Jovens criam empresas para ajudar a divulgar a imagem de Brasília

Bike tour, loja de souvenires com estética tipicamente local e aulas que trilham os azulejos de Athos Bulcão são algumas das iniciativas

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postado em 13/04/2016 15:35 / atualizado em 13/04/2016 15:55

Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press
 

 

Onde muitos enxergaram restrições, jovens empresários identificaram ambientes propícios à inovação. São brasilienses que descobriram no patrimônio o mote para abrir o negócio próprio. Eles produzem réplicas das placas de sinalização, desenvolvem camisetas com ilustrações típicas da cidade e estimulam vivências por Brasília. Mais do que lucrar, querem suscitar o encantamento pela capital federal. Dessa forma, atuam na formação patrimonial de moradores e visitantes, público por vezes pouco familiarizado com o tema, como aborda a quinta e última reportagem da série “Educar para se apropriar”.

Construir a noção de pertença é objetivo comum aos empreendimentos. Quando a Tríade Patrimônio surgiu, em 2003, a autoestima do brasiliense estava ferida pelos casos de corrupção atrelados à imagem local. Eram os anos 2000 e não se falava em orgulho de morar por aqui. Os painéis de Athos Bulcão amargavam a falta de manutenção, conforme catalogaram, à época, Patrícia Herzog e Tatiana Petra. As duas têm formação em turismo e organizaram o inventário das obras do multiartista. A partir daí, conceberam “Na trilha dos azulejos”, aulas-passeio com alunos da rede pública pelos painéis de Bulcão. “Havia desconhecimento do que é Brasília. Há 12 anos, ela era vista apenas como ‘a cidade do poder’”, diz Tatiana.

A ideia é investir na formação patrimonial dos pequenos e potencializar os efeitos para as demais faixas etárias. “A criança tem um poder multiplicador incrível. Ela ressoa na comunidade aquilo que aprendeu”, explica Patrícia. Para ela, saber o significado de Brasília é a maneira de fazê-la se desenvolver. “A cidade que conhece a sua história consegue fazer disso um mote do desenvolvimento”, afirma. Ela compara Brasília a Barcelona, metrópole espanhola que defende com veemência o patrimônio local. “Estamos em uma cidade histórica também. Uma cidade moderna, mas também histórica. Como ela não é cuidada?”, questiona.

À experiência da Tríade Patrimônio seguiu-se a criação da Experimente Brasília, que oferece passeios turísticos pelo quadrilátero. “Mudamos a lógica da apresentação de Brasília. Mostramos que é uma cidade viva, modernista”, detalha Patrícia. O público que busca a Experimente é diversificado. “Recebemos muitos turistas estrangeiros, mas os moradores também nos procuram muito. Eles querem conhecer melhor o local em que vivem”, afirma Patrícia. O resultado é surpreendente. “Turistas e moradores se dizem encantados.”

 

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 

 

Duas rodas
Conhecimento é o ingrediente para aguçar o interesse pelo patrimônio, como percebeu o empresário Graco Melo Santos, 48 anos. Arquiteto e urbanista de formação, há dois anos, ele e a mulher, a psicóloga Fabiana Fidélix, 44, mantêm a Camelo Bike Tour, empresa de cicloturismo. A proposta dos bike tours que o casal organiza é apresentar a cidade pelo viés cultural e histórico. “É muito interessante perceber que, com um pouco de informação, as coisas começam a fazer sentido na cabeça das pessoas”, conta Graco Melo.

Conhecer Brasília sobre duas rodas muda perspectivas e ideias. “Andar de bicicleta é como caminhar um pouco mais rápido. A bicicleta vai aonde o carro não vai e, assim, é possível perceber tudo de uma forma mais bacana. Já imaginou andar em volta da Catedral?”, sugere. Uma preocupação de Graco é contar sobre Lucio Costa durante os passeios. O idealizador da capital ainda é pouco conhecido até por quem não mora na cidade. “Sempre se lembram de Oscar Niemeyer, por causa dos monumentos, mas muita gente ouve falar das quatro escalas de Lucio Costa durante o bike tour”, diz.

Para o próximo ano, o casal lançará uma promoção para atrair mais interessados na iniciativa. No último fim de semana de cada mês, os frequentadores ganharão 50% de desconto no passeio se levarem 1kg de alimento não perecível. “Queremos atrair mais pessoas para conhecer a cidade”, justifica.

 

Minervino Junior/CB/D.A Press
 

 

Fidelidade
Apropriação também pode acontecer por meio de elementos que constituem a cidade. É o caso dos ímãs de geladeira que imitam as placas de sinalização ou dos porta-copos que fazem referência aos azulejos coloridos. Ambos os produtos são feitos pela Bsb Memo, loja de souvernires inspirada na estética brasiliense. A empresa começou como grife de camisetas e, desde 2010, atende a quem quer presentear com Brasília. “As pessoas começaram a se apropriar da cidade e a buscar lembranças que têm a ver com ela. De certa forma, trabalha o olhar para o cotidiano”, argumenta Thatiana Dunice Innecco, 38, sócia da Bsb Memo. Por causa da identificação, é importante manter a fidelidade aos traçados originais. “Os clientes realmente enxergam uma referência da cidade”, avalia.


Pela capital


Experimente Brasília

Onde:
CLN 215 Norte, Bloco B, sala 113
Mais informações:
www.experimentebrasilia.com.br

Bsb Memo

Onde:
CLN 303, Bloco A, loja 20
Mais informações:
3034-4427

Camelo Bike Tour


Onde:
CLS 116, Bloco B, loja 9
Mais informações:
8412-4758

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