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Uso de aparatos eletrônicos em sala é realidade e é debatido pela Unesco

Um dos principais tópicos de discussão, entretanto, é o diagnóstico da necessidade de envolver cada vez mais os professores nessa transformação

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postado em 25/10/2014 08:15

Olívia Meireles

Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press


Em maio de 2015, representantes de vários países vão se reunir, na Coreia do Sul, durante o Fórum Mundial da Educação, com o objetivo de estabelecer metas para melhorar as oportunidades educacionais de alunos do mundo inteiro até 2030. O debate, organizado pela Unesco, está em fase de discussão nas unidades regionais, por isso já é possível projetar alguns temas que serão colocados em pauta. A melhoria da qualidade de ensino e a universilização da educação são assuntos que vêm sendo discutindos desde a última reunião em 2000 e devem voltar às rodas de conversa. A novidade fica por conta de um novo tópico vigente na sociedade moderna: a inclusão da tecnologia móvel (tablets e smartphones) nos métodos de ensino.

Apesar desse tipo de aparato ser uma realidade na maioria dos país, a organização realça a importância de fazer análises globais, mas respeitar as especificidades culturais, sociais e econômicas de cada região. Por isso, esse ano a Unesco liberou três relatórios avaliando a realidade do Brasil e da América Latina. A partir daí discute tendências, defende diretrizes e analisa políticas públicas. Por que tanto interesse? “Não adianta as escolas transformarem em vilões essas ferramentas tão difundidas na rotina de jovens no mundo todo. Se eles dominam a tecnologia, vamos usá-la para fortalecer o processo de aprendizagem”, avalia Maria Rebeca Otero Gomes, coordenadora do setor de educação da Unesco no Brasil.

Além disso, eles avaliaram que tablets e smartphones podem ajudar em outras metas que devem ser traçadas, pois eles quebram barreiras físicas. Uma delas é expandir o alcance e a equidade da educação, principalmente para crianças que moram em zonas de conflito e em zonas rurais. A tecnologia também permite criar comunidades de estudantes e, consequentemente, apresentar realidades diferentes a esses jovens. Essas novas possibilidades instigam os jovens e permitem aos estudos irem além das atividades em sala de aula, criando uma ponte entre a aprendizagem formal e a informal.

Um dos principais tópicos de discussão, entretanto, é o diagnóstico da necessidade de envolver cada vez mais os professores nessa transformação, pois ainda há muita resistência na inclusão digital, em sala de aula, por membros da categoria. São eles que podem avaliar os melhores métodos e compartilhar experiências nesse assunto tão novo para a sociedade moderna. Por isso, a organização acredita na importância de treinar professores para avançar na aprendizagem por meio de tecnologias móveis, além de criar e aperfeiçoar conteúdos educacionais para o uso desses aparelhos.

Conscientização
No Brasil, aos poucos os professores vão se concientizando. Segundo dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), um braço do Comitê Gestor de Internet no Brasil, em 2013, 52% dos professores não cursaram disciplina específica sobre computador e internet durante o ensino superior.

Esse dado, entretanto, tem diminuido durante os quatro anos em que a pesquisa TIC Educação vem sendo feita no Brasil. Isso fica evidente quando aumenta o número de professores que levam o próprio computador e conteúdo para complementar o matéria ensinada em sala de aula. Cerca de 51% deles têm esse costume. Descobriu-se que essas iniciativas individuiais acontecem porque as escolas públicas e privadas não conseguem manter a infraestrutura do colégio em dia com os avanços da evolução da indústria tecnológica.

Na maioria dos casos, os computadores, tablets e smartphones que os alunos têm em casa são mais modernos que os disponibilizados na rede de ensino. Além disso, a maioria das escolas investiu em laboratórios de informática. Pesquisas mostram que a internet tem que estar integrada ao conteúdo em sala de aula, sem ter um horário específico e um ambiente exclusivo para isso. “Por isso, nesses anos, registramos como tendência o uso de tablets e celular para acessar a internet, redes wi-fi em toda a área escolar”, analisa Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

No Brasil, apenas 12% das escolas usam tablets em sala de aula. Em Brasília, uma tradicional rede de colégios da cidade substituiu, há três anos, os livros didáticos do ensino médio por tecnologia móvel, nas três unidades da capital. Em 2014, a escola vai formar a primeira turma do ensino médio que concluiu o curso consultando o material digital. Eles listaram a ferramenta como item obrigatório na lista de material escolar. Para isso, tiveram que instalar uma eficiente rede de wi-fi no câmpus e montar uma central de apoio técnico para consertar dos aparelhos.

Ficou a cargo dos professores criarem o conteúdo de ensino para os aplicativos desenvolvidos com exclusividade para as aulas do colégio. Misturaram texto com vídeos e imagens explicativas. "Com a implementação do novo sistema, exemplificar assunto da matéria ficou mais fácil. Eu posso mostrar visualmente como funciona um processo químico e não deixar os alunos apenas na base da imaginação", avalia

Números
O perfil dos alunos, escolas e professores está mudando de maneira muito rápida. As transformações da sala de aula moderna acontecem na mesma velocidade em que a indústria da tecnologia lança novos gadgets no mercado. Para mapear e entender essas mudanças, o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) há quatro anos, vem monitorando e quantificando a evolução do uso de tecnologia nas escolas particulares e públicas dos centros urbanos do Brasil. Entenda a realidade do país em números.

» 87% dos alunos já usaram a internet para trabalho escolar
» 37% acessam a internet na escola
» 24% deslocam o tablet para a escola
» 12% dos alunos deslocam o computador portátil para a escola
» 6% aprenderam a usar computador com um professor
» 54% aprenderam usar o computador sozinhos
» 97% das escolas têm acesso a internet

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