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Representante candango faz parte da programação do Festival

Além do candango Malícia, o documentário Votos renovados encantou os brasilienses na tela

postado em 27/09/2016 07:34

Ricardo Daehn

 

 

Crítica - Vinte anos 
Votos renovados


Nas ranhuras mofadas de simplórias casas cubanas, se alastra vida – impressa em cores e na luta cotidiana pela concretização de sonhos, num recorte de três casais alinhados para o documentário a cargo de Alice de Andrade. Gente que se ajuda, que se separa, em circunstância especial (a fim de otimizar o futuro), e capaz, acima de tudo, de confiar, nem que seja na boneca negra com supostos poderes de proteção de um lar.

Num projeto de cinema, alargado por décadas, a diretora lança olhar amplo, no qual reverbera a condição e o estado de espírito, nem sempre altivo, de parte do povo cubano. “Eles (corretores de imóveis) perderam o respeito ao dinheiro”, identifica, por exemplo, a simpática dona de casa Miriam, mulher do chefe de obras Andrés que, magricela, solidário e coberto de cimento, ainda a encanta. Desvendar sentimentos é a missão da cineasta, que conhecia a maior parte dos entrevistados desde o curta Luna de miel (1992). Sem exagero nas queixas sistemáticas ou lamúrias, Vinte anos avança em casos como o da separada Marlene que idealiza reformas e maiores recintos para as filhas Camila e Karla, afogadas nas partituras musicais que aguçam a sensibilidade das estudiosas de música.

Numa edição do festival de cinema em que despontou um punhado de filmes pontiaguados, fixados em problemas, Alice de Andrade esbalda candura em fita embalada por trilha sonora de primeira. Dormindo amontoados, em cômodos irrisórios, circulando pela onírica Miami ou protagonizando reencontros emocionados, num país em que casamentos “são racionados”, os personagens se agarram a oportunidades e a esforço — em belo exemplo para os brasileiros.


Crítica - Malícia 
Sem marotice

 

 


Uma falta de unidade e de encaminhamento de trilha narrativa brotou do concorrente candango ao Festival de Brasília, a cargo de Jimi Figueiredo, Malícia. Grosso modo, o filme trata de relações pessoais que não engrenam. Tudo está em suspenso para uma gama de personagens amontoados em escala geométrica, com parco teor de profundidade.

Situações rasas circundam uma família de classe média alta, em crise, integrada por tipos vividos por Vivianne Pasmanter, João Baldasserini e Laura Teles Figueiredo. Figuras burguesas, eles abrem vinhos e discutem acerca do futuro incerto, diante de uma dívida contraída e que pode catalisar uma prenunciada crise.

Muito caseira, a fotografia de Malícia se revela nada inventiva. No meio do roteiro superficial, desponta algum espaço para a adolescente cheia de marra representada por Laura Teles Figueiredo, dona de bons momentos com o pai interpretado por Sérgio Sartório. Entre observações maduras e ensinamentos pertinentes, a moça parece dar coordenadas para adultos inseguros e acuados pela invasão do virtual. Mas, tudo é inconclusivo, e o longa ainda reserva um final abrupto. (RD)

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