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Correio Braziliense

Educação para uso consciente da água é a alternativa para o futuro

Experiência de uma escola no Guará mostra que é possível despertar a consciência sobre a necessidade de tratar o esgoto e purificar a água

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postado em 27/09/2016 07:15 / atualizado em 26/09/2016 20:52

Roberta Pinheiro -especial para o Correio

André Violatti/Esp.CB/DA Press


De uma caixa de suco ou de um rolo de papel higiênico, os alunos do terceiro ano do ensino fundamental da Escola Classe 3 do Guará criaram um universo com dados, Bumba meu boi, foguetes, carrinhos e bonecas. As fases do tratamento do esgoto estão na ponta da língua. “Não pode jogar óleo na água porque entope o cano e atrapalha o tratamento”, explica o pequeno Gabriel Dias de Lima da Silva, 9 anos. “A água tratada é importante para evitar doenças também”, complementa a colega Lilia Silveira Guimarães, 8. “Água parada em vaso ou qualquer garrafa dá dengue”, finaliza João Leandro Lira, 8.

As informações saíram do livro e da aula de ciências, mas chegaram à vida deles de uma maneira lúdica e divertida com os projetos da professora Djanira Pereira Lima, 46 anos. Trabalhar questões relacionadas ao lixo e ao saneamento básico é mexer com a vida de cada um dos 29 estudantes da sala. “Eles contam como é em casa e levam também o que aprendem para a família”, comenta a professora. “Tia, uma vez, minha mãe pediu para eu jogar o lixo lá de casa fora. Quando cheguei na rua, encontrei mais lixo. Aproveitei para pegar e jogar tudo junto”, relembra Asefe Santos Portela, 8. “A minha avó faz sabão com o óleo para não jogar na água”, fala, do outro lado da sala, Renan Alves Ferreira, 13.

André Violatti/Esp.CB/DA Press


Ao contrário da idade e do tamanho, o olhar de cada um dos estudantes da professora Djanira é grande e brilha para um futuro diferente do que se tem hoje. “Quando a gente vê alguém do quinto ano ou mesmo da nossa turma deixando a torneira aberta, a gente conversa com ele e fecha. Temos que economizar”, diz Pedro Henrique da Costa, 10 anos. Eles sabem a importância do recurso e afirmam em coro que a prática vai muito além dos muros coloridos da escola. Na instituição, apesar de não haver a separação do lixo como aprenderam, não tem nada fora do lugar e na hora do lanche só come quem lava a mão antes.

“Temos que ensinar desde pequenos. A faixa de pedestre, por exemplo, aprendemos desde criança e hoje não temos problema. Com o saneamento básico é a mesma coisa. Criamos adultos conscientes. E eles entendem tudo”, conta a professora. A preocupação com o saneamento básico vai além do impacto na vida dos estudantes. Eles não se esquecem dos animais. “Se a gente não toma cuidado e não faz o que é necessário, podemos prejudicar a vida de alguns animais”, destaca Marcos Antônio Santos, 9. “Aqui, tem consciência ambiental”, afirma a professora.

Foi reunindo o que estava nos livros com o lixo reutilizado que a turma do 3ºA ficou em segundo lugar na Feira de Ciências do Guará e foi chamada para a feira do DF. “Sem falar que, nessas atividades, eles estão desenvolvendo outras habilidades. Estão produzindo textos, aprendendo palavras, multiplicação. Tudo de uma maneira divertida”, comenta Djanira.
Apesar de a educação apresentar aos pequenos um consumo consciente e uma possibilidade de vida melhor, em casa, muitas vezes, não é o que eles encontram. “Aqui, temos alunos do Guará, da Estrutural e do Setor de Chácaras. Eles já comentaram que a mãe fervia a água para filtrar ou tinham poço em casa”, lembra a professora.
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