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Festival

Brasília se consolida como capital cinematográfica

Ao longo de 50 anos, o festival se tornou um espaço crucial para a reflexão sobre o cinema brasileiro

postado em 15/09/2015 07:11 / atualizado em 14/09/2015 19:00

Vanessa Aquino , Isabella de Andrade - Especial para o Correio

Arquivo CB/D.A Press
 
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais antigo do país e nasceu na Universidade de Brasília (UnB), em 1965. No início, chamado de Semana do Cinema Brasileiro, o festival conquistou seu espaço em todo o território nacional, tornando-se um importante ponto de fomento para o cinema local e também para a cena brasileira. A I Semana do Cinema Brasileiro aconteceu no período de 11 a 22 de novembro daquele ano. Os filmes eram exibidos em locais como Escola Parque, Cine Brasília, Aliança Francesa e Casa Thomas Jefferson, mas havia uma preocupação extra com infraestrutura, por ser tudo novidade. Havia público novo, diferente do que os eventos de São Paulo e Rio estavam acostumados a receber.

“Na capital havia um núcleo sólido, estruturado nos cursos de apreciação cinematográfica, mas o número maior de espectadores da Semana se recrutava em setores tradicionalmente indiferentes, desconfiados ou mesmo hostis ao cinema brasileiro”, lembrou, na época, o crítico Paulo Emílio Salles Gomes, ao reconhecer que, mesmo com a expectativa de recepção ruim ao cinema nacional, aconteceu um fenômeno: “A conversão em massa do público.”

Naquele ano, o filme vencedor foi A hora e a vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos. “Só me foi dado ver duas sequências completas do filme e me senti diante do melhor já visto em cinema brasileiro. Como não aceitar, pois que o filme do Roberto Santos tenha sido o grande vencedor da Semana de Brasília? Dos estreantes, Menino de engenho e São Paulo S.A, o primeiro me encantou e o outro me interessou muitíssimo. Ambos receberam menções especiais”, recorda o crítico nas lembranças relatadas no livro Memórias críticas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2012), organizado por Hernani Heffner e José Carlos Avellar.

Era o folclórico e o regionalismo cru retratados na película de Roberto Santos. O crítico Francisco Luiz de Almeida Salles ressalta que o caráter regional do filme atingiu dimensão universal. “Este é o grande mérito deste filme de Roberto Santos. Não tínhamos tido uma iconografia cinematográfica sertaneja com a sutileza, a profundidade e ao mesmo tempo o depuramento de que este filme nos dá prova. Matraga transcende o folclore para dar uma imagem de uma região do Brasil, a menos demagógica possível, mas rica de peculiaridades e de autenticidade.”

Nos anos seguintes, a força do cinema brasileiro foi se consolidando no Festival de Brasília. Todas as mulheres do mundo, de Domingos de Oliveira (1966), Proezas de Satanás na Vila de Leva-E-Traz, de Paulo Gil Soares (1967), O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla (1968), Memória de Helena, de David Neves (1969), Os Deuses e os Mortos (1970), de Ruy Guerra e A casa assassinada, de Paulo César Saraceni (1971) foram os filmes premiados antes do intervalo de quatro anos do evento. Depois, a partir de 1975, o festival seguiria uma sequência interrupta de apresentações de grandes obras e mostras competitivas.

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