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Governo cobra rapidez na reforma do ensino médio

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postado em 20/08/2012 10:57 / atualizado em 20/08/2012 11:32

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se reunirá na próxima terça-feira com os 27 membros do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para cobrar agilidade na implementação efetiva das diretrizes de reforma do currículo do ensino médio, homologadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no ano passado e publicadas em janeiro no Diário Oficial da União. Vamos discutir de que forma avançar nesta direção. Sabemos que qualquer mudança só pode acontecer a partir de um pacto com os secretários, afirma o titular do MEC em entrevista ao Correio.


A discussão é bem antiga dentro do MEC, mas foi tirada da gaveta pelo ministro após a divulgação do baixo desempenho e da estagnação (veja arte) dos alunos do ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, na última terça-feira. Com isso, o ministério se viu forçado a acelerar as mudanças. Mercadante defende um currículo redefinido com base nas áreas de competência cobradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias. Essa divisão ajudaria a flexibilizar o currículo. A ideia não é substituir disciplinas e, sim, trabalhar com uma coordenação pedagógica que integre as áreas, defende Mercadante. O ensino médio da rede pública tem hoje 13 disciplinas obrigatórias, mas pode chegar a até 19, se levadas em consideração as opcionais.


A ideia do MEC para os próximos anos é usar o Enem e não mais a Prova Brasil como forma de avaliação dos alunos do ensino médio. Segundo Mercadante, eles não têm estímulo para fazer a Prova Brasil.Comoa avaliação ocorre por amostragem, dos 2,2 milhões de estudantes matriculados na etapa escolar no ano passado, só 70 mil participaram.“O Enem hoje é quase censitário. É mais amplo. Não dá para fazer uma análise conclusiva em relação ao ensino médio só com base nesses dados do Ideb.Mas, é claro, que o quadro preocupa”, diz Mercadante.

Para Wanda Engel, consultora na área de educação e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mudanças na grade do ensino médio são essenciais. Mas, para o currículo ser enxugado, é necessário que se avaliem quais são as expectativas mínimas para o aprendizado do aluno. “O perigo é que tudo seja visto de forma superficial. O mínimo tem de ser oferecido a todos e é preciso ter condições de oferecer aprofundamento a quem desejar. Primeiramente, o MEC e o CNE precisam decidir qual é esse mínimo”, acredita. A especialista defende que a pasta e as secretarias de Educação nos estados tenham escolas com currículos voltados para diferentes áreas. Assim, o estudante escolhe a instituição de ensino mais adaptada ao seu interesse.

Coragem

Já o secretário de Educação de Goiás,Thiago Peixoto, levará como sugestão ao ministro, na reunião de terça-feira, a criação de um currículo referência para o sestadose a implementação de um programa específico de escolas em tempo integral no ensino médio. “O embate político e ideológico muitas vezes atrapalha a implementação dessas políticas. Por isso, o MEC precisa ter coragem para fazer o que eles sabem que precisa ser feito”, avalia.

Desde 2009, o MEC mantém o programa Ensino Médio Inovador, que visa ampliar o tempo dos estudantes na escola, buscando garantir a formaçãointegralcoma inserção de atividades mais dinâmicas. A iniciativa, porém, ainda não decolou de fato. Atualmente, das quase 19 mil escolas públicas com ensino médio, somente 2 mil contam como programa.

Processo gradual

A ideia de redução de disciplinas, defendida pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, é muito boa.Uma inovação importante. De fato, a crítica da sobrecarga procede. As áreas de conhecimento teriam que se basear na interdisciplinaridade. Este, porém, é umprocesso gradual.Não é fácil substituir o atual modelo. Será preciso treinamento e formação de docentes. Lá na ponta, os professores e diretores precisam estar preparados, senão, haverá resistências. Em toda reforma, é necessário pensar nos possíveis obstáculos. Antes de mais nada, é preciso fazer um diagnóstico para entender as verdadeiras causas do que está acontecendo no ensino médio. As políticas têm de ser discutidas e acompanhadas de uma
hoje são diferentes. É preciso tornar o ensino médio mais atrativo. Uma ideia é diversificá-lo em quatro ou cinco modelos,como há em outros países. Oferecer caminhos e alternativas.No entanto, isso implicaria mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Tudo isso tem de ser pensado.”

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