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Que som é esse? Diversidade de estilos marca as trilhas do filmes do festival

Saiba mais sobre as músicas que embalam as principais produções

postado em 25/09/2016 07:29

Irlam Rocha Lima

Carlos Moura/CB/D.A Press

A sincronia entre a imagem e o som num filme vem de priscas eras. Ela já se verificava à época do cinema mudo quando as películas exibidas tinham o acompanhamento de acordes criados, ao vivo, por pianistas ou orquestras. Historicamente, O cantor de jazz, dirigido por Alan Crosland, foi o primeiro filme falado a receber trilha sonora. Desde então, essa conjunção vem sendo aprimorada, com o intuito de melhor contar a história.

Quase sempre, profissionais da música são convocados pelos diretores dos filmes para, com base no roteiro proposto, elaborar a trilha, que tanto pode ser utilizando temas, canções já existentes, ou ainda sonoridades diversas — melodias, ruídos, etc —, obtidos de diferentes formas, com o uso de instrumentos, por vezes não convencionais.

Na 49ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, cuja mostra competitiva tem início hoje, o público vai poder apreciar também as trilhas sonoras dos nove filmes de longa-metragem. Um deles é Malícia, do brasiliense Jimi Figueiredo, que trata da hipocrisia, tendo a privacidade na internet como pano de fundo.

Jorge Brasil, violonista do grupo Mandrágora, assina a trilha de Malícia, assim como havia feito em Cru, também de Jimi, premiada no Festival de Cinema do Maranhão, em 2014. O músico explica que seu trabalho é criar o clima para as diversas cenas do filme. “Trabalhei sozinho, usando o violão e a guitarra, e busquei valorizar a sensação que cada cena transmite, da alegria à tensão.”

Em Rifle, do cineasta gaúcho Davi Pretto, o que permeia as cenas é uma trilha incidental, totalmente pensada para o roteiro, que vai num crescente ao longo do filme — uma história sobre a questão da terra, numa região rural remota. “O som vem de uma cerca de arame, onde foram instalados microfones de contato”, explica Pretto, que trabalhou a ideia com Marcos Lopes e Tiago Bello.

New Amsterdam, clássico da música holandesa, composta pelo norte-americano Moondog, ganhou releitura de Daniel Saavedra para a trilha de Elon não acredita na morte, filme de Ricardo Alves Jr., que conta a saga vivida por Elon, após o desaparecimento da esposa Madalena. “Com o uso da guitarra e a interferência de batidas eletrônicas, criei uma versão mais pesada para a música do Moondog”, destaca Saavedra.

Cantos indígenas

O documentarista Vincent Carelli utilizou cantos indígenas e música de rodeio na trilha de Martírio, filme que mostra o nascedouro do movimento, na década e 1980, da retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá. “Vinte anos mais tarde, com base nos relatos de sucessivos massacres, busquei as origens desse genocídio, um conflito de forças proporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio”, conta Carelli.

Veinte años, clássico da música cubana, composta por Maria Teresa Vera e gravada por incontáveis intérpretes — inclusive o Buena Vista Social Club — perpassa por toda a ação de Vinte anos, filme de Alice de Andrade. Na trilha assinada por Pedro Cintra, variadas versões da canção são ouvidas. “Conseguimos diferentes gravações, cantadas e instrumentais e ainda criei arranjos originais para a trilha”, revela Cintra. Segundo a diretora carioca documentário conta a história de três casais, numa Cuba onde o tempo não parecia passar. É o retrato de um mundo prestes a desaparecer para sempre, a partir de uma mudança radical e imprevisível.”



Criada a seis mãos por Luiz A. Ferreira, Rodrigo Barros e Sérgio Vilalobos a trilha de Deserto, filme dirigido por Guilherme Weber, tem como ponto alto a canção, tipo voudeville, interpretada pela cantora Cida Moreira. “Na música, com estética de cabaré, procuramos descrever o universo da Decrépita Trupe, grupo de artistas mambembes que viaja pelo sertão do país. A Cida, que participa do filme, a interpreta ao vivo”, relata Luiz A. Ferreira.

Sérgio Andrade e Fábio Baldo, que dividem a direção de Antes o tempo não acabava, são responsáveis também pela trilha sonora. No filme eles mostram o conflito de Anderson, um jovem indígena, com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. Para O último trago, de Luiz Pretti, Ricardo Pretti e Pedro Diógenes, Ior’ dos Reis e Daniel Medina criaram música original.

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