Mais de 700 milhões de pessoas não têm acesso a água potável no planeta

O estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que nas duas últimas décadas o número de mortes de crianças devido às doenças diarreicas caiu de 1,5 milhão para 600 mil

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postado em 19/11/2014 16:03

Reuters
Um total de 748 milhões de pessoas não tem acesso a água potável de forma sustentada em todo o mundo e calcula-se que outros 1,8 bilhão usem uma fonte que está contaminada com fezes, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (19/11) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo mostra que 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento adequado e que 1 bilhão defecam ao ar livre, nove em cada dez, em áreas rurais. Os dados constituem as principais conclusões do relatório Glass 2014, estudo feito a cada dois anos pela OMS cujo título, este ano, é Investir em água e saneamento, aumentar o acesso e reduzir as desigualdades. O texto informa que o acesso a água potável e ao saneamento adequado tem implicações num amplo leque de aspectos, desde a redução da mortalidade infantil, passando pela saúde materna, o combate às doenças infecciosas, a redução de custos sanitários e no meio ambiente. Nas duas últimas décadas, 2,3 bilhões de pessoas conseguiram ter acesso às fontes de águas melhoradas. No mesmo período, o número de mortes de crianças devido às doenças diarreicas %u2013 relacionadas com o saneamento precário %u2013 caiu de 1,5 milhão em 1990 para 600 mil em 2012. %u201CClaro que podemos dizer que se melhorou muito, mas 600 mil crianças continuam a ser um número muito elevado%u201D, disse, em entrevista, Maria Neira, diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS. Segundo dados da OMS, se o acesso a água potável fosse melhorado e se fossem implementados serviços de saneamento adequado, as mortes por diarreia poderiam ser reduzidas em cerca de 70%. O estudo calcula que a cada dólar investido em serviços de água e saneamento pode-se obter um retorno de 4,3 dólares, com a redução dos custos de saúde, o aumento da produtividade no trabalho e a criação de novos empregos em indústrias relacionadas com a gestão de resíduos. %u201CA água e o saneamento são temas básicos de direitos humanos e têm um componente de gênero essencial. No mundo são, majoritariamente as meninas que vão buscar água, o que as impedem muitas vezes de frequentarem à escola%u201D, disse Maria Neira.
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