Crítica: 'Por trás da linha de escudos'

O filme se desenvolve sem clima de denúncia

postado em 23/09/2017 07:32 / atualizado em 23/09/2017 12:44

Ricardo Daehn

 
Em busca da unidade

Há uma boa disposição para o entendimento — algo louvável, na atualidade — de duas frentes antagônicas, na base do mais recente filme do pernambucano Marcelo Pedroso. O ranço inalterável de leis caducas (na dinâmica de uma sociedade moderna), como a que descreve os usos reservados aos Símbolos Nacionais do Brasil (hino e bandeira), e o rigor de uma tropa de elite como a do Batalhão de Choque da Polícia Militar se desestabilizam, diante da interação com uma equipe de longa documental.
 
"Dentro desta farda, existe um cidadão", observa um dos policiais; mas, claro, há consenso de que, independente de julgamentos de legitimidade (de manifestantes, por exemplo) e das atitudes enérgicas esperadas (por parte da sociedade), prepondera o velho "missão dada é missão cumprida".
 
Sem clima de denúncia, um dos melhores momentos da fita cerca o processo do realizador, na mesa de edição, contrastando ações violentas de policiais com a versão heroica dos PMs que figuram em selfies com admiradores anônimos. O desenrolar de arbitrariedades do braço do Estado, por exemplo, ganha versão oficial, na visão de PMs.
 
O conflito (do filme) não fica muito aparente, a bem da verdade. A percepção da humanidade parece mútua: tanto por parte dos “adestrados” militares (como se classificam) quanto pelos sistemáticos manifestantes (e, supostos, oponentes da ordem), que, na brincadeira, se qualificam de “maconheiros” e “baderneiros”. Ameno, o filme tem um sagaz desdobramento, quando os policiais se dispõem a praticar ioga. Sai a aura de truculência e entra a esfera da meditação. Por fim, na arena, vence a vertente igualitária, de irmandade entre bons brasileiros. 

Últimas Notícias

Últimas Notícias Veja Mais

* * *