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Correio Braziliense

Com internet, consumidor pode ir às lojas só para pagar fatura

Avanço tecnológico mexe com a dinâmica do varejo, permitindo, por exemplo, que a pesquisa de preços seja feita pela internet

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postado em 05/12/2016 18:06 / atualizado em 05/12/2016 18:41

Ed Alves/CB/D.A Press
 
 
Os avanços tecnológicos nos meios de pagamento mexeram com a dinâmica do varejo no Brasil. É o que afirma o diretor de Políticas de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Douglas Ferreira. “Hoje, tudo é muito rápido. O consumidor faz a pesquisa na internet, escolhe o produto e, quando muito, vai à loja física fechar o negócio com um cartão de crédito, de débito ou fazer a transferência financeira pelo celular”, diz.

Segundo levantamento do Mdic, a “revolução” no comércio de bens e serviços teve início com o Plano Real, editado em julho de 1994. Antes disso, ressalta Ferreira, o varejo era fechado, havia barreiras para produtos importados. A chegada de marcas estrangeiras trouxe inovação, uma nova modalidade de relacionamento com os clientes, concorrência. Era hora de encarar os apelos da modernidade: praticidade e segurança para pagar a conta. Agora, esse processo está sendo impulsionado pela tecnologia, e numa velocidade impressionante.

Para os empreendimentos de grande porte, não houve dificuldade na adequação aos meios de pagamento digital. Supermercados, lojas de departamentos e de eletrodomésticos não só se abriram para os cartões de operadoras tradicionais, como criaram o seu próprio dinheiro de plástico, os private label. Saíram de cena os cheques pré-datados e entraram as compras parceladas nos cartões de crédito.

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que os meios digitais já correspondem a 66% dos pagamentos na boca do caixa contra 33,3 % em dinheiro e cheque. Entre os pequenos comerciantes, a proporção é muito maior. Carol Oliveira, 31 anos, é sócia em uma loja colaborativa. Ela prefere as vendas com cartão, que já representam 84% do total mensal, pela facilidade e confiança no recebimento. E já está ansiosa pelas novidades do mercado tecnológico: celular, óculos, relógios, impressão digital. Freguês da loja de Carol, o engenheiro agrônomo Rodrigo Marques, 44, diz que só paga em dinheiro ou cheque se receber desconto acima de 10%. Do contrário, saca o cartão.
 
"Hoje, tudo é muito rápido. O consumidor faz a pesquisa na internet, escolhe o produto e, quando muito, vai à loja física fechar o negócio com um cartão de crédito, de débito ou fazer a transferência financeira pelo celular"
Douglas Ferreira,  diretor de Políticas de Comércio e Serviços do Mdic 
 
Dono de um dos cafés mais badalados de Brasília, o francês Daniel Briand, 65, relutou em adotar o pagamento de croissants e macarrons por meio de cartão. O estabelecimento funciona há 21 anos, mas somente há oito passou a aceitar a modalidade débito. “A administradora de cartões é um sócio que eu não conheço”, diz. Um sócio desconhecido, responsável por 95% do pagamento das contas no café. O jeito é partir para a negociação: taxa de administração mais barata, dispensa do pagamento de aluguel da maquininha por seis meses e até papel para impressão grátis.

 
Quadro perverso

O economista Pedro Menezes afirma que um grande problema para os lojistas é a falta de liquidez (de dinheiro imediato) que os obriga a buscarem, de forma antecipada junto aos bancos, um dinheiro que lhes pertence, mas a taxas muito altas e com deságios (descontos) desfavoráveis. “Hoje, os bancos transformam ativos dos varejistas em passivos”, diz.
  

Mudanças

Pedro Menezes prega uma “mudança comportamental” na relação entre as empresas de cartões e o varejo. Para ele, é vital a abertura do mercado, já que a maioria das companhias adquirentes (donas das maquininhas) são ligadas a grandes bancos. “A entrada de mais credenciadoras no mercado é muito importante. Cabe ao varejo exigir isso”, recomenda.
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