Estácio confirma demissão de 1,2 mil professores em todo o país

Um mês após entrar em vigor, as novas regras trabalhistas atingem o segundo maior grupo de ensino superior do país

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postado em 06/12/2017 12:59 / atualizado em 07/12/2017 11:26

Estácio/Divulgação


A Estácio de Sá confirmou a demissão de 1,2 mil professores do seu quadro de 10 mil docentes neste mês. A justificativa da empresa para as demissões seria o fato de que a hora-aula de vários professores do grupo estaria acima dos preços praticados pelo mercado. “Muitos professores estavam sem titulação e ganhando mais que professores com doutorado, por isso a Estácio resolveu reorganizar o quadro de funcionários”, explicou a instituição através da assessoria de imprensa. A Estácio é a segunda maior rede de ensino superior do País.


As demissões acontecem um mês após as novas regras trabalhistas entrarem em vigor e pegou de surpresa os docentes, que não devem ser recontratados, já que a empresa também divulgou o lançamento de um cadastro eserva de docentes para atender os próximos semestres. “Todos os profissionais que vierem a integrar o quadro da Estácio serão contratados pelo regime CLT”, informou a instituição, rebatendo as acusações de que recontrataria o corpo docente com salários mais baixos.

 

De acordo com a nova legislação trabalhista, até dezembro de 2020, funcionários demitidos não podem ser recontratados pela mesma empresa sob contrato intermitente por período de ao menos 18 meses. 

A professora de história e pedagogia, Yara Kassab, de 61 anos, recebeu com tristeza a notícia de que estava demitida, na terça-feira (5/12). “Cheguei para aplicar prova normalmente, quando fui bater o ponto, uma funcionária da sala dos professores não deixou. De lá fui direto para uma sala assinar os papéis da demissão”, conta a professora, que confirma que não houve aviso prévio e nem negociação com o corpo docente.

 

 

Yara é uma professora experiente e esteve nas salas de aula de diversos cursos em 17 anos de serviços prestados à instituição. Formada e doutorada pela Universidade de São Paulo (USP), ela conta que a maioria dos professores demitidos no campus de Interlagos tem longa experiência acadêmica. “Eram mestres e doutores que estavam na instituição há muitos anos”, lamenta. 

 

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Alunos preocupados


Nas redes sociais da instituição, alunos e ex-alunos comentaram as demissões, se mostraram preocupados com o fim do semestre e denunciaram a hostilidade com que alguns professores foram tratados. A unidade da Estácio em Interlagos, por exemplo, teve todos os professores do curso de pedagogia dispensados, e alunos disseram que alguns docentes tiveram apenas uma hora retirar pertences de dentro da instituição. Dois professores, que seriam homenageados na cerimônia de colação de grau curso, não podem sequer entrar na universidade desde segunda-feira (4/12).

 

“Os professores estão sendo impedidos de entrar na faculdade, só querem deixar eles participarem da nossa colação desde que os alunos disponibilizem ingresso de convidado, mas ainda assim, temos medo de serem barrados”, contou ao Correio a estudante, Nair Morato, de 39 anos. Ela e um grupo de alunos do último semestre do curso de pedagogia tentam um acordo por escrito com a gestora do campus para permitir a presença dos professores na colação de grau que acontecerá em fevereiro de 2018.

 

Por meio da assessoria de imprensa, a Estácio também negou que os professores tenham sido tratados com hostilidade ou que não tenham recebido aviso prévio. “A Estácio está lidando com as demissões dentro da legislação”, rebateu. 

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