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Prática de esportes contribui para o físico e auxilia no desempenho escolar

Os benefícios dos esportes são inegáveis. Mas as modalidades contam com vantagens específicas que podem ser consideradas na hora de escolher a atividade desenvolvida pelas crianças

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postado em 30/10/2014 15:22

Rafael Ohana/CB/D.A Press


A aproximação de eventos, como os Jogos Olímpicos (que acontecerão em 2016, no Rio) e a Universíade (em 2019, em Brasília), mostra que o Brasil está na rota de competições internacionais importantes. Os torneios trouxeram também à tona a discussão sobre a formação de atletas no país. Entre os pontos destacados por profissionais do esporte está a importância do desenvolvimento das habilidades durante a infância. E nenhum espaço é melhor para essa prática do que a escola.

Entre os defensores da relação mais próxima entre escolas e esportes está o ex-jogador de basquete Ricardo Oliveira — que até o ano passado era responsável pela Seleção Brasileira sub-15 da modalidade e atualmente treina a equipe profissional do Sport, em Pernambuco. “A escola é o início de tudo. É onde os pequenos têm maior oportunidade de conhecer e adquirir gosto por esportes. Assim, os colégios são fundamentais na formação de atletas”, comenta ele.

Oliveira é também fundador da escola de esportes Lance Livre, criada há 25 anos em Brasília para promover a prática entre jovens de algumas modalidades. A instituição tem parceria com colégios do DF há mais de 15 anos, revelando jovens talentos.

É o caso de Marcos Fernandes de Oliveira, conhecido como Pitoco. O jovem fez parte da escolinha de basquete no colégio e atualmente joga em uma universidade nos Estados Unidos. “Quando pequeno, o Marcos gostava mais de futebol. Mas, então, os irmãos mais velhos começaram a praticar basquete na escola e ele também se interessou. Na adolescência, passou a se destacar em campeonatos na cidade e ajudou o time da escola a alcançar o vice-campeonato brasileiro e o título panamericano escolar”, conta Francisco Edimílson de Oliveira, pai de Marcos.

Surgiu então a oportunidade de fazer o ensino médio nos Estados Unidos, onde os colégios promovem a prática esportiva de forma mais intensa, sem deixar de cobrar os estudos dos atletas. Ao se formar no ensino médio, ele preferiu seguir a formação acadêmica por lá mesmo”. Atualmente, com 20 anos, Pitoco ainda vive nos Estados Unidos, onde faz faculdade de Marketing Esportivo e continua jogando basquete.

Os benefícios do esporte

Se a escola é considerada fundamental para a formação de atletas, a prática esportiva também pode gerar melhorias no ensino, como explica o ex-jogador de basquete Ricardo Oliveira. “O esporte agrega diversos valores aos jovens, como o trabalho em equipe e a honestidade. Além disso, ajuda no desenvolvimento de características como foco e rapidez na tomada de decisões, que podem ser usadas dentro das salas de aula”.

A opinião é reforçada pela orientadora educacional Roseane Macedo, do colégio onde Pitoco estudou. “Os jovens que praticam esportes acabam aprendendo alguns fatores como respeito a regras, colaboração com os demais e até mesmo uma competitividade sadia. Isso sem contar que os estudantes que se destacam se tornam exemplos para os mais novos”.

O pai de Marcos Pitoco, Francisco Oliveira, também acredita que o esporte pode potencializar a formação pessoal e acadêmica. “Sabemos que o percentual de praticantes que se tornam atletas é mínimo, mas, em uma visão mais ampla, as escolas estarão produzindo cidadãos mais saudáveis, disciplinados, com autoestima em dia e, se houver uma associação adequada com performance escolar, com melhor desempenho em outras disciplinas. Para o Marcos, o basquete foi determinante do rumo da vida dele, reforçou conceitos de determinação, trabalho em equipe, a capacidade de lidar com vitórias e fracassos. Certamente ele está nos Estados Unidos hoje em função de esporte”, relata Francisco de Oliveira.


Escolha da modalidade
Os benefícios dos esportes são inegáveis. Mas as modalidades contam com vantagens específicas que podem ser consideradas na hora de escolher a atividade desenvolvida pelas crianças. Confira algumas dicas para fazer a melhor escolha, lembrando que a opinião dos jovens deve sempre ser levada em conta.

» Para os mais novinhos, entre 3 e 5 anos, o ideal são atividades mais lúdicas e que ajudem no desenvolvimento psicomotor, como natação, obstáculos e dança

» Entre 5 e 7 anos é o período de escolha dos gostos; assim, o ideal é oferecer várias experiências aos pequenos

» Modalidades coletivas, como vôlei, basquete e futebol estimulam o trabalho em equipe, além de ajudar na sociabilização das crianças

» Para crianças mais agitadas são indicadas atividades que exigem um gasto elevado de energia, como natação e atletismo

» Já para os jovens que precisam de foco e autocontrole são indicados esportes que fortaleçam essas características, como tênis e artes marciais


Três perguntas para...

Francisco Edimílson de Oliveira, vice-presidente da Federação de Basquetebol do Distrito Federal e pai de Marcos Pitoco

Como as escolas podem ajudar na formação de atletas?
As escolas são espaços fundamentais para a formação de atletas, pois costumam dispor de estrutura para as práticas desportivas. Porém, a forma como o esporte é tratado nas escolas não tem contribuído como poderia. As aulas de Educação Física acabam por se restringir ao lúdico. Se houvesse um empenho em mostrar um pouco mais sobre as modalidades e se fossem oferecidos mais horários de treinos extraclasse, teríamos mais oportunidades para desenvolver talentos nos colégios.

E como os esportes podem ajudar em sala de aula?
Sabemos que o percentual de praticantes que se tornam atletas é mínimo, mas, em uma visão mais ampla, as escolas estarão produzindo cidadãos mais saudáveis, disciplinados, com autoestima em dia e, se houver uma associação adequada com performance escolar, com melhor desempenho em outras disciplinas. Nas regiões de vulnerabilidade social, é mais importante ainda, porque diminui o espaço das drogas e do crime. Além disso, pode-se aprender com outros sistemas educacionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, os atletas de colégios e universidades só podem participar de jogos caso tenham boas notas.

Quais pontos acredita que precisam ser melhorados para a formação de atletas?
Na rede pública, há uma clara necessidade de integração entre secretarias de Educação, de Esporte, Federações e Ligas para ampliar a oportunidade de participação dos estudantes nas diversas modalidades e potencializar a geração de atletas que possam representar o DF. Por exemplo, a Secretaria de Educação conta com os Centros de Iniciação Desportiva (CID), que são espaços importantes para a prática desportiva, mas não existe comunicação com outros projetos. Nas escolas particulares, o esforço deve ser para tornar o esporte um diferencial de escolha da escola, aliado à qualidade do ensino.

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