Depois daquela pausa...

Voltar ao mercado de trabalho após ficar um tempo longe dele pode ser difícil, mas é viável. Saiba o que é preciso fazer para se recolocar profissionalmente

postado em 07/11/2017 13:06 / atualizado em 10/11/2017 12:20

Cuidar dos filhos, estudar para concurso ou simplesmente tirar um tempo para si são alguns dos motivos que fazem profissionais abandonarem o emprego e darem uma pausa no trabalho. Mas essa decisão de se afastar do mercado pode virar um grande problema na hora de voltar, já que o cenário de hoje não é o mesmo de tempos passados. É preciso ficar atento às mudanças e, até mesmo, mudar também.

A primeira dificuldade aparece logo na decisão de se desligar do serviço: começam os questionamentos se essa é realmente a melhor escolha, surgem as preocupações sobre como vai ser a rotina em casa e não faltam críticas de quem acha loucura abandonar o emprego. Mas, para Bruno Goytisolo, professor do MBA de gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas (FGV), quem teve coragem de pedir demissão nessa delicada situação do mercado já tem um ponto a seu favor, pois a capacidade de se reinventar é uma das características essenciais ao profissional buscada pelos empregadores.

“As competências comportamentais mais valorizadas hoje são a adaptação às mudanças, a criatividade, a capacidade de inovação e a resiliência às adversidades. Diante dessas transformações das empresas, o mercado exige grande capacidade de adaptação às mudanças”, reforça.
 
Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

E é com a criatividade que Marlene Barbosa, 33 anos, procura uma nova experiência. Depois de abandonar o cargo de corretora de imóveis para estudar para concurso e ter mais tempo para cuidar da filha, a mãe formada em publicidade não descarta se reinventar e atuar em outro campo. “Eu preciso trabalhar no ano que vem, o orçamento está bem curto. Então, eu vou continuar estudando, mas também vou ter que trabalhar. Se eu conseguir na área de publicidade, ótimo; se não, vou procurar outras oportunidades, aprender coisas novas e tentar me inserir no mercado, nem que seja em uma área nova.”

Com exemplo e confiança
Se o pedido de demissão já é uma mudança drástica na vida da maioria dos empregados, quando ele vem de uma concursada, então, é algo ainda mais questionado. Mas Erika Radespiel, 31, não ligou para as críticas que ouviu quando abandonou o cargo na Receita Federal para cuidar do segundo filho: “Eu tirei minha licença-maternidade, mas, na hora de voltar, não tive coragem. Até tinha o benefício da jornada reduzida de uma hora, mas eu ia perdê-la no trânsito. Pedi demissão, na cara e na coragem”, conta.

O tempo que passou em casa foi mais útil do que o planejado. Além de conseguir ficar mais próxima de Rayan, hoje com 5 anos, ela ainda escreveu uma coleção de livros sobre educação, área em que sempre desejou atuar, embora tenha começado a vida acadêmica no curso de administração de empresas por incentivo dos pais.
 
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press

Incentivo esse que pode ter motivado a decisão de se afastar do mercado — da qual ela não se arrepende. Afinal,  a mãe de Erika seguiu o mesmo caminho: desligou-se do serviço para se manter mais próxima dos filhos. Como em um livro, as histórias da mãe e da filha tiveram finais felizes. As duas conseguiram voltar a trabalhar quando quiseram retornar ao mercado.

Erika passou novamente em um concurso e hoje trabalha como educadora ambiental na Caesb. “É muito difícil fazer essa escolha, porque se você larga o emprego é criticada, se continua nele, também é. Mas eu acho que o fato de a mãe trabalhar fora não é um prejuízo para a família, as mulheres se sentem culpadas à toa. Se você se realiza e está feliz, vai ser uma mãe melhor, uma pessoa melhor.”

* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

Mão na massa 
O primeiro passo para encontrar o emprego desejado começa na elaboração do currículo, a apresentação profissional. Veja como estruturar esse documento, segundo a master coach Wang Ching:
  • Dados pessoais
  • Formação acadêmica
  • Experiência profissional
  • Outros cursos e habilidades
  • Preferencialmente, ordene os cursos e as experiências do mais recente para o mais antigo. Você pode acrescentar uma carta de apresentação contando um pouco sobre quem você é, quais relevantes experiências você tem e o que o motiva a buscar aquela vaga.

Para aumentar as chances
» Com o currículo estruturado, é hora de colocá-lo na rua, entregando em empresas que trabalhem com seu perfil profissional e ficando de olho nas vagas que aparecem on-line. Nessa etapa, é importante ficar atento a alguns pontos, como explica Rita Brum, pós-graduada em administração de recursos humanos:

Oportunidades
» Procure vagas em classificados e nos links de “Trabalhe Conosco” nos sites das empresas. Outra boa estratégia é ficar atento ao mural da faculdade ou de instituições que oferecem cursos e qualificação.

Cuidados 
» Este é o momento de abrir uma nova conta, mais profissional, e acessá-la todos os dias, para não perder convites para entrevistas, testes on-line e outras seleções de emprego. Avise às pessoas que moram na sua casa que você enviou muitos currículos e que espera ligações. Reforce a importância de anotar os dados (empresa, telefone, endereço e ponto de referência) de quem entrou em contato.

Ajuda profissional 
» Em caso de muita dificuldade, busque ajuda de um orientador vocacional. O profissional vai tentar conhecer seus desejos, identificações, habilidades e afinidades. Assim, fica mais fácil elaborar um documento que destaque competências e qualificações.

Dia a dia da reinvenção
Para quem deseja voltar ao mercado, mas não encontra oportunidades, é essencial não ficar parado e criar algumas rotinas, como sugere Rita Brum, pós-graduada em administração de recursos humanos:
  • Ler livros, revistas, publicações relativas à área de atuação e jornais para manter-se atualizado.
  • Criar metas de curto e médio prazos.
  • Fazer um trabalho voluntário. Isso ajuda a incrementar o currículo e pode ser uma ótima experiência pessoal.
  • Ter uma agenda que contemple todas as suas atividades, como estudos, lazer, vida social, vida familiar e vida espiritual.

Números que trazem esperança
O IBGE divulgou recentemente novos dados sobre o desemprego no Brasil que mostram recuperação do mercado de trabalho. Veja as mudanças na porcentagem de desocupação deste ano:
  • Janeiro/fevereiro/março: 13,7%
  • Abril/maio/junho: 13,0%
  • Julho/agosto/setembro: 12,4%

Tempo de se cuidar
Fazer atividades profissionais, como cursos e trabalhos voluntários, ajuda muito quem deseja voltar ao mercado, mas cuidar de si não fica para trás quando o assunto é alcançar um foco. Anote mais dicas da Rhaiz Soluções em RH:
  • Meditar traz muitas vantagens, como a diminuição da insônia e da depressão, e o aumento do bem-estar e da autoestima.
  • Praticar atividade física resulta na liberação de hormônios que são muito importantes, como endorfina — que relaxa e melhora a motivação — e dopamina, que aumenta o foco e a concentração.
  • Manter a motivação e pensar que esse é um tempo para a busca de novas e melhores oportunidades, com postura de vencedor e não de derrotado.
  • Procurar tirar desse tempo bons momentos, como levar os filhos à escola ou agitar a vida social, visitando amigos.
 
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press

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