Forró, repente e samba esquentam os bailes de fins de semana na cidade

Os eventos ligados ao Rei do Baião e a outros cantores das raízes do forró se espalham pela cidade e pelas casas de família nos fins de semana

postado em 27/03/2017 06:02 / atualizado em 27/03/2017 11:31

Bruno Peres/Esp. CB/D.A Press


Apesar de o rock e o rap estarem ligados diretamente à história da população de Ceilândia, outros ritmos vêm ganhando espaço entre os moradores da cidade. O forró faz parte das raízes de Ceilândia desde os tempos pioneiros. A cidade mais nordestina do Distrito Federal respira esse ritmo que relembra a infância e adolescência de boa parte de quem vive ali. Onde há uma sanfona, um arrasta-pé, tem uma multidão disposta a dançar. A cidade tem seu próprio Luiz Gonzaga, que agita as danças de fim de semana nos eventos da região. Luiz Gonzaga da Rocha, de 61 anos, já nasceu escutando o ritmo. “Eu cresci na Paraíba, ouvindo Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro. Quando temos eventos nessa linha musical, as pessoas comparecem mesmo. Meu nome foi escolhido em referência a esse mestre do forró. Além de carregar esse nome, tenho a responsabilidade de andar com uma sanfona no peito e ter que arrastar os fãs de forró”, afirma Luiz Gonzaga.

Os eventos ligados ao Rei do Baião e a outros cantores das raízes do forró se espalham pela cidade e pelas casas de família nos fins de semana. A Casa do Cantador, ponto turístico de Ceilândia, foi criada para abrigar as manifestações culturais do povo e é palco de diversos eventos de forró, além dos tradicionais bairros que promovem shows, principalmente nas noites de sexta-feira e nos sábados, nos bares, casas de espetáculos e festas da região administrativa.


Sede do repente

Se existe uma coisa que nordestino faz bem é improvisar. É por isso que o repente se tornou um dos gêneros mais populares dos estados do Nordeste. O repentista Francisco de Assis nasceu na cidade de Alexandria, no Rio Grande do Norte. Mas foi em Ceilândia que ele encontrou seu público e se integrou à história da cidade.

Aos 61 anos de idade, Francisco, que tem nome de santo genuinamente nordestino e criatividade de compositor, movimenta o cenário cultural da periferia do DF. O morador de Ceilândia destaca que o gênero de poesia popular surgiu para revelar a resistência do povo sertanejo. “Comecei a cantar repente aos 16 anos de idade, por influência da cultura do meu estado. Mas aqui em Ceilândia, encontrei uma população que mantém uma cultura bastante viva. Mais da metade da população veio de estados do Norte e Nordeste e aderiu ao repente para revelar a resistência do povo. Mas o repente também ressalta a diversidade da população daqui. Hoje, temos uma cantoria mais urbana, que se adaptou às novas circunstâncias da vida na cidade”, destaca.

 

Território do samba

O samba domina eventos e o perfil de artistas ceilandenses. Já se integrou à cultura de quem procura por lazer, diversão ou segue o caminho da música como escolha profissional. A Praça da Bíblia, na região do P Norte, é palco de um encontro de samba ao menos uma vez por mês. Ceilândia tem até mesmo quem deixou o rock para seguir carreira no samba.

 

Os encontros ao som de samba já movimentam o cenário cultural da cidade. Apesar do descaso do governo com teatros e espaços públicos, os artistas se organizam e mantêm a cultura girando por conta própria. O cantor e compositor Marcelo Fernandes da Rocha, de 43 anos, conhecido como Marcelo Café, é um dos artistas que trabalham para manter viva a cultura ceilandense. Marcelo nasceu em Niterói (RJ), mas chegou ao Distrito Federal ainda criança.  “Eu canto desde os 7 anos de idade. Eu comecei ainda criança no rock, mas, aos 25 anos, descobri o samba”, conta Marcelo.

 

Mesa de bambas

Um grupo de moradores decidiu criar uma mesa de samba aos fins de semana para promover o ritmo na cidade. Há três anos, todo segundo sábado de cada mês, ele, amigos e pessoas da comunidade se reúnem na Praça da Bíblia para cantar e dançar. Os participantes do encontro levam seus equipamentos, instrumentos musicais e viram a noite no embalo dos pandeiros e microfones. O evento é aberto à comunidade e conta com estrutura criada pelos amigos da região.

 

Michael Santos, de 31 anos, é o idealizador do projeto e afirma que a ideia é difundir o samba entre os ceilandenses. “Antes, o samba estava muito concentrado no Plano Piloto. Mas percebemos que esse tipo de música também agrada o morador daqui. Poucos conhecem o samba de raiz”, ressalta Michael.

 

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