#brasiliacapitaldoipe: ipês marcam presença na quadra modelo 308

Os cobogós dos blocos permitem avistar ipês roxos, amarelos e brancos

postado em 08/08/2015 08:09 / atualizado em 08/08/2015 11:33

Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press


Em meio à poeira vermelha do cerrado e do clima árido da capital federal florescem cerca de 260 mil pés de ipês. As flores roxas, amarelas, brancas e as verdes — mais raras — encantam até mesmo quem não é amante da cidade fruto do sonho de Dom Bosco e Juscelino Kubitschek. Antes de encerrar o mandato, em 1985, o ex-presidente João Baptista de Figueiredo disse ao povo que o esquecesse. O general era um crítico ácido da capital federal, mas guardava na memória as árvores típicas brasilienses. Em uma entrevista ao jornalista Pedro Rogério, revelou que apreciava os ipês no trajeto da Granja do Torto à sede do governo. “Eles são imponentes”, definiu o militar.

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Os brasilienses sabem de cor que os arbustos coloridos de mais de 20m de altura enfeitam a cidade entre junho e setembro. Pelas avenidas castigadas com a seca, de longe, são visíveis e protegidos por lei. Uns com mais flores, outros mais escassos. Na fase adulta, a planta pode dar até 50 mil botões em uma única florada. Na 308 Sul, quadra modelo de Brasília, há vários exemplos. Os cobogós dos blocos permitem avistar ipês roxos, amarelos e brancos — este em maior quantidade. “Eu adoro olhar, faz parte da paisagem. Não existe nada que represente mais a nossa cidade”, afirma Sandra Maria Miranda, 63 anos, professora de educação física aposentada.

Mudanças
Com o passar do tempo, as plantas mudaram com a cidade e o clima. Mutação acompanhada de perto pelos moradores. “Eles (ipês) floresciam mais tarde. Agora, estão mais precoces e com as floradas mais rápidas”, afirma Sandra. Porém, toda forma de beleza é válida para a carioca. “Com poucas flores, como estão os roxos, ou iniciando a florada, são maravilhosos. Fazem parte do cenário da minha janela”, reforça a moradora do 6º andar do Bloco G.

Quando o bancário aposentado Carlos Alberto Albuquerque Machado da Costa, 82, veio para Brasília, em 19 de abril de 1960, a quadra modelo não estava pronta. Ele é categórico ao afirmar que os exemplares de ipê não se encontravam no local. “Os apartamentos estavam em acabamento. Havia algumas árvores mais características do cerrado”, explica, ao fazer referência aos arbustos menores e com troncos retorcidos. Hoje, a 308 Sul é emoldurada pelos ipês, mas não se sabe se eles foram plantados ou naturalmente nasceram ali. A história perdeu-se no tempo. “Eu acredito que tenham uns 20 anos. De qualquer forma, são lindos, fazem parte daqui e agradam aos moradores e aos visitantes”, opina Carlos Alberto. Diariamente, o bancário molha as plantas da quadra. Além disso, faz parte da rotina limpar o laguinho próximo do Bloco F. “Todos esses elementos formam uma paisagem única. Muita gente tira foto ou apenas para e fica sentada observando tamanha beleza”, ressalta.

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