Conheça pessoas ligadas a Brasília que fazem parte do Festival de Cinema

A história desses personagens faz parte de um dos principais eventos realizados na capital federal

postado em 21/09/2017 06:00

Irlam Rocha Lima

 

São 50 edições e incontáveis histórias sobre a mais tradicional mostra de cinema do país. Durante as primeiras quatro noites do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o Correio foi ouvir as lembranças de quem, em algum momento, presenciou ou fez parte do evento. São muitas as que ficaram registradas no imaginário dos cinéfilos. Há quem consiga lembrar com detalhes, de fatos ocorridos nos diversos locais onde houve a exibição dos filmes e as premiações, dos debates, oficinas, exposições, festas; e até dos encontros na praça de alimentação. Tudo guardado na memória.

Murilo Grossi 


O trabalho mais recente de Murilo Grossi foi na novela global Novo mundo, na qual deu vida ao Capitão Otávio, o comandante do navio que trouxe a princesa Leopoldina para o Brasil. Ator de várias facetas, Murilo exibe talento no teatro, na televisão e no cinema. Brasiliense de nascimento, já viveu Juscelino Kubitschek, o criador da nova capital, na peça O sonho que virou realidade, dirigida por Hugo Rodas. Na tevê são incontáveis os papéis que desempenhou em novelas, séries e programas diversos. 

“A televisão, com certeza, me fez mais conhecido do público; mas participei muito mais de filmes do que de novelas. Fui dirigido por nomes como Ruy Guerra, Walter Sales, Daniel Filho e Lúcia Murat. Atuei em quase todos os filmes do José Eduardo Belmonte”, recorda-se. “Eu me orgulho de ter trabalhado em Subterrâneos, o primeiro longa de Belmonte, responsável por levar para a tela representantes da primeira geração de artistas brasilienses”, ressalta. “Como, no processo de produção, houve dificuldade para a conclusão do filme, o Fernando Adolfo (ex-coordenador do evento) entrou em ação e conseguiu que Subterrâneos fosse finalizado, para ser e exibido na abertura do Festival de Brasília de 2003. Participei de várias edições do festival, mas aquela foi a que mais me marcou”, complementa.


Maria do Rosário Caetano 


A jornalista e pesquisadora Maria do Rosário Caetano, tida como uma das maiores divulgadoras da cinematografia brasileira, estava no foyer da Sala Villa-Lobos, após o encerramento da premiação do Festival de Brasília de 1999, quando foi abordada por Cláudio Assis. O cineasta pernambucano, em início de carreira, havia concorrido com o curta Texas Hotel, que não ganhou nenhum troféu.
 
“Visivelmente irritado, externou seu desapontamento e sua fúria, ao segurar meus braços e sacudi-los. Ele imaginou que eu fosse ligada à coordenação do festival, o que nunca ocorreu. Participo do festival há 43 anos, sempre como repórter, e, há 25, como moderadora de debates. Uma única vez integrei a seleção de longas-metragens, ainda no tempo da película”, revive. 
 
“O fato relacionado ao Cláudio levou algumas pessoas a imaginar que eu estava sendo agredida por ele, mas não foi nada disso. Esse foi um dos momentos da história do festival que guardei na memória. Não me esqueço também da vaia que a Cláudia Raia recebeu na noite de premiação do festival de 1991. Ela era protagonista do Matou a família e foi ao cinema, filme de Neville de Almeida. A vaia foi porque a atriz havia dado apoio a Fernando Collor de Mello, na eleição para presidente da República”, complementa Rosário, que, na companhia do marido, o crítico de cinema Luis Zanin, marca presença em praticamente todos os festivais realizados no país.

Irone Queiroz

 
Na abertura da 50ª edição do Festival de Brasília, a fotógrafa e pesquisadora Irone Queiroz foi às lágrimas, depois de ser homenageada pelo secretário de Cultura, Guilherme Reis, que a citou como um dos símbolos do evento, do qual participa desde a década de 1970, quando chegou à cidade, vinda de Goiânia. 
 
Dona de um precioso acervo, Irone costuma presentear atores, diretores e demais participantes do festival com fotos que faz, geralmente nos bastidores. Mas ela tem estendido sua atuação para outras áreas, esteve à frente de curso de cinema Super-8, colaborou com Berê Bahia no projeto de criação do livro Luz, câmera, mesa e ação — O cinema brasileiro na cozinha, lançado no festival de 2003. 
 
“Para mim, a cada ano, o Festival de Cinema é o grande momento da cultura na capital. Se tem uma coisa de que me orgulho é ter documentado 40 das 50 edições do festival, tendo inclusive feito uma exposição com esse material”, enaltece Irone. 


André Luiz 


O brasiliense tomou conhecimento do então jovem cineasta André Luiz Oliveira, em 1969, quando Meteorango Kid — O herói intergalático, dirigido por ele, chamou a atenção do público que prestigiou a quinta edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, foi o filme vencedor, de acordo com o júri popular.
 
A produção do diretor baiano, contemporâneo e amigo dos artistas criadores do movimento tropicalista, representava o que ficou conhecido como cinema marginal. O cineasta viria a dirigir outros filmes, como A lenda de Ubirajara e outros que focalizaram aspectos da capital baiana, como Ladeiras de Salvador, Dia de Iemanjá e É dois de julho. 
 
Em Brasília, onde chegou em 1991, André Luiz continuou trabalhando com a câmera. Paralelamente exercia o ofício de músico, em parceria com o tecladista e violeiro Cláudio Vinicius, o que resultaria na série de quatros CDs em que musicou poemas de Fernando Pessoa. “O que me fez mais próximo do brasiliense foi o longa Louco por cinema, que reuniu no elenco uma grande número de artistas locais. Com o filme, conquistei o troféu Candango de melhor filme do 28º Festival de Brasília, em 1994. Considero esse momento como algo mágico em minha trajetória artística, embora tenha ficado feliz também com o prêmio pelo Zirig Dum Brasília, o documentário que focalizou o talento de Renato Matos, em 2014”, destaca.
 

Bruno Torres 


Entre as várias homenagens prestadas a nomes destacados do cinema brasileiro, na abertura da 50ª edição do Festival de Cinema de Brasília, na última sexta-feira, uma delas foi feita pelo ator e diretor Bruno Torres. Ele reverenciou o pai, Geraldo Moraes, morto em agosto. Naquela noite, foi exibido o documentário Um cineasta no coração do Brasil, em que Bruno reuniu trechos de vários filmes do cineasta gaúcho-brasiliense. 
 
Aliás, foi no longa-metragem No coração dos deuses, de Geraldo, que o Bruno fez sua estreia no cinema, ainda adolescente, há 20 anos. Em algumas produções do pai, dividiu a cena com a mãe, Malu Moraes. Um dos seus trabalhos mais elogiados foi em Somos tão jovens, de Antônio Carlos da Fontoura, sobre o Renato Russo, no qual ele deu vida a Fê Lemos, baterista da banda Aborto Elétrico. 
 
Como ator, ele tomou parte de 14 filmes, três novelas e atuou em quatro peças, duas sob a direção de Hugo Rodas e duas dos irmãos Adriano e Fernando Guimarães. “Dirigi três curtas, um média-metragem e dois documentários. No Festival de Brasília, fui premiado como melhor ator coadjuvante em 2009, pelo filme O homem mau dorme bem, de Geraldo Moraes e , no mesmo ano, como diretor, recebi o Candango pelo curta A noite por testemunha (sobre o assassinato do índio Pataxó Galdino Jesus dos Santos)”, recorda-se. Os atores que participaram do filme também levaram o troféu. “Não vou esquecer nunca daquela edição do festival”, afirma Bruno.  
 
 
 
 
 

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