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Correio Braziliense

Venda direta deve movimentar R$ 42,7 bilhões no mercado brasileiro este ano

Pesquisa mostra que, em média, ganhos representam 28% do orçamento familiar dos empreendedores

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postado em 28/11/2016 11:38

Minervino Junior/CB/D.A Press
Com um faturamento estimado para 2016 de R$ 42,7 bilhões, o setor de venda direta responde por 8% do PIB da indústria de transformação. Esse volume de dinheiro é gerado por um exército de 4,6 milhões de brasileiros e brasileiras que fazem da atividade a principal fonte de renda ou um complemento ao orçamento familiar.

Para avaliar o impacto socioeconômico da atividade no Brasil, a Associação Brasileira de Vendas Diretas (ABEVD) conduziu, este ano, um estudo com um extrato 2,8 milhões de pessoas ativas no segmento e que correspondem a 8,4% da ocupação privada brasileira. Os dados da pesquisa foram apresentados, durante o seminário promovido pelo Correio Braziliense, pela diretora executiva da ABEVD, Roberta Kuruzu.

A pesquisa revela que a venda direta é composta por vários perfis socioeconômicos e representa importante fonte complementar de renda, “elevando, em média, o orçamento familiar em 40%”, divulgou a diretora. O ganho com as vendas diretas representa 28% do orçamento das famílias, apontou a pesquisa. Do total de entrevistados, 21% se declararam responsáveis por manter o lar; 42,5 % informaram ser cônjuge ou companheiro do provedor.

Mais do que uma renda extra no orçamento, a advogada Claudia Cozer, de 36 anos, está de olho na sua aposentadoria ao investir na venda direta de uma linha de cosméticos de beleza. "Eu percebi que para manter o padrão de vida alto que eu levo hoje como advogada eu não poderia contar apenas com o INSS. Quando conheci o marketing multinível, vi nele a oportunidade para construir um futuro melhor", contou.

Ela começou a revender os produtos da Jeunesse em março deste ano. Hoje ela já tem uma rede com mais de 300 revendedoras. "Eu invisto de uma a duas horas do meu dia e todo mês tem dinheiro entrando na conta. Daqui a quatro ou cinco anos pretendo deixar o direito e viver apenas da venda direta", planeja. 

Para  Roberta Kuruzu, não há dúvida que o segmento tem significativo impacto socioeconômico “principalmente pela alta capacidade de gerar renda, ocupação e arrecadação, com valores próximos aos da indústria e da agropecuária”.

O mesmo estudo simulou o impacto do investimento de R$ 1 milhão em vendas diretas no Brasil e concluiu que representaria R$ 3,73 milhões na produção, acrescentaria R$ 1,29 milhões no PIB, ocuparia 39 pessoas ao ano e seria responsável por uma arrecadação de R$ 345 mil em impostos. “Esses valores estão próximos aos observados tanto na agropecuária quanto na indústria”, assinalou a executiva da ABEVD.

Roberta Kuruzu destacou que, com o agravamento da crise econômica, a partir de 2014, o setor de serviços também passou a ser atingido, tendo em 2015 o PIB per capita atingido valor inferior ao período de 2011 a 2014. “De acordo com análises econômicas, somente em 2021 o PIB do Brasil vai atingir o nível observado em 2013”, assinalou.

Com crescente número de desempregados e alta da inflação, a executiva defende que o segmento de vendas diretas representa, para quem está fora do mercado formal, “alternativa de renda, conforme apontado por 21,1% dos entrevistados e passa a ter mais importância no rendimento das famílias, afirmaram 54,9% dos  pesquisados”, assinala.

Minervino Junior/CB/D.A Press

Aprendizado
Aos 60 anos, o analista de sistema Alberto Nunes, há sete meses, passou a integrar a estatística dos desempregados no Brasil. Em busca de uma nova alternativa de renda, faz três meses que ingressou no segmento de vendas diretas. “Ainda estou aprendendo como funciona esse mercado e participar do evento contribui para eu alcançar resultados mais imediatos”, confia o participante.

Minervino Junior/CB/D.A Press

Ganhando o dobro
Em busca de melhor qualidade de vida e reconhecimento profissional, há um ano e meio Lohana Gonçalves, 22 anos, trabalha com produtos de beleza. Apesar do pouco tempo de atuação, ela garante: “ganho mais do que o dobro do que faturava como vendedora em lojas de shopping”. Ela diz que a alta carga de trabalho a que era submetida custou a perda da bolsa de estudos universitária.
A sua experiência desastrosa no trabalho formal não tem sido suficiente para convencer, na medida que deseja, outras pessoas a ingressarem neste mercado porque “a maioria ainda discrimina quem não é concursado ou não tem carteira de trabalho assinada, mas os painéis estão me ajudando com ótimos argumentos e dados concretos sobre a importância e possibilidades das vendas diretas”, comemora.

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