Saiba como os ipês que colorem Brasília são plantados e cultivados

Novacap é responsável pelo plantio da espécie em áreas verdes, ao longo das avenidas da capital e nos jardins das cidades satélites

postado em 15/08/2015 09:40 / atualizado em 15/08/2015 09:39

João Gabriel Amador - especial para o Correio / , Especial para o Correio

Ed Alves/CB/D.A Press

 

Basta uma volta rápida por Brasília para avistar o colorido das flores que recobrem a cidade nesta época do ano. Os astros maiores dessa pintura são os ipês, alvos prediletos de fotógrafos, que por sua vez inundam as redes sociais com imagens das árvores.

Mas o que muitos não sabem é que a maioria dos ipês da cidade não está ali por acaso. As árvores plantadas são tarefa da Novacap desde a década de 1970. E o trabalho não é pouco.

A empresa é responsável pelo plantio da espécie em áreas verdes das quadras, ao longo das avenidas da capital e nos jardins das cidades satélites. Para isso, o órgão conta com um viveiro de 78 hectares, localizado próximo ao Parque Nacional, onde aproximadamente 90 mil ipês - além das milhares de mudas de outras espécies - são cultivados.

As etapas do crescimento
No chamado Viveiro II, trabalha o técnico agrícola Silomar Rodrigues de Matos, que há 11 anos é um dos responsáveis pelos cuidados dados às plantas no local. Foi ele quem contou a saga dos ipês que tomam Brasília.

Ed Alves/CB/D.A Press


O início do cultivo dos ipês acontece longe das estufas. As sementes nativas são colhidas por uma equipe da Novacap em um raio de até 500 quilômetros, incluindo terrenos do Distrito Federal, de Goiás e de Minas Gerais. As sementes recolhidas são encaminhadas para outro viveiro da instituição, onde são beneficiadas e, finalmente, levadas para o Viveiro II, onde germinarão.

Ao chegar no local, as sementes são colocadas em pequenos tubos plásticos, completos com um substrato rico em palha de arroz, fibra de coco, vermiculita e outros nutrientes que ajudam no desenvolvimento da planta. O recipiente também é especial. Em formato cônico, ele conta com saliências na parte interna que ajudam no crescimento ordenado das raízes, o que contribui para a absorção eficiente das substâncias do solo.

As pequenas mudas ficam armazenadas em um tipo de estufa, chamada casa de sombra, onde recebem água e luz. Somente ao atingirem o tamanho ideal de 15 a 20 centímetros, o que leva cerca de três meses, elas são passadas para um recipiente maior, de sete litros.

Uma vez colocadas nesses vasos maiores, as mudas já podem ser levadas para o localidades externas. Porém, segundo Silomar Rodrigues, o ideal é que elas sejam transportadas apenas após alcançarem o tamanho entre um e dois metros, ou um ano e meio de cultivo. “Com esse porte elas têm mais condições de germinar no ambiente urbano”, explica o técnico agrícola.

As pequenas árvores são, então, plantadas em localidades diversas do Distrito Federal. Atualmente, a demanda maior está em cidades satélites, com déficit de arborização, além de locais onde é necessário o reflorestamento, como áreas desmatadas ou devastadas por queimadas.

No caso dos ipês, o plantio costuma ser feito apenas nos últimos meses do ano, quando as chuvas são mais abundantes e auxiliam na manutenção das mudas. Entretanto, as coloridas flores, características da espécie, demoram um pouco a aparecer. Apenas com oito anos, em média, as árvores estão prontas para florescer. E uma vez coloridas, tendem a permanecer assim de 10 a 15 dias apenas.

Para todos os gostos

No viveiro são abrigadas as cinco espécies mais comuns do ipê na cidade. O ipê-roxo costuma ser o primeiro a florescer no ano. Com flores rosadas, às vezes é confundido com o ipê-rosa. Porém, o porte frondoso e a cor bastante intensa o diferenciam dos demais.

O ipê-rosa, por sua vez, apresenta tom mais brando, com o interior das flores até mesmo esbranquiçado, como conta Silomar Rodrigues.

Outra variedade comum na cidade e cultivado no viveiro da Novacap é o ipê-amarelo. Com porte mediano, a espécie tem como curiosidade a alta taxa de germinação dupla com uma mesma semente. Porém, seu crescimento tende a ser um pouco mais lento que os demais.

Também muito admirado pelos fotógrafos, o ipê-branco é o que tem as flores um pouco mais raras, uma vez que ficam expostas por menos tempo, em média, oito a dez dias.

O quinto tipo de ipê é o mais incomum na cidade. O ipê-verde, porém, é bastante visto no na natureza local. Com flores em tom verde, ele não chama tanto a atenção, mas é a espécie favorita de Silomar. “Acho ele muito lindo, com o caule revestido de um tipo de cortiça, muito típico das árvores do Cerrado”.

Ano mais arborizado
No início do mandato, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg estipulou a meta de plantio de 250 mil árvores ainda no primeiro ano de governo, número cinco vezes maior que em 2014. Segundo Silomar Rodrigues, o objetivo deve ser alcançado, mas a maior parte da vegetação só será plantada a partir de setembro, quando o período de chuvas começar.

@amandaprocha/Instagram


Conheça cada ipê

Cada variedade de ipê apresenta características próprias, como tempo e época de florescimento. As datas não são exatamente precisas, pois podem mudar de acordo com a quantidade de chuvas no ano ou tipo de solo onde está a árvore. Ainda assim, os períodos coloridos costumam ser os descritos abaixo:

Roxo:
Tamanho: 15 a 18 metros
Período de floração: junho e setembro

Rosa:

Tamanho: até 35 metros na natureza
Período de floração: agosto e setembro

Amarelo:
Tamanho: três a oito metros
Período de floração: julho e setembro

Branco:
Tamanho: sete a 16 metros
Período de floração: agosto e outubro

Verde:
Tamanho: seis a 18 metros
Período de floração: dezembro e março

Serviço
Nem todas as mudas cultivadas são usadas pela Novacap. O excedente pode ser adquirido por cidadãos interessados. Para saber quais espécies estão a disposição, basta ligar para o telefone (61) 3403-2460. Os valores das plantas variam entre R$ 12 e R$ 100, dependendo do tamanho e tipo da muda.

Participação
Vale lembrar que você pode participar da campanha Brasília Capital do Ipê, parceria entre o jornal Correio Braziliense e a TV Globo Brasília. Basta o leitor ou telespectador postar uma bela foto da árvore nas redes sociais com a hashtag #BrasiliaCapitaldoIpe ou enviar a imagem para o Whatsapp do jornal ou da emissora (número acima). Os melhores registros serão apresentados em um caderno especial e em um vídeo na televisão. Quem quiser acompanhar as reportagens da série também pode acessar o site www.correiobraziliense.com.br/BrasiliaCapitaldoIpe.

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