Semelhanças e diferenças: casais contam sobre suas histórias de amor

A semelhança física entre os ganhadores do concurso do Dia dos Namorados do Correio, Daniel Trombini e Raíza Lima, impressiona

postado em 07/06/2015 10:20 / atualizado em 07/06/2015 11:19

Contar os detalhes de uma linda história de amor. Esse foi o desafio lançado pelo concurso cultural promovido pelo Correio Braziliense, em parceria com o ParkShopping e abraçado por 800 casais. Com uma foto e uma frase tiveram de explicar porque o romance era digno de prêmio. Além de ganharem os prêmios de uma assinatura semestral do jornal (para os dois), celulares (primeiro lugar) e um fim de semana romântico no shopping (segundo lugar), com jantar, cinema e boliche. Um casal surpreende pelas semelhanças e o outro pelas diferenças. Conheça os ganhadores.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press


Não, eles não são irmãos. Mas a semelhança física entre Daniel Trombini e Raíza Lima impressiona. Ambos compartilham os mesmos olhos azuis, os cabelos loiros e o belo sorriso. “A gente brinca que vai ter um papo sério com os nossos pais”, riem. Eles até comemoram aniversário no mesmo dia, 2 de julho. Mas nasceram em estados e anos diferentes. Daniel é carioca e tem 25 anos. Raíza é brasiliense, com família do Piauí, e tem 23.

Com a convivência, o casal descobriu ainda outra coincidência: a data de casamento dos pais é a mesma, 8 de novembro. A personalidade e os gostos também são parecidos. São comunicativos, românticos e gostam de drama. Quem acredita em astrologia, atribui ao signo de câncer algumas características. “Eu olho para você e me reconheço”, diz Raíza a Daniel. “Eu estou pensando em algo e ele vai lá e fala. Essa sintonia é mais importante do que as características físicas. As semelhanças fazem com que tudo seja muito intenso”, avalia a jovem. “A gente se dá tão bem que chega a ser assustador”, brinca o namorado.

Mas ser muito parecido também traz desafios, pois significa dividir alguns defeitos. “Não dizem que dois bicudos não se beijam? Imagine juntar duas pessoas teimosas, dramáticas e emotivas. Mas a nossa disposição para dar certo é maior”, conta Raíza. A sogra dela, Valéria Trombini, 50 anos, elogia o relacionamento. “Eles são um casal nota 10, centrado, estudioso, tranquilo. Torço muito por eles”, apoia Valéria, que aproveita para fazer um pedido. “O objetivo agora é ser avó.”

A maneira como eles se conheceram envolveu uma dose de tequila e um cupido um pouco desastrado. Foi em 2013. Naquele ano, Daniel praticamente não saiu de casa, estudando para as provas do fim do curso de direito e para prestar concurso. Hoje, ele é servidor público. Raíza também teve um ano tumultuado, havia começado um mestrado na área de enfermagem. Ambos passaram 2013 de forma um pouco reclusa, além de normalmente terem hábitos mais diurnos e não gostarem muito de festas.

No entanto, o primeiro encontro aconteceu em uma boate, na fila para pegar uma dose gratuita de tequila. O brinde era apenas para mulheres e Daniel acompanhava algumas amigas no local. As meninas acabaram conversando e uma delas, já animada por outros drinques, resolveu apresentar o amigo, “um partidão”. No fim da noite, Daniel e Raíza acabaram tendo que cuidar dela, que passou mal por causa das bebidas. Um preço pequeno pelos serviços de cupido.

O primeiro beijo deles foi na testa. O envolvimento se deu aos poucos, de forma leve. Após uma viagem com amigos para Caldas Novas (GO), voltaram namorados. O começo oficial veio um pouco depois. Em 3 de novembro de 2013, com um buquê de flores, chegou o pedido de namoro. Ainda não têm não planos para o Dia dos Namorados. Mas, a longo prazo, sim. Pretendem ficar noivos ainda este ano.

2º Lugar

Arquivo pessoal
O casal Anelise Mendonça, 27 anos, e Eduardo Gonçalves, 30, se destaca por superar as diferenças. Ele é assistente em uma fazenda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ela faz doutorado na área de veterinária. Os dois se conheceram no começo de 2013, quando Anelise realizou pesquisas no local.

A veterinária ajudava uma colega em um experimento de nutrição e Eduardo era o funcionário responsável por auxiliá-la na tarefa. Eles precisavam alimentar 30 vacas com cana-de-açúcar todos os dias. Na rotina, pegaram o telefone um do outro para trocar informações sobre o trabalho. Mas a frequência das conversas foi aumentando. “Ficávamos até de madrugada conversando no Facebook”, lembra Anelise. Eles se tornaram grandes amigos.

Eduardo conta que a personalidade da namorada chamou a atenção. “O jeito dela é sempre alegre, meigo, é muito simpática e humilde”, elogia. “Muitas pessoas passaram por aqui, mas eu nunca tinha me interessado”, conta. Tímido, evitou revelar os sentimentos. “No início, eu ficava com o pé atrás. Mas ela é uma pessoa bem cabeça aberta, diz que a única diferença entre nós é que ela teve mais oportunidades de estudar”, descreve Eduardo.

Um dia, tomou coragem para dizer que estava apaixonado. A primeira resposta, no entanto, decepcionou. Foi uma batalha meio dura. Demorou uns seis meses antes de começarmos a namorar”, avalia. Anelise conta como se sentiu. “Eu fiquei meio sem ação. Eduardo achou que era por causa da posição dele. Mas eu não tinha interesse em namorar porque iria passar seis meses longe”, justifica. Ela precisava passar um semestre na Faculdade Federal de Uberlândia, cidade onde nasceu. Ele também é mineiro e deixou Minas Gerais há cerca de 10 anos.

Um dia antes de o experimento acabar, Anelise não se conteve. “Eu chorei muito, ele me abraçou. Nós não íamos mais nos ver com tanta frequência”, conta. No dia seguinte, em uma confraternização com os participantes da pesquisa, eles se beijaram. E continuaram se encontrando e, ainda hoje, precisam resistir a alguns preconceitos.

“No começo, foi mais difícil. Outros estudantes faziam comentários maldosos, que incomodavam”, lamenta Anelise. Mas ambos assumiram o relacionamento abertamente e conseguiram superar o problema. “Ele me dá muita força e sempre me faz sorrir”, conta Anelise. Ela acabou incentivando Eduardo a estudar. Ele terminou o ensino médio e iniciou um curso de administração. O casal se encontra quase todos os dias. Anelise fica no alojamento de estudantes da Embrapa e ele mora perto da fazenda. Em 18 de junho, completam dois anos de namoro.

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