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Dos cursos de aprofundamento aos mundialmente acessíveis mestrado e doutorado, as opções após a graduação são vastas. O tipo de pós vai depender do perfil e das ambições do candidato

postado em 07/11/2017 13:05 / atualizado em 12/11/2017 17:09

Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press
 
Diploma na mão, é hora de procurar emprego. Mesmo com uma boa faculdade e a experiência adquirida nos meses de estágio, conseguir a primeira admissão não é tarefa fácil. Por isso, muitos recém-formados — e até mesmo profissionais mais experientes, com alguns anos no mercado — estão investindo cada vez mais em pós-graduações.

De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cerca de 98 mil pessoas estão regularmente matriculadas em cursos de mestrado (acadêmico ou profissional), doutorado ou pós-doutorado no Brasil. Mas, entre tantas opções, qual escolher? Simples: a que melhor se adequa ao seu perfil e ambições profissionais.

O diretor de Programas e Processos Acadêmicos da FGV, Gerson Lachtermacher, explica que o profissional deve estar sempre se atualizando, independentemente do tipo de pós-graduação que escolheu fazer. “As pessoas têm que entender que existe uma educação continuada e que conhecimento é algo que se atualiza. O que você sabe hoje pode ser modificado amanhã. E no ensino é a mesma coisa: as graduações e pós mudam em um ritmo muito rápido. Então, se você fica longe da escola por muito tempo, a chance de acabar desatualizado é maior.”

Para quem não tem interesse ou tempo para se aprofundar em determinadas áreas, Gerson recomenda ao menos alguma formação extra. “Se você não deseja uma pós, faça um curso que lhe dê uma base sólida de conhecimento. Mas é importante ressaltar que a especialização é praticamente um pré-requisito para conseguir emprego.”
 
 

Foi graças à especialização em gestão e governança de TI que a servidora pública Karoline Santos Lopes, 24 anos, pôde assumir o cargo. “Na época, estava estudando para concurso e acabei passando em um que exigia experiência mínima em TI ou uma pós-graduação na área. Então, o aprimoramento foi mais do que essencial para o meu emprego”, conta.

A pós também ajudou Karoline a entender melhor a área que escolheu para seguir carreira. “Eu não tinha nenhuma experiência e durante as aulas pude conviver com pessoas que já estavam no mercado e que traziam debates sobre a rotina profissional para a turma. Sem falar que posso aplicar o que aprendi e, agora, entendo as demandas que vêm dos meus superiores”, completa.

Vocação é essencial
Exigência em faculdades e universidades ao redor do Brasil, o mestrado e o doutorado são pós-graduações mais voltadas para o mundo acadêmico. Inspirada por antigos professores, a bibliotecária Kelley Cristine Gasque, 45 anos, escolheu esse universo. A primeira especialização, uma exigência do colégio onde trabalhava, abriu as portas da atual PhD em ciências da informação para as expansões universitárias. “Algum tempo depois, percebi que era hora de continuar os estudos e resolvi fazer mestrado e doutorado. A vontade de ir para a docência no ensino superior também influenciou”, conta.

Para quem for se aventurar no ambiente acadêmico, Kelley recomenda paciência e dedicação. “Quase sempre a escolha da área tem a ver com as nossas experiências, com aquilo que a gente se identifica. Falo para os meus alunos que eles devem escolher assuntos que gostem muito de pesquisar, porque você fica muito tempo com aquele tema e, se não tiver um interesse por ele, fica quase impossível.”
 
 
 
É hora de se aprimorar
A faculdade acabou! E agora, o que eu faço? Essa dúvida, comum entre os jovens que estão iniciando uma carreira e ainda não sabem direito quais rumos tomar, pode reaparecer depois que você coloca as mãos no tão sonhado diploma. É melhor já começar a correr atrás de um emprego ou aperfeiçoar ainda mais os conhecimentos em uma pós-graduação?

A decisão depende da motivação e dos objetivos profissionais da pessoa. “Eu, por exemplo, decidi investir na vida acadêmica e já saí direto da graduação para a pós. Agora, quem quer atuar em uma empresa, ou até mesmo fazer carreira na área pública, vai sentir a necessidade de um aperfeiçoamento ao longo dos anos”, explica o docente e ex-decano de pesquisa e pós-graduação da Universidade de Brasília (UnB) Márcio Martins Pimentel.

A jornalista e pesquisadora Mariella de Oliveira Costa, 34 anos, percebeu que era hora de se aprofundar assim que terminou a graduação e viu que teria dificuldades para trabalhar na cidade onde morava. “Fui procurar pós-graduações que fossem de graça em cidades grandes e acabei achando uma em Campinas (MG). Foi natural. Como ainda não tinha bagagem para um mestrado, optei por uma especialização”, relembra.
 
Arthur Menescal/Esp.CB/D.A Press


Na universidade, Mariella viu a oportunidade de emendar a especialização com um mestrado e começou a subir na carreira. Em Brasília, a vontade de dar aula falou mais alto e ela acabou investindo em um doutorado, mesmo com dois empregos. “Gosto de trabalhar e estudar. Para mim, não funciona esse negócio de ter todo o tempo do mundo só para me dedicar a desenvolver a tese. Fiquei mais ou menos um ano nessa rotina, até que tive que sair porque não tinha tempo para fazer as aulas de francês necessárias para o intercâmbio do doutorado no Canadá”, explica.

Para realizar tal façanha, ela só precisou de dedicação e muita determinação. “Se você não gosta de estudar, de ler, se não é disciplinado, vai ser um pouco complicado. Para mim, tempo é questão de prioridades. Então, eu sempre fazia minhas poucas horas livres renderem. E não precisei nem sacrificar muita coisa. Basta selecionar o que é prioridade e se organizar”, garante.
 
"Fui procurar pós-graduações que fossem de graça em cidades grandes, e acabei achando uma em Campinas (SP). Foi natural. Como ainda não tinha bagagem para um mestrado, optei por uma especialização"
Mariella de Oliveira Costa, 34 anos
 
Aperfeiçoamento
Mariella não é a única que decidiu se especializar enquanto trabalhava. O professor Marco explica que muitos profissionais procuram programas de pós-graduação em busca de uma capacitação mais direcionada ao local de trabalho. “A gente vê muita gente voltando das empresas para se especializar em uma área que a organização tenha interesse. Já tive vários alunos que faziam parte de órgãos públicos e queriam formar seus quadros com uma capacitação melhor.”

O docente destaca ainda que é cada vez mais comum encontrar empresas que investem na formação do trabalhador. “Algumas chegam a mandar o candidato para participar de workshops e cursos fora do país. Esse diferencial costuma ser o segredo do sucesso delas.”

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