Crônica: Uma manhã na Feira de Ceilândia

Tomei um caldo de mocotó quentíssimo, levei um kit buchada pra viagem e conversei com muita gente boa... A reportagem ficou pronta!

postado em 27/03/2017 05:55 / atualizado em 26/03/2017 17:47

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press

 
O sábado está abafado, devido à pressão atmosférica e à ressaca depois da cervejada de sexta-feira com os amigos. Procuro uma vaga perto da feira. Tudo está lotado... Também, fui sair de casa às 10h, quem mandou? Sábado é dia de movimento... Ufa, estaciono o carro em frente às Casas Bahia.

Um cheiro de pequi invade o ar, pequi bonito, da Bahia! — faço parte da humanidade que gosta de pequi. Sigo a pé, desviando dos carros rumo à feira, mais precisamente, à barraca Rei do Mocotó, do meu amigo Francisco, roqueiro de peso, e um dos gourmets nordestinos da área. Mas que ressaca...

— Oi, o Francisco está?
— Não, foi à missa.
— Vai demorar?
— Olha, a missa é ali na frente, você pode procurá-lo.

Eita! Uma missa na feira? É o que estou precisando...

O padre é um jovem rapaz de barba, calmo, com gestos suaves e palavras marcantes.

Taí, gostei desse padre.

Sinalizei para o Chico, meu fornecedor mensal de buchada e consultor para assuntos ligados à Ceilândia, há uns cinco anos.

Fotografei a missa... Curti as pessoas concentradas na eucaristia. Fibra e fé!...

A uma pessoa do lado, comentei baixinho.

— Esse padre se parece com o rapper Japão.
— É irmão dele, disse o rapaz.
— Eita! Que coincidência. Japão, um dos poetas que admiro pela militância e pelos versos, é irmão do primeiro padre nascido em Ceilândia!

A missa acabou, tirei uma selfie com o padre Nei Nelson, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, e fui entrevistar o Chico sobre a cena cultural de Ceilândia (que rendeu...).

Tomei um caldo de mocotó quentíssimo, levei um kit buchada pra viagem e conversei com muita gente boa... A reportagem ficou pronta!

E a ressaca?

Ela acabou depois da missa...


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