Com queda da inflação, poupança volta a atrair investidores

Aplicação mais popular do Brasil tem ganho real maior e recebe novos depósitos

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postado em 14/01/2018 08:00

Após dois anos de retiradas líquidas de recursos (saques maiores do que depósitos), a poupança voltou a atrair investidores em 2017. Segundo o Banco Central, no ano passado, os depósitos na caderneta superaram as retiradas em R$ 17,1 bilhões. Somente em dezembro, a captação bateu recorde, alcançando R$ 19,4 bilhões. O resultado inverteu a tendência dos anos anteriores, já que, em 2015 e 2016, as saídas líquidas foram de R$ 53,6 bilhões e de R$ 40,7 bilhões, respectivamente.


Boa parte dessa recuperação pode ser explicada pelo fato de que, no ano passado, com a queda da inflação — o IPCA fechou em 2,95% —, a poupança teve o melhor desempenho desde 2006. O rendimento chegou a 6,93%, o que significou um ganho real (acima da inflação) de 3,88%, segundo a empresa de análise financeira Economática. Em 2016, a aplicação teve ganho real de apenas 1,90%. Em 2015, foi pior: o rendimento ficou negativo em 2,28%, o que significa dizer que os poupadores perderam dinheiro.

Embora outras aplicações financeiras tenham apresentado resultados mais expressivos em 2017, a poupança tem características que a tornam atraente, sobretudo para quem está começando a investir e não tem muita informação sobre o mercado financeiro. A principal delas é o fato de ser um investimento de fácil entendimento e extremamente acessível. Qualquer que seja o banco escolhido pelo poupador, as regras são as mesmas.

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Criada pelo governo federal com o intuito de acumular recursos para financiar programas habitacionais, a poupança tornou-se a forma de investimento mais popular do Brasil. Pela simplicidade e liberdade de aplicar qualquer quantia, ela atrai pessoas de todas as classes. “É possível encontrar investidores com diversas faixas de renda que aplicam diferentes valores na poupança. Mas a maioria é normalmente da classe C para baixo”, afirma o diretor executivo de Produtos de Varejo da Caixa, Humberto Magalhães.

Sem tributos

Na poupança não há limite para aplicações, não é preciso pagar taxas administrativas e o dinheiro poupado ainda é isento do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que penalizam outros tipos de aplicação. “Se o investimento for de R$ 1 mil e o rendimento da poupança ficar em torno de R$ 50, o cliente não terá nenhuma perda. Se for sacar o dinheiro, conseguirá retirar os R$ 1.050. Em outros investimentos o IR incide sobre o ganho obtido”, observa o educador financeiro Luís Botelho. “Para quem ainda não tem muitos recursos, a caderneta é muito vantajosa, já que não é preciso pagar taxas administrativas nem tributos sobre o rendimento”, acrescenta.

Foram essas características que levaram o analista de sistemas Cid Macedo, 45 anos, a procurar a aplicação desde os 12 anos de idade. “Aprendi a utilizar a poupança com o meu pai. Na época, ele me ensinou a guardar parte do dinheiro que ganhava” lembra. “Agora, mais informado, utilizo a poupança como investimento também. O rendimento líquido é bem vantajoso”, diz Macedo.

Outro grande trunfo da poupança é o baixo risco. Mesmo se o banco em que o dinheiro estiver depositado for à falência, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre o prejuízo do cliente. “O FGC garante reembolso de aplicações de até R$ 250 mil. Então, se a pessoa tiver cerca de R$ 100 mil na poupança e o banco quebrar, ela receberá o valor referente à perda”, explica Luís Botelho.

Facilidade

Para Cid Macedo, a garantia de não perder as economias é um dos principais motivos para continuar com o investimento. “As pessoas já me falaram de outras aplicações com rendimento maior, mas que, ou não têm a mesma segurança, ou cobram taxas em cima do rendimento”, afirma. “Eu até já pesquisei, mas, para mim, a caderneta continua sendo a melhor opção.”

Quem deposita na poupança tem, ainda, a possibilidade de sacar os recursos,  parcial ou totalmente, a qualquer momento. Foi isso que atraiu a autônoma Teresinha Aparecida de Mendonça, 49 anos. “Como eu faço muita movimentação com dinheiro, gosto de ter a liberdade para depositar e retirar quando eu quiser”, afirma. “Como não sou muito organizada e nunca sei a data adequada de sacar, não tenho um rendimento preciso. Mas, para o tanto que movimento minha conta, acho que o rendimento é até positivo”, avalia.

Na poupança, os valores depositados são remunerados com base em uma taxa de juros definida previamente mais a Taxa Referencial (TR), uma taxa divulgada diariamente pelo Banco Central (BC). Os ganhos são depositados mensalmente nas contas dos aplicadores, e vão se acumulando. É bom ficar atento à regra que determina qual será o rendimento. Sempre que a taxa básica de juros (Selic) estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da caderneta é equivalente a 0,5% ao mês mais a TR. Quando a Selic fica em 8,5% ou menos, a poupança rende 70% da Selic mais a TR. Como atualmente a Selic está em 7% ao ano, os depósitos tem correção anual de 4,9%, mais a TR.

Os depositantes precisam ficar atentos, também, ao momento certo de fazer resgates. Embora o saque possa ser feito no dia em que o poupador quiser, é preciso ter em mente que os rendimentos só são creditados após 30 dias da realização do depósito. “Se você investir R$ 5 mil no quinto dia do mês, o dinheiro só irá render no quinto dia do mês seguinte. Se você sacar no quarto dia, por exemplo, não receberá nenhum rendimento”, explica o educador financeiro Thiago Nigro. Caso a pessoa faça diversos depósitos no mês, haverá diferentes datas de “aniversário”.

* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo



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