Custo de vida sobe pouco e baixa inflação impulsiona consumo

Custo de vida sobe apenas 0,28% em novembro e leva analistas a projetar alta de 2,8% em 2017. Com isso, pela primeira vez em 18 anos, a carestia terá variação inferior ao piso definido pelo Conselho Monetário Nacional. Governo comemora

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 09/12/2017 08:00 / atualizado em 09/12/2017 00:04

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press


Pela primeira vez em 18 anos, a inflação terminará o ano abaixo do piso da meta do governo, atualmente em 3%. O que era uma possibilidade praticamente se confirmou, ontem, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro. No mês passado, o indicador subiu 0,28%, resultado abaixo do previsto por analistas de mercado. Com isso, o custo de vida acumulado no ano chegou a 2,50%. Desse modo, as perspectivas apontam para uma alta de 2,8% em 2017, segundo cálculos da Tendências Consultoria e da Rosenberg Associados.


Se a previsão se confirmar, o IPCA ficará abaixo do piso da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%. Isso vai obrigar o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, a divulgar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando os motivos do descumprimento da meta. No entanto, isso não deve provocar embaraço na equipe econômica. Afinal, o baixo custo de vida é positivo para a economia e para os brasileiros.

A desaceleração da carestia assegura mais poder de compra às famílias, que podem consumir mais produtos e serviços. O aumento na demanda, por sua vez, estimula a economia, possibilitando que os  empresários se sintam mais confiantes para investir, gerando mais empregos. Não à toa, o governo comemorou o índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Virada


“Com as medidas econômicas do nosso governo, temos inflação mais baixa, os menores juros da história, e os empregos voltaram a crescer. Agora, é continuar avançando. Ficou no passado o Brasil da inflação alta e dos juros elevados. Vencemos a recessão”, disse, em uma rede social, o presidente Michel Temer.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ressaltou que, em abril do ano passado, quando o atual governo assumiu, a inflação estava em 9,28% no acumulado em 12 meses. Nessa mesma base comparativa, no mês passado, a carestia foi de 2,80%. “Tivemos uma forte virada em 2017. Viemos de um período com inflação alta, juros altos e recessão. Agora, temos inflação baixa, o menor nível de juros da história, crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e dos empregos. Com as reformas em curso, 2018 será muito melhor”, destacou, também em uma rede social.

A variação do IPCA de dezembro só será divulgada em janeiro de 2018, mas, pela previsão da Tendências e da Rosenberg, a alta deve ficar entre 0,26% e 0,32%. As previsões das consultorias foram revisadas para baixo, em função de um efeito inercial do IPCA de novembro para mês atual, além de uma desaceleração dos custos com energia elétrica. “É o efeito da revisão da bandeira tarifária vermelha no patamar 2 para o 1”, justificou o analista de inflação da Tendências, Márcio Milan.

2018


O cenário para 2018, no entanto, é de uma carestia mais alta, de 3,8%. Entre as causas do aumento está a previsão de variações maiores dos produtos do grupo de alimentação e bebidas, que foram os principais responsáveis pela desaceleração do custo de vida em 2017, destaca o analista de inflação da Rosenberg, Leonardo Costa. “A própria recuperação da atividade e do consumo também entra nessa conta”, disse.

Até os preços voltarem a subir, a dona de casa Eva Rodrigues, 49 anos, se beneficia do custo de vida mais baixo. “Em novembro, notei uma queda no preço de aparelhos eletrodomésticos. Aproveitei que alguns desses produtos estavam mais baratos e comprei um celular para o meu filho”, afirmou. (Colaborou Andressa Paulino)
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.