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Correio Braziliense

Segunda geração: casal brasiliense se orgulha de ter filhos também nascidos na cidade

Família sempre morou no Cruzeiro; "nossa casa é nossa pequena Brasília", afirma o pai, o delegado Moisés Martins

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postado em 21/04/2016 16:00 / atualizado em 21/04/2016 18:50

Rafael Campos

Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press


Quem vê a bela casa em que vive a família do delegado Moisés Martins, 51 anos, não imagina que a história dela começou em um apartamento bem pequeno, no mesmo Cruzeiro onde eles moram até hoje. “Brinco que você tinha que entrar nele já sabendo o que fazer em cada cômodo. Mas foi ali que a gente começou nossa história.” Ao lado da mulher, a artista plástica Adriana Brito, 48, ele faz parte da primeira geração de brasilienses e, hoje, com dois filhos, tem a certeza de que nenhum lugar no mundo pode ser melhor chamado de lar que Brasília.

“Não tenho vontade nem intenção de sair daqui”, garante Adriana. Ela, que trabalha com folhas do cerrado para compor suas obras, acredita que a cidade não só ajuda a reforçar a beleza das suas telas, mas garante aos seus filhos melhor qualidade de vida. “É uma cidade tranquila e que ainda continua ótima para criá-los.” Amanda Lopes, 21, é universitária e está no sétimo período do curso de direito. Além de se identificar com Brasília por ter vivido sempre aqui, ela já entende que, para a profissão que escolheu, o melhor é continuar na cidade. “Não me imagino morando em outro lugar. Aqui temos o melhor mercado do Brasil, até em relação aos concursos públicos.”

O mais novo, Adriano Lopes, estudante de 16 anos, já pode se dar ao luxo de sonhar mais longe e, mesmo sabendo que sua vida sempre estará atrelada à capital, consegue imaginar um futuro com novas experiências. “Penso em morar no exterior ou mesmo em outra cidade, porque quero cursar agronomia.” Mesmo assim, a família entende que, não importa onde esteja cada um, Brasília sempre será o lugar que eles chamarão de casa. “Família é união, é manter quem você ama sempre por perto. Eles sempre terão a cama deles aqui. Nossa casa é a nossa pequena Brasília”, garante Moisés.

Mesmo sendo uma terra de oportunidades, que possibilitou a ascensão social de Moisés, Brasília não escapa a um problema ainda crônico no Brasil: o racismo. “Já fui chamado de macaco. Cheguei no cidadão, avisei que era delegado e que deveria levá-lo preso. Disse que não o faria para dar uma lição de moral nele, que estava acompanhado dos filhos.” Para ele, a discriminação racial existe e não se limita ao pobre. “Vim de família humilde. Fui vendedor de limão, fui garçom. Sei do meu esforço. A vida é feita de degraus e o importante é não parar de tentar. É assim que dou exemplo para os meus filhos. A pessoa pode não gostar de mim, mas jamais pode me desrespeitar.”
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