Crítica: 'Música quando as luzes se apagam' é filme para ser sentido

Um rito de libertação atravessa todo o longa-metragem do diretor Ismael Caneppele

postado em 19/09/2017 07:00

Ricardo Daehn

 Credito: Zeppelin Filmes e Besouro Filmes/Divulgacao.

Um rito de libertação atravessa todo o longa-metragem do diretor Ismael Caneppele, Música para quando as luzes se apagam A firmeza de laços entre o foco do documentário (a jovem Emily Fischer) e a narradora (Julia Lemmertz, dona de senso maternal afloradíssimo) compõem a completa singularidade da fita. Divagações juvenis, descompromisso (movido a acrobacias de skate e excessos etílicos) e o espanto das descobertas (da sexualidade e do autoconhecimento) dão as coordenadas para a entrada no mundo de Emily; trans, nos moldes de Brendan (o interiorano protagonista de Meninos não choram).

“Eu sou outro você” (trecho de texto de Eduardo Galeano, citado no longa) baliza a relação de entendimento e intermediação entre Emily e Lemmertz. “Acho tudo muito livre. Tudo deveria ser experimentado”, comenta Julia, espécie de cicerone no mundo em transformação de Emily. Numa travessia guiada pelo respeito, o diretor sonda o universo da protagonista (que se efetiva, na pele do “personagem” Bernardo): uma atmosfera onírica, rebuscada em plasticidade, com imagens espectrais, em neon, apontam para o caminho de felicidade a ser desbravado por Emily.

O jeito “diferente” de Emily — ilustrado por amplo acolhimento — rebate as perspectivas de “sofrimento” preditas pelo pai dela. Música não é pavimentado por explicações: é filme para ser sentido. Observadora de uma realidade de realizações, Emily, pouco a pouco, se vê ativa, num diálogo com o longa A falta que me faz (2009). Tateia, rompe um casulo e, de peito aberto, está pronta para a vida.
 
Cotação: Bom

Últimas Notícias

Últimas Notícias Veja Mais

* * *