Lista revela produtos que os brasileiros conseguem comprar por até R$1

Detergente, guardanapo, farinha de milho ou molho de tomate, muita coisa pode ser adquirida com uma unidade da moeda brasileira. Queda da inflação, sobretudo na área de alimentos, beneficia mais intensamente a população de baixa renda

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postado em 19/12/2017 06:00 / atualizado em 19/12/2017 00:24

Ana Rayssa/Esp.CB/D.A. Press

Com a queda da inflação no último ano, os consumidores estão voltando a comprar produtos que não conseguiam há muito tempo por menos de R$ 1. É possível encontrar, por exemplo, sabonete, detergente, esponja, guardanapo, molho de tomate e até lata de milho pelo valor unitário da moeda. (veja quadro ao lado). Os produtos foram encontrados em supermercados e lojas de atacado de Ceilândia, Taguatinga e Samambaia. Além disso, quem costuma fazer estoque em casa pode ampliar o leque de mercadorias neste patamar de preço, incluindo um quilo de sal, por exemplo. Quem levar 10 embalagens pode pagar R$ 0,99 por unidade, totalizando R$ 9,90 por 10 quilos.


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Mas a variação de preços de um mesmo produto em diferentes estabelecimentos pode passar de 20%. Por isso, é preciso pesquisar para garantir o melhor valor. É o caso da desempregada Yasmin Rosa, 60 anos, que trabalhava como assistente administrativa. Ela costuma fazer uma pesquisa nos supermercados para não pagar mais caro e evitar surpresa, no fim do mês, com dívidas ou falta de dinheiro.

“Gasto R$ 800 todos os meses com alimentação, produtos que ainda acho caros, principalmente os de primeira necessidade, como arroz, feijão, óleo e outros. Na minha casa moram quatro pessoas, mas só quem trabalha é meu filho, como administrador. Além disso, tem a aposentadoria do meu marido. Então, temos que economizar e sempre ajudar uns aos outros”, disse Yasmin. Uma opção para conseguir o menor preço é ir à Feira de Taguatinga, que vende pacotes de legumes por R$ 1.


Preços menores


Os preços mais em conta nos supermercados estão puxando a inflação para baixo. O maior impacto é o dos alimentos consumidos dentro de casa, que ficaram mais baratos com a safra agrícola de 2017. O movimento vem beneficiando, principalmente, os mais pobres, como mostra indicador de preços elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em  novembro, a cesta de produtos consumida por essa parcela da população subiu 2% no acumulado de 12 meses.

O índice é menor do que o dos mais ricos, que tiveram uma inflação de 3,53% no mesmo período. A diferença de impacto ocorre porque os comportamentos de consumo são distintos em cada classe econômica. Os consumidores de renda mais alta, por exemplo, são mais afetados com aumento do preço dos combustíveis e dos planos de saúde. Quem tem rendimento muito baixo não é tão impactado com a alta desses itens. Por outro lado, a queda nos valores dos alimentos melhora o poder de compra das classes menos favorecidas. Comidas e bebidas representam 60% do consumo deste grupo.

No caso do capitão do Exército Dorival Fidelis, 64, o que pesa no orçamento familiar é a conta de luz. “Eu pago cerca de R$ 200 de energia, um valor muito alto para mim, que moro só com minha mulher”, disse. “Conseguimos fazer as compras de casa e pagar outras despesas com um orçamento bem justo. Estamos desligando os eletrodomésticos quando não estamos na residência.”

Maria Andreia Lameiras, autora do estudo do Ipea, disse que a percepção de inflação da população depende da “cesta” de produtos consumida. “Neste ano, houve uma queda generalizada nos preços de alimentos, o que beneficiou todo mundo, mas, principalmente, o mais pobre, que usa a maior parte da renda para comprar esse tipo de produto. Em compensação, o aumento da tarifa de energia e do gás de cozinha também tem impacto forte”, destacou.

No caso do motorista de aplicativo Emerson Bonfim Fernandes, 44, o gasto mais expressivo é o de combustível. Ele precisa ter o carro sempre abastecido para trabalhar e, por isso, gasta 30% do que ganha com gasolina. “Em média, recebo cerca de R$ 1.500 por mês para sustentar quatro pessoas. Ainda bem que os produtos no supermercado estão mais em conta. Alivia um pouco deste lado”, comentou.

Reprodução



*Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo.
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