Todos os caminhos levam à feira da Ceilândia

Ponto de encontro da comunidade, polo gastronômico e de compras e lazer, feira da Ceilândia é referência em todo o Distrito Federal

postado em 27/03/2017 05:51 / atualizado em 27/03/2017 10:30

Breno Fortes/CB/D.A Press
Com quase 500 mil habitantes, Ceilândia, a maior cidade do Distrito Federal, vê a cultura pulsar, o povo se expressar de diversas formas e a comunidade se unir por meio de muitas tradições. Milhares de pessoas vindas principalmente do Nordeste encontraram ali um local especial, onde fortaleceram suas tradições e ganharam voz.

Aos 46 anos, a força da cidade une a população em uma rede de cultura, esporte, gastronomia e lazer. E quando o assunto é comida, há opções para todos os gostos. Além de diversos restaurantes e lanchonetes, barracas e food trucks com delícias típicas se espalham pelas ruas. Mas o principal ponto de encontro é a Feira Central da Ceilândia, onde é possível reunir amigos para uma confraternização com diferentes pratos, comprar roupas e artesanato e frequentar eventos culturais.

Coração da cidade 

A Feira de Ceilândia virou centro gastronômico, ponto de encontro e lazer e palco para apresentações culturais. Atualmente, a feira tem 463 boxes e emprega diretamente e indiretamente 700 trabalhadores. Não não se limita mais a um simples ponto de comércio: foi incorporada ao patrimônio cultural de Ceilândia. É lá que se formam as tribos e a cidade mostra sua grandeza.

O comerciante Francisco Pinho, 48 anos, tem uma das bancas mais tradicionais. O comércio do Rei do mocotó, como é conhecido Francisco, enche os olhos de quem aprecia a boa comida vinda do Nordeste. A habilidade para cozinhar veio da família, que mantém a banca há mais de 30 anos. Nascido em Ceilândia, Francisco herdou a banca do pai. “Quando eu era mais jovem, já vinha aqui na feira com meu pai. Ele tem banca desde os anos 1980. Me lembro que, quando chegamos, não tinha nenhuma dessas lojas aqui perto. A cidade estava bem menor e hoje, quando olhamos para a paisagem, percebemos o quanto mudou”, conta o comerciante.

A feirante Ângela Correia, 40 anos, lembra que no início as coisas eram mais difíceis. Mas que a feira foi importante para dar uma profissão para as pessoas que chegavam na região administrativa. “Quando eu aluguei a banca, há 15 anos, não tinha nem mesmo estacionamento. Eu cheguei da Paraíba e não tinha muitas opções de emprego. Mas quando vim trabalhar aqui, a minha vida logo melhorou. A estrutura está melhorando cada vez mais para quem trabalha e frequenta a feira. Aqui é onde todo mundo se conhece e fazemos amigos”, destaca Ângela.
 
 Bruno Peres/Esp. CB/D.A Press
 

O presidente da Associação dos Feirantes da Feira de Ceilândia, Jonathan Araújo, 33 anos, dono de uma banca de roupas, destaca a representatividade do local para a Ceilândia e para o Distrito Federal. “Quem trabalha na feira tem muita história pra contar e está ligado com a própria história de Ceilândia. Essa já é a segunda geração da feira. Muitos dos que possuem box aqui hoje são filhos de pessoas que já trabalhavam no local. A nossa ideia é transformar a Feira de Ceilândia em um ponto de referência para todo o DF. Quando eu cheguei, não tinha nem piso. Teremos que trabalhar para que mais melhorias sejam realizadas. Hoje, a feira é símbolo de Ceilândia. Todos se encontram aqui, seja para almoçar ou para conversar”, comemora Jonathan.

A banca da Ednara Bezerra, 50 anos, conhecida como Galega, é uma das mais movimentadas no almoço. “Aqui é o encontro de pessoas de todo o país. Tem gente que vem de Minas Gerais, da Bahia e principalmente dos estados do Nordeste. É até por isso que as comidas como mocotó e sarapatel saem mais no horário do almoço”, destaca a comerciante.

Fast food arretado 

Quem busca uma refeição rápida e com preço em conta não tem dúvida, o endereço é na QNN 2, no centro de Ceilândia. “Que, nada, nada”, ensinam os moradores da cidade para não haver erro na busca pelo endereço. É fast food, mas no salão, os atendentes circulam retirando os pedidos e o acerto no caixa é feito depois da refeição. “O cliente percebe que é bem atendido”, resume o paraibano Alberto Vieira, 47 anos, proprietário do Rangar. No cardápio de comida típica brasileira, há destaque para as delícias do Nordeste, com carne de sol e mandioca. A maioria dos 80 funcionários é da região e as compras de produtos são negociadas no comércio local, diz Alberto.

publicidade