Confira depoimentos de atores e diretores sobre o Festival de Brasília

Nomes como Julio Bressane, Selton Mello e Françoise Forton falam sobre a relação com o evento cinematográfico

postado em 15/09/2017 06:00 / atualizado em 19/09/2017 15:04

Correio Braziliense

Julio Bressane, cineasta

“Sempre tive bons momentos no Festival de Brasília. Um ponto importante veio, coletivamente, quando Rogério Sganzerla, Elyzeu Visconti, Fernando Cony Campos, Ivan Cardoso, José Mojica Marins e eu tivemos a oportunidade de, sem estar no festival, termos nosso festival.

Explico: o Correio Braziliense, dirigido por um homem culto e sensível, o Oliveira Bastos, nos convidou para a criação de suplemento que recebeu o nome de Horror Nacional. Tratava das esferas políticas e cinematográficas. Foi um material extraordinário, com 10 páginas. Propunha uma leitura radical que trazia reflexão profunda, e surtiu eco no Brasil inteiro.”

 

Françoise Forton, atriz



Maeve Jinkings, atriz


Selton Mello, diretor e ator



Cacá Diegues, cineasta

“Minha primeira lembrança do festival coincide com a fundação do auge de um entusiasmo com um Brasil possível e diferente. Fora dos esquemas da chanchada e da Vera Cruz, o cinema brasileiro teve a acolhida de um grande mentor, um teórico e crítico que foi o Paulo Emílio Sales Gomes.

O festival (criado em 1965, como 1ª Semana do Cinema Brasileiro) acenou para nicho de um moderno cinema no Brasil, que contava com Nelson Pereira dos Santos inserido na UnB. O grande entusiasmo persistiu, mesmo com as dificuldades surgidas com o golpe militar.

Apresentei, em Brasília, A grande cidade (1966), com uma turma formada pelo Leon Hirszman e o Domingos Oliveira. A grande surpresa do festival, na minha carreira, veio com Xica da Silva (1976), que levou Candango de filme e direção. Zezé Motta despontou para o Brasil, como a melhor atriz, pelo filme.”


Sylvio Back, diretor


André Luiz Oliveira, cineasta


Evaldo Mocarzel, diretor



Fernando Eiras, ator


Helena Ignez, atriz

 

Luiz Carlos Barreto, produtor

“Sempre tivemos (Lucy Barreto e eu) muita atenção do festival e recebemos essa atenção também. Ele é realizado no coração do poder político. Nele, o cinema brasileiro mostra a sua cara diante de instâncias como as do Legislativo e do Executivo; aliás, pena que poucos representantes do poder o frequentem!

É muito gratificante estar em Brasília, principalmente pela participação estudantil, num grupo que se manifesta, de modo informal, e que dá à plateia caráter de liberdade única.

O Festival é um dos principais laços afetivos e profissionais que temos: A hora e a vez de Augusto Matraga venceu, logo na primeira edição, e o primeiro curta do Fábio (Barreto, filho), A história de José e Maria (1977), concorreu também. Não é nada apenas para ser cultuado: que se cultive a mesma fibra do evento, em pelo menos outros 50 anos!”

 

Luiz Bolognesi, diretor e roteirista

 

Dirceu Lustosa, diretor e montador

 

Gustavo Galvão, cineasta

 


Neville D’Almeida, cineasta

“No meu primeiro filme (Jardim de guerra), lembro-me da experiência maravilhosa da premiação do Joel Barcelos, como melhor ator. A ditadura corria solta e todos querendo a liberdade que o festival oferecia. O festival é democrático: com entradas e saídas da organização do evento, há alternância saudável de poder e não se incorre na ditadura do gosto, presente em outros eventos.

Artistas que vão além e buscam a verdade estão sujeitos a aplausos e vaias. Levei uma vaia totalmente injusta no festival. Associaram o Matou a família e foi ao cinema com o Collor, que inclusive prejudicou muito o longa, com o desmonte da Embrafilme.

A Claudia Raia, que estava no elenco, havia apoiado a campanha do Collor. Foi uma exposição brutal, em frente à minha família. Mas agradeço, por ter conhecido os canalhas da vida. Na covardia, os ignaros atacam os indefesos. Para o Festival, entretanto, tenho, sempre, só elogios.”

Últimas Notícias

Últimas Notícias Veja Mais

* * *