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Especialista dá dicas de como lidar com as escolhas do curso superior ideal

Ingressar em uma universidade é bastante difícil, mas permanecer nela é igualmente desafiador

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postado em 27/02/2013 14:17 / atualizado em 27/02/2013 15:42

Tina Coelho/CB/DA Press


A expansão de vagas em instituições de ensino superior, bem como políticas para entrada em faculdades e universidades fizeram com que o número de ingressantes no ensino superior quase duplicasse nos últimos dez anos. Porém a porcentagem de estudantes que concluem a graduação ainda é pequena. Para se ter ideia, o censo do ensino superior realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostrou que em 2012 mais de 6,7 milhões de pessoas iniciaram uma graduação. Em compensação, apenas pouco mais de 1 milhão terminou o curso superior.

As razões para desistências nesse período são bastante diversas. A doutora em Psicopedagogia e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Neide de Aquino Noffs aponta alguns aspectos para a evasão de cursos superiores: “Depois de tanto tempo estudando para o vestibular, o aluno pensa que não precisará mais se dedicar ao estudo. Acha que somente ouvir os professores será suficiente. Assim, as notas tendem a ser baixas e o estudante perde a motivação de seguir no curso”.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Brasília detectou que o índice de desistência na instituição, em 2011, chegava aos 34%, sendo o baixo rendimento o principal motivo de abandono.
Outra causa apresentada pela dra. Neide Noffs é a diferença estrutural entre o ensino médio e a universidade. “Na escola, os alunos são amplamente monitorados e assistidos, mas, ao chegar na faculdade, se veem com uma autonomia que não possuíam antes. Então, os estudantes têm dificuldades na administração do tempo e acabam se perdendo nos estudos”.
Portanto, segundo a especialista, manter uma rotina de estudos organizada é fundamental para a permanência no ambiente acadêmico.

Diferenças e desilusões

Em alguns casos, a desmotivação é causada pela desilusão com as matérias cursadas. Foi o caso do estudante Silvio Kazuo, 23 anos. O gosto pelas disciplinas de geografia e história e fez com que ele se interessasse pelo curso de relações internacionais. Ao frequentar as primeiras disciplinas, verificou que não era bem o que esperava. “Achava as matérias muito chatas e teóricas, segui na expectativa de que o curso melhorasse, mas não foi o que aconteceu”. O resultado foi a mudança de curso, após sete semestres completados.

A dica para evitar surpresas no início do curso é pesquisar bem sobre o assunto. Unir aptidões e preferências com conhecimento sobre a área pretendida diminui a possibilidade de desilusão. Testes e orientações vocacionais também podem ajudar na escolha.

Mas em casos semelhantes ao de Silvio a professora Neide Noffs indica que o estudante busque ajuda com orientadores ou veteranos, para saber mais sobre as disciplinas e o mercado de trabalho. Silvio concorda com a especialista. “Pesquisar sobre o curso ajuda, mas saber da realidade de aulas e da profissão é fundamental para a escolha”.

A pressão exercida por pais também pode prejudicar. Kazuo alega que a influência da família o afetou em sua escolha. “Não tive uma pressão evidente, mas sempre soube que eles esperavam que fizesse um ‘bom curso.”
Dra. Noffs alerta que a pressão de parentes é prejudicial, mas pais devem auxiliar os filhos nas escolhas. “Conversar sobre o futuro é uma forma de incentivar sonhos profissionais.”

Mudar pode ser a solução
Se mesmo com todas as dicas o estudante decidir pela mudança de curso, não há problema. “Mudar de curso não deve ser encarado como algo ruim. A experiência de mudança faz parte do processo de amadurecimento e auto-conhecimento”, afirma a dra. Neide Noffs. O estudante Silvio Kazuo é prova disso. Prestou novo vestibular e atualmente está no sexto semestre de comunicação social, na Universidade de Brasília. Quanto ao processo de mudança, Silvio assume que foi difícil. “Ao ver amigos antigos já com sucesso profissional, há um pouco de arrependimento. Mas quando penso no meu futuro e nas oportunidades que tenho hoje, fico mais tranquilo quanto à minha decisão.”

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