja, não precisam ser repostos com rapidez. Dessa forma, segundo Isabella, as pessoas são mais estimuladas a comprar ou trocar esses bens nos momentos de maior estabilidade econômica. “Em épocas de crise, você reduz o consumo do que tem menos necessidade, e 2016 foi um ano bastante sofrido para a economia como um todo”, explica. “No ano passado, os juros estavam mais altos e a massa (de renda) era negativa. Não tinha rendimento disponível para que as famílias pudessem consumir eletrodomésticos”, acrescenta.

Outro motivo para o aumento expressivo da venda dos eletrodomésticos foi a liberação dos saldos de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que permitiu que boa parte dos consumidores quitassem dívidas. Dessa forma, os trabalhadores ficaram aptos para assumir novos compromissos, como compras a prestação. “Há um estímulo para aquelas atividades que têm uma demanda reprimida. As pessoas estavam evitando comprar o que não era necessário. A partir do momento em que a situação melhora, as famílias podem voltar a consumir”, acrescenta Isabella.

Negociações

O gerente regional no Distrito Federal e em Tocantins das lojas Ponto Frio e Casas Bahia, Edson Guedes, afirma que a expectativa é de que o mercado para eletrodomésticos melhore ainda mais. Segundo ele, “as notícias estão bem favoráveis para o mercado, e o consumidor entende isso”. Além disso, ele lembra que as festas de fim de ano e as liquidações de janeiro costumam aumentar ainda mais as vendas desses produtos. “A nossa expectativa é de que o mercado continue aquecido”, diz.

Guedes também aponta a maior facilidade nas compras com crédito e a redução dos juros como fatores determinantes para o crescimento do consumo. “As taxas vêm melhorando. As facilidades no cartão, também”, afirma. E acrescenta que as vendas on-line têm tido desempenho positivo.

Para o diretor administrativo do Sindicato dos Varejistas do Distrito Federal, Sebastião Abrita, a situação favorável para o comércio de eletrodomésticos permitiu aos varejistas fazer melhores negociações com os fabricantes. “Eles (os varejistas) estão aproveitando para negociar um volume maior com a indústria, obtendo descontos que são repassados ao consumidor”, explica.

A melhora das condições econômicas repercutiu na vida de Marcelina Paulino da Silva, 42 anos. A agente de serviços gerais mudou-se há pouco tempo para o Riacho Fundo II. Embora já tivesse adquirido o imóvel há um bom tempo, Marcelina só se instalou na nova moradia depois de terminar uma reforma. Por isso, ela aproveitou o tempo da obra para comprar a mobília e os eletrodomésticos. “A gente foi economizando e, como a previsão de receber a casa era mais para o futuro, deixamos para comprar os eletrodomésticos mais perto da mudança”, conta.

Marcelina comprou dois televisores, uma coifa, um fogão elétrico e dois climatizadores, mas não quis fazer prestações. Para ela, comprar à vista é a melhor opção, já que o preço do produto pode diminuir e, além disso, não deixa dívidas. “É melhor, e não fica mais uma conta para pagar no fim do mês”, afirma. Ela acredita já ter gastado demais com eletrodomésticos e diz não ter planos para comprar mais neste Natal.

Oportunidade

O caso da administradora Natália Cavalcanti Galvão, 42, foi diferente. Ela não tinha a intenção de adquirir nenhum eletrodoméstico nos últimos meses, porém, caminhando pelo hipermercado enquanto fazia as compras do mês, deparou-se com um “air fry” e não teve dúvida. “Vi que era um bom preço e aproveitei a oportunidade”, explica. Ela também optou por fazer a compra à vista e declarou que não tem pretensão de adquirir outros eletrodomésticos no fim do ano.

A artesã Vanessa Wetzel, 47, tinha uma sanduicheira pequena que servia para fazer lanches. Como seus familiares gostam de comidas grelhadas, ela decidiu comprar um grill maior. “Agora, aproveito para cozinhar peixe, carnes e outras coisas, além de fazer sanduíches”, ressalta. Além de estar sempre por dentro das promoções, Vanessa faz pesquisas a respeito dos produtos por meio do You Tube. O motivo para todo esse empenho, segundo ela, é que, como todos os integrantes da família são responsáveis por arrumar, limpar e cuidar da casa, ela está se equipando com eletrodomésticos para facilitar a execução dessas tarefas. “ Pesquiso o que vai me ajudar no dia a dia e compro”, diz. Vanessa não pretende comprar eletrodomésticos no Natal, mas lembra que está sempre por dentro do assunto e, quando surge uma oportunidade, aproveita e compra.

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

 

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