Em crescimento acelerado, economia de Ceilândia já representa 10% do PIB do DF

Mesmo sem uma industrialização de forma intensa na região, Ceilândia é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Distrito Federal, tendo uma economia anual em torno de R$ 17,5 bilhões

postado em 27/03/2017 06:05 / atualizado em 27/03/2017 11:47

Breno Fortes/CB/D.A Press


A menos de 30 quilômetros do Plano Piloto, Ceilândia desenvolve um comércio forte, conquista os consumidores que moram na cidade, atrai gente de todo o DF, em busca de diversidade e bons preços, e emprega uma parcela considerável da sua população. De acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 44% da população acima dos dez anos de idade possui atividade remunerada na cidade. Deste número, 30% dos trabalhadores atuam no comércio. A pesquisa, de 2015, revela ainda que 37% dos trabalhadores da região trabalham na própria localidade.

O empresário Domingos Ramiro da Silva, de 64 anos, possui uma loja de colchões há quatro anos. Ele conta que abrir um comércio em Ceilândia é uma estratégia para reduzir custos e conquistar clientes. “O aluguel em Ceilândia é mais barato que no Plano Piloto. Mas o consumidor possui uma tendência de comprar aqui na cidade mesmo. Então, abrir um comércio aqui é bem melhor do que em outras áreas, como em shoppings, por exemplo, onde você paga diversas taxas. O comércio de Ceilândia também foi atingido pela crise econômica que afetou o país. Mas teve menos impacto que em grandes centros, pois a população prefere comprar perto de casa, em busca do menor preço”, afirma.

Mesmo sem uma industrialização de forma intensa na região, Ceilândia é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Distrito Federal, tendo uma economia anual em torno de R$ 17,5 bilhões. A renda per capita da cidade é de R$ 915,81, ainda considerada baixa se comparada a outras regiões administrativas do DF. Nas regiões do Pôr do Sol e Sol Nascente, que possuem uma população mais carente, essa renda é ainda menor. De acordo com a Codeplan, nessas duas localidades, a renda média por pessoa é de R$ 622, 30.

Especialistas apontam que é importante investir no comércio local, no empreendedorismo e na qualidade dos serviços públicos para elevar a economia de Ceilândia. O professor Carlos Alberto Ramos, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a cidade é importante para o cenário econômico do DF, mas precisa de investimentos. “O comércio local é importante para gerar riquezas não só para cidade como um todo, mas também para a população. Mas é preciso investir no transporte público, na saúde e nos demais serviços que elevam a qualidade de vida e capacidade laboral do trabalhador. Ceilândia ainda é uma cidade-dormitório e por um lado é isso que mantém a qualidade de vida na região e índices de poluição bem abaixo do Plano Piloto”, destaca o professor.

O comércio tem se desenvolvido muito em Ceilândia nos últimos anos. Em 2015, a cidade tinha 3,8 mil microempreendedores individuais. As microempresas chegavam a 864 e o número de médias empresas vinha logo atrás, com 708 estabelecimentos. Já as grandes empresas atingiram o patamar de 402 estabelecimentos na maior cidade, em área urbana ocupada, do Distrito Federal.

O professor Carlos Alberto destaca que é possível criar polos de economia regional. “A economia do DF ainda está muito centrada no Plano Piloto, em regiões como o SIA e SIG. Mas é possível criar áreas de desenvolvimento econômico, como a ideia do polo industrial em Sobradinho. Ceilândia concentra uma população muito grande e é um bom local para o desenvolvimento econômico. É claro que deve-se levar em consideração que lá é o local de moradia das pessoas e não pode substituir a qualidade de vida por desenvolvimento econômico”, completa o especialista.

Arte/CB/DA Press


"O aluguel em Ceilândia é mais barato que no Plano Piloto. Mas o consumidor possui uma tendência de comprar aqui na cidade mesmo. Então, abrir um comércio aqui é bem melhor do que em outras áreas"
Domingos Ramiro da Silva, comerciante

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