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Dois alunos de Brasília são selecionados para a 8ª Jornada Espacial

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postado em 05/10/2012 22:06

Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press
Dois alunos de Brasília foram selecionados para participar da 8ª Jornada Espacial do Brasil. O evento é promovido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) por meio do Programa AEB Escola e já contemplou 400 estudantes de todo o país.

Lusana Borges de Ornelas,18 anos, e Leonardo Enrico Marchioro, 16, são os dois brasilienses que estão
entre os 50 melhores estudantes da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) convidados a participar da jornada. O evento premia os estudantes de nível médio mais bem colocados da OBA.

Os dois estudantes concorreram às vagas com aproximadamente 800 mil alunos de 10 mil escolas de todos os estados do Brasil, que fizeram a 15ª prova da olimpíada em maio deste ano. Eles ainda nem saíram da escola e têm em comum a classificação e premiação em diversos campeonatos e olimpíadas de conhecimento nacionais, a vontade de aprender, e a chance de conhecer os foguetes do Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB).

Exemplo de cidadania

Lusana Borges de Ornelas acabou de completar 18 anos e acumula títulos no currículo estudantil. Ela é pentacampeã da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas do Brasil (duas medalhas de ouro, uma de prata, uma de bronze e uma menção honrosa), medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Física, participante de olimpíadas de química e de história, e foi convidada a fazer o curso de energia nuclear do Instituto de Pesquisa Energéticas Nucleares (Ipen) e o de engenharia mecatrônica da Escola Politécnica da Univesidade de São Paulo (USP).

Agora, ela é campeã da OBA e, entre a escola e o cursinho pré-vestibular, ainda encontra tempo para ser voluntária da Cruz Vermelha. “Não gosto de deixar as coisas de lado. Não adianta se preocupar apenas com estudo. É preciso estar atento, ter consciência cidadã e ajudar no que cada um pode”, avalia a estudante.

Incentivada pela escola que frequenta, Lusana é apaixonada por disciplinas de exatas. Matemática, física, química, não importa, a estudante se sente à vontade para unir conhecimentos e pensar de maneira lógica. “Gostei muito de fazer a prova da Olimpíada. Ela foi multidisciplinar, juntou astronomia, astronáutica, uso sustentável da energia, cálculo, raciocínio lógico, preocupação com o meio-ambiente. Enfim, tudo o que gosto”, relembra.

A estudante pretente prestar vestibular para o curso de engenharia mecatrônica, mas vai aproveitar a oportunidade para conhecer pessoas diferentes, avaliar novas áreas de trabalho e conversar com profissionais da área. “Pretendo estudar engenharia, mas quero conhecer coisas novas. Quem sabe energia nuclear, mas a aeronáutica seria uma boa escolha”, avalia.

Início de destaque

Foi apenas este ano que Leonardo Enrico Marchioro, 16 anos, começou a competir em olimpíadas de conhecimento do Brasil. Em 2012 foram seis: a de matemática, a de química e de física nas etapas local e nacional, e a de astronomia. Ele foi o primeiro colocado na Olimpíada de Química do DF e espera os resultados das provas das olimpíadas de química e física na etapa nacional.

Leonardo fez a prova da OBA como desafio pessoal e, após o excelente resultado na olímpiada, foi convidado a participar do evento em São José. “Veio de mim a vontade de participar. Não me preparei muito para a prova, mas fui bastante confiante no dia. Depois que terminei, vi que ela não estava tão difícil”, admite o estudante do 2º ano do ensino médio.

Com afinidade nas disciplinas de exatas, Leonardo recebeu com felicidade a notícia de que foi classificado para a Jornada Espacial. “Vai ser bastante interessante participar de todas as atividades. Quero aprender sobre satélites, foguetes e missões espaciais na jornada”, enumera o estudante.

Leonardo pretende prestar vestibular para engenharia química no Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP) ou em faculdades dos Estados Unidos. “Esta é a oportunidade de definir melhor o futuro que quero seguir. Vou aproveitar para conhecer mais sobre assuntos que não tenho tanto domínio”, conclui.

Visita espacial
Entre os dias 18 e 24 de novembro, os dois brasilienses e outros 48 convocados de 22 estados brasileiros vão a São José dos Campos (SP) para conhecer o Laboratório de Integração e Testes (LIT) e o Centro de Visitantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); o Instituto de Tecnologia Aeroespacial (ITA) e as instalações da TV Vanguarda, onde aprenderão como ocorre o processo de transmissão de TV via satélite.

Uma das atrações será a visita noturna ao Observatório Astronômico do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), onde os participantes poderão observar de perto a Lua e os planetas do Sistema Solar. No MAB, os alunos conhecerão os foguetes de sondagem nacionais, além da maquete em tamanho real do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1).

“As competições de conhecimento são capazes de motivar os alunos a estudar para as provas. Para os organizadores é uma importante ferramenta de identificação de talentos”, afirma Carlos Eduardo Quintanilha, coordenador do Programa AEB Escola.

A diferença de nota entre os 50 classificados foi de poucos décimos. Isso deixa claro para o profissional que estudantes como Lusana e Leonardo merecem o convite para a Jornada Espacial. “Todos que estão lá obtiveram notas excelentes. Eles provaram a capacidade e, sem dúvida, são ótimos estudantes e possíveis futuros talentos do Programa Espacial Brasileiro”, acredita Carlos.

Fique por dentro
A OBA é realizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a AEB. As provas são abertas à participação de escolas públicas ou privadas, urbanas ou rurais e ocorrem dentro da própria escola. Podem participar da OBA estudantes do 1º ano do ensino fundamental até alunos do último ano do ensino médio, mas apenas os alunos de ensino médio poderão participar da Jornada Espacial. No fim, todos os alunos recebem um certificado de participação, juntamente com os professores e as escolas que participaram.

A OBA é anual e tem uma única fase. Desse modo, os certificados e medalhas são recebidos pela escola no mesmo ano. A prova é dividida em níveis, mas todas elas possuem 10 questões que tratam de temas relacionados à astronomia, astronáutica e energia. “A intenção é muito mais de informar o aluno e tornar aquele momento uma oportunidade de aprendizado do que testar conhecimentos específicos. O objetivo é tornar o contato com as ciências espaciais mais prazeroso e significativo”, afirma Quintanilha.
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