Em 20 anos, número de compensações de cheques caiu 80%, segundo a Febraban

Enquanto, em 2014, o país registrou 11,2 bilhões de transações em cartões, foram compensados 1,7 bilhão de cheques; crise de credibilidade desse meio de pagamento é um dos motivos pelos quais ele vem caindo em desuso

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postado em 05/12/2016 18:42 / atualizado em 05/12/2016 20:09

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press
 
 
Preferido de muitos na hora de pagar as compras, os meios eletrônicos vêm ganhando cada vez mais espaço na carteira dos brasileiros. Dados do Banco Central mostram que, em média, cada brasileiro tem mais de dois cartões na carteira, um total de 482,6 milhões. Se esses instrumentos vêm crescendo e tornando-se mais populares, outros perdem força. É o caso dos cheques. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), nos últimos 20 anos, o número de compensações desses documentos teve redução de 80%.

Enquanto, em 2014, o país registrou 11,2 bilhões de transações em cartões, foram compensados 1,7 bilhão de cheques. A crise de credibilidade desse meio de pagamento é um dos motivos pelos quais ele vem caindo em desuso. Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que 15,1 milhões de cheques foram devolvidos por falta de fundos no ano passado, o maior volume desde 1991. Por lei, o único meio de pagamento que o comerciante é obrigado a aceitar é o dinheiro.

Para os mais jovens, ávidos por tecnologia, o cheque é um estranho desconhecido. Muitos nunca emitiram um e sequer sabem como fazê-lo. É o caso do atendente de lanchonete Lucas de Sousa, 19 anos. “Nunca assinei um cheque. Se tivesse que assinar um, não saberia como, talvez só preencher os campos, mas não sei dizer o que é um cheque cruzado, nominal, acho isso muito complicado”, diz.


Desconto

Os amigos Isack Oliveira e Pedro Vinícius Martins, ambos estudantes, com 18 anos, preferem o cartão de débito na hora de fazer compras. Para eles, é mais fácil controlar as contas assim, pois não há possibilidade de gastarem um dinheiro que eles não têm. “É mais fácil de contabilizar. Assim, evita-se comprar coisas desnecessárias. Se eu for comprar pela internet, prefiro o boleto, por causa do desconto. Já o cheque eu nunca usei nem pretendo. Muito complicado”, afirma Pedro.
 
"Nunca assinei um cheque. Se tivesse que assinar um, não saberia como, talvez só preencher os campos, mas não sei dizer o que é um cheque cruzado, nominal, acho isso muito complicado"
Lucas de Souza, estudante 
 
Isack endossa: “quando saio para comer ou quando compro alguma coisa, pago tudo no cartão de débito. O cheque é algo que meus pais usavam muito. Agora, nem usam mais tanto assim. Eu não sei bem como funciona”, diz. “Nosso mundo é o da tecnologia”, reforça. Na opinião dele, o que os mais jovens querem é agilidade e segurança. E isso os meios de pagamento eletrônico conjugam muito bem.

Pessoas de gerações anteriores ainda são adeptas do cheque na hora de fazer um pagamento. Para Gilberto Costa, 66, aposentado e proprietário de uma empresa de dedetização, o cheque abre margem na hora de negociar produtos para a empresa. “O cheque me ajuda bastante na negociação. Eu compro o produto e emito um cheque para 30 dias. No meu caso, é melhor do que pagar no cartão ou à vista”, afirma.
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